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mar 23, 2021 0 Comentário


Crise vira oportunidade para vitorienses em tempos de pandemia

Por Iris Costa, do Diario de Pernambuco

Perdas, desaceleração, isolamento social. A pandemia da Covid-19 completou um ano. Desde março do ano passado, empresas e empreendedores se desdobram para superar as adversidades. Muitas fecharam. Somente no terceiro quadrimestre de 2020, segundo o Ministério da Economia, 11.655 tiveram esse destino em Pernambuco. Outras custosamente se equilibram para não quebrar, mas parte do mercado encontrou, em determinadas lacunas abertas pela nova realidade, o espaço perfeito para prosperar.

O personal chef Bruno Lins está no grupo que conseguiu encontrar seu lugar ao sol. Bruno tinha idealizado um modelo de negócio e resolveu pôr em prática no momento em que bares e restaurantes fecharam junto com o comércio por conta das medidas de restrição. O serviço do profissional consiste em visitar a casa dos clientes, montar e cozinhar um cardápio para vários dias de acordo com o gosto individual de cada um.

Negócio de Bruno Lins ganhou força na quarentena (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu tinha um desenho do meu negócio e ele ganhou força na quarentena. Inicialmente o serviço surgiu da necessidade de alguns amigos. Conforme fui cozinhando para eles, percebi que poderia fazer para outras pessoas. Em cada trabalho eu alinho os gostos e preferências do cliente e em cima disso crio um cardápio. Com o cardápio definido, o cliente faz as compras e eu vou cozinhar na casa dele, no dia agendado”, comenta.

Bruno também trabalha com alternativas para facilitar a vida do cliente, desde a compra dos ingredientes até a lavagem de toda a louça suja durante o processo. “Geralmente eu trabalho com um auxiliar que fica responsável pela limpeza dos utensílios e ambiente de trabalho”, disse. No tocante ao aporte, Bruno diz que o investimento inicial foi zero. Começou apenas com a própria mão de obra. Hoje trabalha via Instagram, Google Meu Negócio e Facebook. “Atualmente tenho meu auxiliar e venho investindo em vídeos e fotos, para dar um tom mais profissional aos meus posts e conseguir, assim, fechar mais contratos. Fora isso, tenho o pessoal que me ajuda com as redes”.

Com arrefecimento da pandemia, no quarto quadrimestre de 2020, Pernambuco viu o número de pessoas como Bruno se ampliar, sendo abertas no período 36.016 novas empresas, um avanço de 7,9% em relação ao mesmo período de 2019.

Crescimento aconteceu no interior

A cirurgiã-dentista Edjany Sá também encontrou na pandemia sua janela de mercado. Após colocar em prática o aprendizado de um curso sobre toxina botulínica e preenchimento para dentistas, foi ganhando espaço no mercado. “Comecei trabalhando no meu consultório com a estética facial aos poucos e fui ganhando mercado”, contou.

Faturamento de Edjany mudou com ida para Vitória (Foto: Arquivo Pessoal)

Primeiro, tocou o projeto em sociedade. Depois, sozinha. Conquistou alunos e, quando tudo parecia que ia deslanchar, veio a pandemia. A empresária arregaçou as mangas, transferiu o negócio do Recife para Vitória de Santo Antão, na Mata Sul do Estado, tendo que cortar custos com aluguel, e em 15 dias montou sua nova sala de aula.

No fim de 2020, Edjany comemorou o seu maior faturamento e um crescimento de 100% da empresa. Consolidada no segmento, a empreendedora investiu R$ 70 mil e agora aposta em novos cursos voltados para o meio empresarial. “O que fez meu negócio se diferenciar na pandemia, foi não parar. Fiz ações nas redes sociais, listas de transmissão, fiz ligações e enviei mensagens, tudo para ser lembrada. Reformei a sala de aula, deixando-a mais confortável”, disse. O número de pacientes atendidos nos cursos triplicaram.

Dos grandes eventos ao sucesso das tortas

Nem todo mundo conseguiu manter o mesmo tipo de serviço por conta da pandemia, mas, diante das dificuldades, não se intimidou. Reinventou-se. Abriu novas linhas de prestação de serviços. É o caso da empresária Camila Arruda, há cinco anos no mercado com o Camila Arruda Buffet. O esfriamento no setor de festas e comemorações fez com que recalculasse a rota dos negócios. “Com a pandemia, tivemos todos os eventos interrompidos. Alguns clientes aguardaram a liberação para fazer festas menores, mas muitos me procuraram para fazer pequenas comemorações em casa. O modelo de buffet que eu tinha não era pensado para esse tipo de comemoração. A estrutura montada para poucos convidados resultava em um valor alto por pessoa, então a demanda de festas caiu. Enquanto isso, foquei nos restaurantes que mantenho e atendi festas pontuais”, explica.

A ideia de investir no delivery de tortas e doces surgiu no final de 2020 por conta de pedidos dos clientes antigos. “Decidi fazer algo para atender às encomendas de kit festa para comemorações e pequenas reuniões caseiras, como uma maneira de levar o sabor do buffet para os clientes que não estão podendo fazer festas”, disse. Daí, surgiu a Vai Di Doce. Além de suprir a demanda dos clientes, Camila viu na nova marca a oportunidade de redirecionar os funcionários. O comercial do buffet agora cuida do WhatsApp e Instagram da marca que já acumula pedidos. A empresária espera que o aporte inicial de R$ 30 mil investidos sejam recuperados nos primeiros seis meses de atividade.