• Ceclin
ago 26, 2008 1 Comentário


Doação de campanha visa contrato futuro, diz cientista

A preferência das empresas pelos candidatos com o pé no poder é simples. De acordo com o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UNB), Leonardo Barreto, isto ocorre porque os empresários preferem se prevenir, uma vez que eles sabem que podem enfrentar dificuldades para emplacar contratos futuramente com a Prefeitura, se hoje não demonstrarem apoio. “As empresas sofrem essa pressão e fogem dela ou doando para todos os candidatos que ela considera com chances ou não doando a ninguém. Há também que doe sem prestar contas oficiais”, declara.

Em outras capitais do Nordeste, no entanto, o prestígio pessoal pode superar a intimidade com a máquina pública. Na corrida pela Prefeitura do Recife, Mendonça Filho (DEM) tem nos cofres R$ 237,6 mil. O petista João da Costa, que tem o apoio do governador Eduardo Campos (PSB) e do atual prefeito João Paulo (PT) arrecadou R$ 115 mil. Em Natal, Fátima Bezerra (PT) – nome da governador Wilma de Faria (PSB) e do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB) – levantou R$ 74 mil. Micarla de Souza (PV) tem para investir na campanha R$ 210 mil. Na Paraíba, o apoio do governador Cássio Cunha Lima (PSDB) garantiu ao correligionário João Gonçalves R$ 17 mil. O atual prefeito Ricardo Coutinho (PSB) tem R$ 319 mil.

A constatação de que a exploração do prestígio dos padrinhos políticos que têm nas mãos a máquina pública infla os cofres das campanhas eleitorais reacende, entre deputados e senadores, a discussão em torno do financiamento público de campanha. O tema faz parte da sonhada reforma política, é considerado polêmico e está longe de ser consenso. Mas pode ganhar contorno diante das articulações do Palácio do Planalto e do Congresso para colocar a reforma em pauta logo após as eleições municipais de outubro. Há, nas gavetas da Câmara e do Senado, inúmeros projetos de lei que criam o financiamento público de campanhas. Uma das propostas com tramitação mais avançada prevê a distribuição dos recursos, garantidos pelo Orçamento da União, na proporção das bancadas dos partidos na Câmara e do eleitorado de cada Estado. O custo para os cofres públicos seria de R$ 7 por eleitor em anos de eleição. Hoje, representaria algo em torno de R$ 914 milhões, diante dos 130,6 milhões de eleitores brasileiros. (Agência Nordeste)