• Ceclin
nov 14, 2019 0 Comentário


De janeiro a setembro Pernambuco registrou 2,1 mil ocorrências de Suicídios

ANÁLISE – Encontro de Frente Parlamentar teve participação do gerente de Atenção à Saúde Mental do Estado, João Marcelo Costa, e da médica Rackel Eleutério, do Imip. Foto: Giovanni Costa

ANÁLISE – Encontro de Frente Parlamentar teve participação do gerente de Atenção à Saúde Mental do Estado, João Marcelo Costa, e da médica Rackel Eleutério, do Imip. Foto: Giovanni Costa/Alepe

Pernambuco registrou 1,9 mil notificações de tentativas de suicídio em 2018 e já alcança 2,1 mil ocorrências do tipo entre os meses de janeiro e setembro deste ano. Os dados foram apresentados na primeira reunião da Frente Parlamentar de Combate à Automutilação e ao Suicídio da Alepe, realizada na quarta (13/11). No encontro, representantes da Secretaria Estadual de Saúde apresentaram ações para acolhimento dos pacientes e prevenção de novos casos.

O gerente de Atenção à Saúde Mental do Estado, João Marcelo Costa, citou a obrigatoriedade de notificação das tentativas em até 24 horas, a qualificação dos profissionais e a elaboração de cartilha com orientações para pessoas em situação de violência, mais vulneráveis ao suicídio. Ele defendeu, ainda, a necessidade de atendimento intersetorial e ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). “Quanto mais Caps 24 horas, maior a capacidade de atender àquelas demandas complexas de saúde mental dentro do próprio território, sem precisar fazer com que sejam gerenciadas para o Hospital Ulysses Pernambucano, na Capital”, explicou.

Em 2017, 438 pessoas tiraram a própria vida no Estado, um aumento de 31% em comparação aos dados de 2013. A médica do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) Rackel Eleutério, que é especialista em psiquiatria da infância e adolescência, ressaltou a gravidade da situação entre a faixa etária de 15 a 29 anos, em que o suicídio é a segunda maior causa de morte, ficando atrás apenas de acidentes.

A profissional de saúde destacou os principais sinais de alerta a serem observados pela família e amigos. “A pessoa começa a ficar mais isolada, mais retraída, reduz o uso da rede social real – não da virtual – e a quantidade de amigos. Também notamos irritabilidade, mudança no padrão de sono e de alimentação, falas relativas a desejo de não estar mais aqui, desejo de sumir, às vezes de morrer”, salientou Rackel Eleutério.

O deputado Delegado Erick Lessa (PP) afirmou que não se pode pensar políticas públicas de saúde sem tratar de temas como automutilação e suicídio. Priscila Krause (DEM) ressaltou a importância da participação da sociedade civil para a proposição de ações efetivas. Já Teresa Leitão (PT) lamentou medidas recentes do Governo Federal que podem prejudicar o atendimento na saúde pública brasileira.

Coordenador dos trabalhos, o deputado Diogo Moraes (PSB) explicou que a ideia é criar, ao fim das atividades, um novo Plano Estadual de Prevenção. “A dinâmica será escutar todos os entes governamentais que fazem parte do processo de combate à automutilação e suicídio. São sete secretarias correlatas. Nós iremos extrair o que elas estão fazendo, fizeram e pretendem fazer diante dessa pandemia que está acontecendo não só no Brasil, mas no mundo”, pontuou.

A próxima reunião do colegiado está marcada para o dia 26 de novembro, com representantes da Secretaria Estadual de Educação.