Ceclin
jan 17, 2009 4 Comentários


Crise pode colocar o Brasil no caminho do crescimento pela industrialização


Da coluna Economia do Diario.com

O ex-secretário especial do Ministério da Fazenda e professor da Fundação Getulio Vargas, Yoshiaki Nakano, disse ontem (16) que a crise mundial pode ser uma grande oportunidade para o Brasil. Durante a palestra de encerramento do Programa Avançado Latino-Americano para o Repensamento do Macrodesenvolvimento Econômico (Laporde, na sigla em inglês), em São Paulo, Nakano afirmou que a queda da liquidez global pode forçar o país a tomar medidas pró-industrialização – o que seria benéfico para o desenvolvimento brasileiro.

“A crise pode ser a oportunidade do país voltar a crescer”, disse, comparando as taxas de crescimento apresentadas desde 1994 com o crescimento nas décadas de 60 e 70.
Segundo Nakano, o Brasil, de certa forma, se acomodou com o aumento do dinheiro em circulação verificado a partir dos anos 90 e tomou medidas que, segundo ele, acabaram por desindustrializar o país. Entre elas, a redução da cotação do dólar frente ao real, que tornou a indústria nacional não-competitiva, e aumentou sua taxa de juros, para atrair capital estrangeiro. Por causa disso, de acordo com o economista, o Brasil deixou de um dos países mais industrializados do mundo para um mero exportador de commodities.
Para Nakano, a crise vai eliminar grande parte do dinheiro circulante e derrubar o preço das commodities. Assim, o Brasil não receberá mais tantos investimentos estrangeiros e não lucrará tanto com as atividades que desempenha hoje. “O país será pressionado a baixar juros, deixar o dólar subir, e incentivar o desenvolvimento da indústria”, afirmou.
De acordo com ele, o caminho a ser traçado pelo Brasil será o mesmo já percorrido por países asiáticos que hoje têm taxas de crescimento muito maiores que as brasileiras. A diferença, disse Nakano, é que esses países já tomaram essas medidas há algum tempo, e fizeram isso por decisões políticas e não por causa da crise.

O economista disse ainda que a crise atual deve ser longa e tirará do mercado “algumas centenas de trilhões de dólares”, dinheiro atualmente aplicado em títulos e derivativos.

Ao final do Laporde, o ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser-Pereira, convocou os economistas que estiveram reunidos na FGV durante os cinco dias do evento a criar uma rede de estudos sobre a macroeconomia e o desenvolvimento da América Latina. Bresser-Pereira sugeriu a criação de uma associação de economistas latinos para a difusão de idéias para o bom funcionamento das economias do bloco.
Este foi o primeiro Laporde realizado no Brasil. O evento faz parte do calendário oficial da Universidade de Cambridge e, a partir de agora, deve ser promovido anualmente.
(Da Agência Brasil)