Ceclin
abr 22, 2020 0 Comentário


Diagnóstico confirma Coronavírus em técnica de enfermagem que morreu após não conseguir vaga em UTI

Williane que tinha 30 anos e era mãe de uma menina de 6 anos não conseguiu suportar o tempo de espera - Foto: Arquivo Pessoal

Williane que tinha 30 anos e era mãe de uma menina de 6 anos não conseguiu suportar o tempo de espera – Foto: Arquivo Pessoal

A vítima esperou por mais de 24 horas por uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI)

TV Jornal

A técnica em enfermagem Williane Maily Lins dos Santos, de 30 anos, que morreu após passar mais de 24 horas esperando por leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no Hospital João Murilo de Oliveira, em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco, teve o diagnóstico positivo para o novo Coronavírus. O laudo médico que foi entregue na terça-feira (21/04), foi confirmado pelos familiares da profissional. A técnica deixou uma filha de 6 anos, e era moradora de Vitória.

Negligência

Segundo a mãe dela, a fisioterapeuta Maria Soares Lins, o tratamento na unidade de saúde administrada pelo governo do Estado foi negligente. A falta de assistência aconteceu desde o primeiro atendimento.  Ainda segundo a mãe, a estratégia de isolamento não funcionou. A situação de Williane piorou rapidamente. A ponto de, na quinta-feira (16), a enfermeira procurar de novo uma unidade – desta vez um posto de saúde perto de sua casa. Foi encaminhada para o João Murilo, para onde iria pela terceira vez.

A falta do leito, no entanto, não é a única queixa de Maria. Segundo ela, no João Murilo de Oliveira havia dois respiradores na sala de emergência que não foram usados em sua filha – apesar de seus repetidos pedidos de entubação. A fisioterapeuta alega que as atitudes tomadas para tentar evitar a morte de sua filha foram tardias e, portanto, insuficientes.

Relembre o caso 
De acordo com a família, Williane reclamou por mais de uma semana de dor na garganta e, nas vezes que procurou o posto de saúde, era medicada e orientada a voltar para casa. Os médicos acreditavam que se tratava de laringite. No entanto, a profissional de saúde passou a ter falta de ar e foi socorrida novamente para o hospital.

Com o quadro de saúde delicado, familiares cobraram a transferência da moça para um leito de UTI, mas teriam sido informados que não havia vaga disponível e que o processo dependia da Central de Regulação de Leitos do Governo do Estado. Após mais de 24 horas de espera pela transferência, a técnica não resistiu e morreu depois de sofrer uma parada cardíaca.

Nota da SES-PE na íntegra
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informa que a paciente citada foi admitida, na última quinta-feira (16.04), no Hospital João Murilo, em Vitória de Santo Antão, com quadro moderado de Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Na tarde da sexta-feira (17), ela teve uma piora no quadro clínico e foi solicitada uma vaga de UTI à Central de Regulação de Leitos. O leito foi disponibilizado ainda na noite do mesmo dia em um hospital privado. Infelizmente a paciente teve uma piora súbita antes que fosse possível realizar a transferência.

É importante ressaltar que o processamento das amostras não acontece nas unidades de saúde e sim no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PE) ou em algum dos laboratórios parceiros do Governo de Pernambuco. A paciente teve a coleta de swab devidamente realizada para a análise laboratorial. As amostras estão em investigação.

Por fim, a SES-PE destaca que, dentro dos esforços do Governo de Pernambuco para ampliar a rede de assistência para o atendimento de pacientes suspeitos e confirmados da Covid-19, diariamente novos leitos estão sendo abertos. Em pouco mais de 30 dias, o Estado já conta com 646 leitos abertos dedicados exclusivamente para a doença, sendo 319 de UTI.