Ceclin
dez 22, 2008 0 Comentário


Cursos técnicos ganham novo gás em Pernambuco

Publicado em 21.12.2008

Margarida Azevedo

Morador de Ribeirão, na Zona da Mata pernambucana, o estudante Willkens David, 18 anos, está no segundo ano do curso técnico de agropecuária. Aluno da Escola Agrotécnica de Vitória, localizada na mesma região de sua cidade natal, David só se forma no final de 2009. Mas já está animado com a possibilidade de fazer o curso superior na mesma escola. A novidade será possível graças à criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Lei que cria as novas entidades será sancionada na próxima semana pelo presidente Lula. Em todo o País, os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) e as escolas técnicas e agrotécnicas deixarão de existir. Serão transformados em uma só instituição, com status de universidade. Além de aumentar a quantidade de vagas, as novas instituições poderão oferecer ensino superior, como deseja David.
O Cefet Pernambuco, que tem unidades no Recife, Ipojuca (Grande Recife) e Pesqueira (Agreste) se juntará às escolas agrotécnicas de Vitória, Barreiros (Zona da Mata) e Belo Jardim (Agreste). Três novos câmpus serão construídos, ano que vem, em Caruaru e Garanhuns (Agreste) e Afogados da Ingazeira (Sertão). “Ao todo teremos nove câmpus. Esperamos, em 2010, atender cerca de 10 mil alunos. A rearrumação da rede vai acabar com a sobreposição de cursos”, destaca o futuro reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco, Sérgio Gaudêncio. “As escolas agrotécnicas continuarão com autonomia e com seus diretores. A diferença é que teremos planejamento pedagógico comum”, observa Gaudêncio.
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano será o atual Cefet Petrolina. Às duas unidades de Petrolina e Floresta serão acrescentadas mais duas escolas, em Salgueiro e Ouricuri, previstas para ficar prontas no segundo semestre de 2009. “Teremos também um Centro Vocacional Tecnológico, em Itacuruba, numa parceria com a Universidade Federal Rural (UFRPE) e o Itep”, explica o futuro reitor Rildo Fernandes Diniz.
Antes de definir os novos cursos que os institutos vão oferecer, foram realizadas audiências públicas nos municípios para identificar as necessidades da região. “Os cursos estão em sintonia com os arranjos produtivos locais. Em Itacuruba, por exemplo, a piscicultura é forte, por isso haverá um curso técnico para formar mão de obra nessa área”, ressalta Rildo. Uma exigência do Ministério da Educação (MEC) é de que pelo menos 20% das vagas dos institutos sejam para licenciaturas. Outros 50% devem ser de cursos técnicos. Vagas em cursos de engenharia também devem ser priorizadas.
Inicialmente receosos com as mudanças, os alunos das escolas agrotécnicas estão animados com a criação dos institutos. “Acho que vai ser bom pois a promessa é de que nossa escola continuará com os cursos voltados para a agricultura e terá ensino superior, com a mesma qualidade de hoje”, afirma David, que é vice-presidente do grêmio estudantil. A agrotécnica de Vitória tem atualmente 750 alunos e oferece os cursos de agropecuária, agroindústria, agricultura e zootecnia. “Vamos lutar para preservar nossa identidade”, diz a coordenadora geral de ensino, Carla Eugênia Nóbrega.
No Cefet Recife, a expectativa também é boa. “Se vai ter mais cursos, mais professores e mais laboratórios, isso é bom”, comenta o estudante Marcos Antônio Melo, 16, aluno do primeiro período do técnico de saneamento ambiental. O professor Geraldo José Andrade, que leciona na escola há uma década e meia, espera que haja mais investimentos em equipamentos. “Antes havia uma máquina para cada aluno. Agora é uma para dois estudantes. Ainda assim continuamos oferecendo boa formação profissional”, observa Geraldo, que leciona a disciplina de tornearia no curso de mecânica.
(Jornal do Commercio).