Ceclin
mar 18, 2009 0 Comentário


Deputados estaduais: 51% são contra aborto

Pesquisa do Instituto Maurício de Nassau traça perfil da Alepe

GILBERTO PRAZERES

O Instituto Maurício de Nassau apresentou, ontem, o resultado da pesquisa O perfil do parlamento estadual de Pernambuco, no Plenário da Assembleia Legislativa do Estado. A consulta, que tinha o objetivo de conhecer a opinião dos deputados sobre temas polêmicos, seus valores e posicionamentos políticos, apontou traços importantes que, muitas vezes, contribuem para determinar a atuação dos membros da Casa de Joaquim Nabuco.

Em algumas questões, a opinião dos parlamentares beiraram a unanimidade, entretanto, em outras, como no caso do aborto – que voltou a ganhar espaço na opinião pública com o recente episódio da menina de 9 anos que foi submetida ao processo por ter engravidado após ser estuprada pelo padrasto, no município de Alagoinha -, a preferência dos entrevistados se dividiu. Enquanto 51% se declararam totalmente contra, 30% disseram que sim, mas para alguns casos, e 11% entendem que a medida, independente das motivações, deveria ser considerada legal.
Outro ponto que divide a opinião dos parlamentares é a união homossexual. Enquanto 44,2 % deles se dizem contrários à oficialização do casamento civil gay, 14% dizem sim só para alguns casos, e mais de 20% preferem assinalar que não tem opinião formada sobre o assunto. Esta última opção colocou o assunto tratado pela pesquisa como o de maior adesão dos membros da ala dos que preferem ficar em cima do muro. Entretanto, com relação à pena de morte, a grande maioria dos deputados não titubeou em responder.

O grupo dos contrários contou com a adesão de 74%. Apenas 2,3% optaram por responder que acham a sentença uma medida aplicável, entretanto, 18,6% apostam que a medida pode ser aplicada em alguns casos.
Quando o assunto em questão foi o nepotismo, a maioria – 55,8% dos entrevistados – acompanhou a opinião pública condenando a prática. E 9,3% assinalaram que não vêm problema em empregar parentes. Contudo, 32,6% acreditam que, desde que seja realizada sem abuso, a prática deveria ser permitida.
Sobre a liberdade de Imprensa, 79,1% dos deputados são a favor de deixar os veículos de comunicação totalmente sem restrições. Por acreditar que o segmento necessitaria de algum tipo de órgão controlador, 9,3% dos parlamentares assinalaram que gostariam de ver a Imprensa parcialmente controlada pelo Estado. E 2,3% prefeririam ver o controle total do Poder Público sobre a Imprensa.
Em um dos pontos mais curiosos da pesquisa, o que perguntava em qual instituição brasileira os parlamentares mais confiam, as respostas surpreenderam. Porém não pela liderança, que ficou a cargo da Polícia Federal, dona da preferência de 7 deputados, mas sim pelo número de votos obtidos pelo próprio Poder Legislativo. Apenas um único parlamentar assinalou a instituição que compõe como a que merece mais confiança.

Os entrevistadores que aplicaram a pesquisa, realizada entre os dias 3 e 13 de fevereiro deste ano, ouviram 43 dos 49 deputados que compõem a Assembleia Legislativa. Os seis parlamentares não puderam atender a consulta por estarem em licença médica.
(Folha de Pernambuco e Jornal do Commercio).