Ceclin
mar 08, 2011 55 Comentários


Deselegância é registrada no último dia do Carnaval da Vitória de Santo Antão

por Lissandro Nascimento

O Polo Duque de Caxias na terça-feira de Carnaval em Vitória de Santo Antão foi palco de uma cena que envergonha aqueles que se esforçam em construir uma imagem positiva da Festa de Momo na cidade. Tudo por conta de uma intempestiva atitude de um renomado artista internacional e do outro lado de um querido artista local.
No palco estava Alceu Valença. No trio Asas da América a banda Pierre – A Pressão de Pernambuco, que no momento desfilava quando Alceu se apresentava no Polo promovido pelo Governo de Pernambuco.

Pierre convidou Alceu para fazer um dueto na Duque de Caxias. Alceu agradeceu pelo convite, porém preferiu continuar o seu show, Pierre biombo também continuou o seu. Contrariado, Alceu Valença exigiu respeito, alegando que era Pierre que estava adentrando no espaço do Polo, ao qual ele é que deveria usar da boa educação. Após isso, os foliões assistiram uma troca de intempéries não publicáveis entre Alceu e Pierre, que chegou a iniciar agressões por parte de alguns populares que atearam com latas e garrafas contra o trio patrocinado pela Empresa PITU. A multidão que se encontrava na Duque de Caxias havia deixado claro que preferia continuar assistindo ao show de Alceu Valença sem a presença do trio elétrico.
Pierre agindo feito “menino aborrecido” afrontou com o trio elétrico, junto com o seu empresário aparentemente embriagado. Alceu em atitude arrogante ensaiou se retirar do palco do Governo do Estado.

Com a saída da Duque do trio elétrico com Pierre, o show de Alceu é retomado. Em quase uma hora de apresentação, o artista olindense troca por três vezes o nome do Município por Jaboatão dos Guararapes, sendo corrigido pela sua produção. Aproveita para se redimir do erro e conta que têm um vínculo com Vitória de Santo Antão quando passava férias aqui em sua infância. Porém, apesar do incidente com Pierre, Alceu Valença junto com a multidão que não arredou o pé da Duque de Caxias chegam ao delírio com o frevo pernambucano.

LIÇÕES:

1. Não é de hoje o conhecido choque entre a programação dos blocos e troças de Vitória de Santo Antão com o polo montado pelo Governo do Estado na Duque de Caxias. Falta uma articulação compenetrada entre a Prefeitura local junto com a Fundarpe e a Empetur no tocante a organização do Palco do Governo.
Incidentes desagradáveis como este seriam evitados se a produção do Palco alertasse aos artistas que o Polo Duque de Caxias é passagem dos atrativos do Município, além do que tanto a ABTV quanto a ACTV firmasse um pacto ético de como agir e se comportar diante da presença de artistas no palco. Ou seja, falta habilidade de ambas as partes;

2. É correto afirmar que o Carnaval da Vitória de Santo Antão é um carnaval de rua. Não temos tradição de carnaval de palco. Contudo, a bem do senso comum somos um carnaval multicultural, que procura ter espaço para todos os gostos e ritmos. O bom senso sinaliza que devemos abrigar bem os nossos visitantes. Agredir artistas renomados é assinar uma contrapropaganda que prejudica a cidade, como é o caso de Alceu, que estava sendo acompanhado por toda a MÍDIA DO ESTADO. Ou seja, é burrice remar contra a maré, sobretudo quando estamos perdendo espaço para Bezerros e agora Gravatá, que está investindo pesado no seu carnaval. Neste momento toda a imprensa de Pernambuco está divulgando que Alceu Valença foi desrespeitado em Vitória de Santo Antão. É ou não é burrice?

3. O Carnaval da Vitória de Santo Antão foi industrializado, pior… baianizado! Somos extremamente dependentes dos trios elétricos. E isso não é bom! O ideal é que sejamos fortes com orquestras e trios. Falando nisso, cadê os CARROS ALEGÓRICOS? É vergonhoso! Em números a lógica diz que devemos ter mais carros alegóricos do que trios elétricos. Os industriais do carnaval vitoriense não estão nem aí com o carnaval tradicional, isso é fato!
Não investir nesse diferencial é dá um tiro no pé no Carnaval da cidade;

4. Alceu Valença já foi desprezado pelos industriais do carnaval vitoriense. Todos sabem que ele é uma figura “caxias”. Lembram do show que ele fez no extinto Bloco Energia? Pois é, ele teve que ir embora por conta de um trio elétrico ter trancado a Av. Mariana Amália, impedindo a passagem do bloco. O empresário que industrializou o carnaval da cidade querendo se redimir trouxe Alceu no ano seguinte e destruiu o Bloco Energia. Qual é a lógica dessa indústria do Carnaval?

5. Há 17 anos Pierre puxa o Bloco Girafa. A Girafa se tornou um bloco baiano. Os empresários da Girafa passam o ano hibernando para cobrar uma fortuna do seu KIT e não oferece pelo menos uma Pitú Cola aos seus girafeiros. Tornou-se um bloco de status, como acontece em Salvador;

6. Alceu Valença é um artista renomado internacionalmente, não há o que se discutir isso. Pierre é um grande artista vitoriense, não há o que se discutir isso. E cá pra nós, Pierre precisa construir uma agenda positiva. Nos últimos anos têm se envolvido em escândalos (agenda negativa). Sendo que o incidente com Alceu Valença nesta terça-feira foi mais um escândalo que alguém saiu perdendo. O tempo irá mostrar quem perdeu… infelizmente a cidade vai pagar um preço alto por hoje.

por Lissandro Nascimento.

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