Ceclin
out 02, 2020 0 Comentário


Moradora de Pombos, pianista de 14 anos sonha em conquistar plateias pelo Mundo

Raquel Souza toca piano no quarto da casa onde mora, em Pombos — Foto: Reprodução/TV Globo

Antes da pandemia da Covid-19, Raquel Souza percorria os 60 quilômetros entre as duas cidades para ter aulas no Conservatório Pernambucano de Música até três vezes por semana.

Por Meiry Lanunce, TV Globo

Uma estudante de 14 anos encontrou nas notas do piano uma esperança para mudar a vida de sua família, a 60 quilômetros do Recife, no Sítio Água Azul, localizado na zona rural de Pombos, no Agreste de Pernambuco.

Raquel Souza se apaixonou pelo piano ao assistir a uma apresentação em uma formatura. “Eu fiquei superanimada vendo o pessoal tocar… Pensei: ‘nossa, eu quero aprender esse instrumento’. É muito legal, o som e como toca”, afirmou.

Foi a professora Angélica Arruda que ajudou Raquel a realizar o sonho de tocar piano. “Eu via que ela tinha um desenvolvimento melhor do que os outros alunos e via que Raquel era uma menina que fazia um esforço enorme, era uma dedicação muito grande para ter esse ensino de piano erudito. […] Esse esforço dela fez com que eu corresse atrás de um piano para ela”, declarou a professora.

Raquel conheceu a professora durante as aulas do Conservatório Pernambucano de Música, no bairro de Santo Amaro, na área central do Recife. Raquel conseguiu a vaga após Sulamita Souza, irmã dela, incentivar a jovem a seguir o sonho da música. “Quando abriram as inscrições, eu fui, inscrevi Raquel, coloquei o CPF da minha mãe e fiquei no aguardo”, disse.

Quando Raquel foi aprovada, a festa em casa foi grande, mas a preocupação em como a família iria conseguir manter os custos do deslocamento e alimentação também. “Chegou dia de eu abrir o armário e não ter nada… Eu disse: meu Deus, como é que vai ser? E as aulas das meninas? Mas elas vão!”, falou Rosilene Carmelita, mãe das meninas.

A rotina cansativa para percorrer, de duas a três vezes por semana, o trajeto de casa até o Conservatório não desanimou a família. “Começaram as aulas e, no momento, a gente passava por dificuldade financeira. Eu disse: ‘não tem problema, mainha, Raquel vai do mesmo jeito que eu, vai levar comida de casa, e a gente tem o ônibus da prefeitura”, contou Sulamita.

No período em que as aulas presenciais aconteciam, antes da pandemia da Covid-19, mãe e irmãs levantavam às 3 h para se arrumar e preparar o almoço. Às 4h30, era hora de partir no ônibus da prefeitura. “Eu quero melhorar a vida da minha família, quero ajudar. Às vezes, eu vejo as dificuldades e queria ter dinheiro suficiente pra poder ajudar minha mãe, meu padrasto, minha irmã”, declarou Raquel.

O sonho da pianista é entrar em uma orquestra e seguir a carreira musical. Se depender do apoio da família, a jovem ainda vai longe. “Fico muito feliz em vê-la tocando. É uma alegria muito grande para mim”, disse Rosilene.