• Ceclin
dez 07, 2008 4 Comentários


Creches e Abrigos vitorienses tiveram vez na VOZ DA VITORIA

Preocupado em saber como anda a prestação voluntária dos serviços da Assistência Social em Vitória de Santo Antão, o Programa A VOZ DA VITORIA, pela Rádio Tabocas FM (98.5), promoveu a Mesa Redonda nesta sexta-feira (05) no início da tarde, para identificar o universo de seres humanos que dependem dos trabalhos desenvolvidos pelos abrigos, creches, associações e ONG’s. Sua história, seus serviços, suas dificuldades e carências, bem como termos a oportunidade de conhecer o que realmente acontece dentro destas instituições.
Houve a participação de Júlio Severino – representante da Associação Maria Amélia (AMA) que faz um trabalho social com adolescentes e jovens dependentes químicos. Da tradicional Casa dos Pobres, que cuida de idosos, representado pela Irmã Rosa Mª Vieira. Ainda a participação de Tony Lima – representando a ONG Instituto Vitória Humana (antiga creche de D.Nininha). Da Sra. Socorro, uma das diretoras do Lar Espírita São Francisco de Assis, localizada no Alto do Reservatório que abriga idosos. E conhecemos também um pouco da história da Creche da Tia Zuleide.

Para Júlio, apesar do avançado estágio que estes dependentes chegam à AMA, “o trabalho é gratificante pois possibilitamos um aprendizado de vida, estes jovens tem a chance de ter sua volta permitida no seio de sua família”, ressaltou. Apesar de o preconceito que ainda permeia sobre os dependentes químicos, ele lembra que se acentua entre os próprios membros da família, que não conseguem garantir sozinhos a libertação desta dependência.

A AMA fica localizada em uma Chácara em Ladeira de Pedra na altura do bairro de Lídia Queiroz. Há seis permanentes e 110 encaminhados pela justiça que usam os serviços de tratamento que a instituição dispõe. A sede só foi possível tê-la porque o Ministério Público local intermediou a negociação com a Prefeitura da Vitória anos atrás. No entanto, tem dificuldades de caixa para manter a demanda, sobrevivendo dos parcos recursos destinados pela Prefeitura, que acaba sendo amenizada com a doação de terceiros.

CASA DOS POBRES

A instituição tem 73 anos, fundada em 1935 por Monsenhor Américo Pitta e Dr. Mário Castro. É administrada pelas “irmãs servas da Caridade” há 60 anos. Lá existem 21 idosos, sendo 10 mulheres e 11 homens. Há doze voluntários que prestam serviços de assistência social. Basicamente vive financeiramente da ajuda esporádica de campanhas e a doação de terceiros, ainda do Governo Federal e o aluguel de algumas casas de aluguel pertencentes à Casa dos Pobres.

Sua maior carência em donativos são açúcar, arroz, feijão, bolacha doce, material de limpeza e fraldas descartáveis. A Casa desenvolve atividades lúdicas com o pessoal da terceira idade, lá existe um Grupo de Pastoril (18) e grupos que se organizam em datas festivas. Eles são acompanhados por psicólogos, nutricionista e médico.

Antiga Creche de Dona Nininha

A Creche de D. Nininha já existe em Vitória há 30 anos. Hoje ela está com 34 crianças/adolescente e alguns já adultos. Ela sempre recebeu ajuda financeira de pessoas e de empresas durante todo esse tempo. Desenvolve atividades lúdicas com as crianças e há um artista que pinta bonitos quadros, provando que há talentos escondidos alí.

Há mais ou menos oito anos um grupo de funcionários da Polícia Federal de Recife vem ajudando D. Nininha com recursos econômicos. Devido as crianças não terem nenhuma perspectiva de vida, o grupo se aproximou e começaram a discutir o que fazer para institucionalizar, porque desse modo, a creche faria parte da rede de instituições que trabalham com crianças e adolescentes do Município, onde poderia conseguir recursos direcionados a esse fim.

Eles queriam apenas apoiar, porque é muito difícil já que o grupo mora em Recife e se responsabilizar por uma instituição dessas requer muita atenção.

Tentaram encontrar uma pessoa em Vitória (uma das moças que ela criou, por exemplo) para assumir, mas ninguém tinha desejo nem habilidades para tal. Nesse ínterim, a Promotora chamou D. Nininha e disse que se a creche não fosse institucionalizada, ela solicitaria fechamento ao Juiz da Vara da Criança porque estava atuando ilegalmente. Como ela ficou sem saber o que fazer, o pessoal resolveu assumir. Fizeram um Estatuto, tiraram o CNPJ e foram à luta.

Desde 27/12/2007 que deixou de ser creche e passou a ser a ONG Instituto Vitória Humana. São 15 pessoas. A psicóloga Maria Durce, aposentada da Caixa; Antonio Lima é contador e aposentado da Policia Federal (PF); Rosane Lima é psicóloga e funcionária da PF; Eduardo Figueiredo é advogado e Delegado da PF; Tony Lima é psicólogo, Antropólogo, professor Universitário e é Membro da Comissão de Direitos Humanos do Estado;Patrícia Ismael é psicóloga e funcionária da Sec. de Saúde do Estado e do Município de Recife; Saulo Cabral é Doutor em Odontologia e professor Universitário; Adriana Tenório é Comunicadora; Andréa Tenório é Advogada e funcionária da PF; Marcelus Freire é psicólogo, advogado e funcionário do INCRA; Marcela Vieira é estudante de Medicina; Patrícia Neves é psicóloga e trabalha com RH; Jonas Soares é advogado e reside em Vitória; Fernando Ribeiro é advogado, trabalha no Fórum de Vitória e Marcelo Damásio é Internacionalista e trabalha numa Empresa de Exportação em Recife.

Eles dispõem de uma parceria com uma Instituição do Canadá onde já conseguiram aprovar um projeto para a construção de uma cozinha, um refeitório, uma área de serviços e dois banheiros, cada um com três boxes, com bacia sanitária e chuveiros. Eram 39 pessoas na casa e só havia 02 banheiros, inclusive, um sem porta. Não havia refeitório, as crianças faziam suas refeições sentadas no chão; a cozinha só cabia o fogão e na dispensa os alimentos eram guardados expostos a animais nocivos e misturados a materiais de limpeza.

Quando terminaram essa parte da construção, foi realçado mais ainda a precariedade dos outros cômodos da casa. Os quartos eram úmidos, paredes descascadas e úmidas, piso completamente rachados; instalações elétricas horríveis que vulnerabilizavam as crianças; cisterna de água potável contaminada pela água do esgoto. Pois bem, resolveram bancar a reforma do resto da casa. Nessa parte o grupo não tinha projeto aprovado por nenhuma Instituição. Estão fazendo com recursos doados por pessoas e com recursos que conseguem fazendo eventos, como por exemplo, uma Feijoada no sábado (dia 06/12) no Clube da Piscina do Leão – no Maués.

Paralelo a essa obra, eles tem trabalhado junto ao Conselho Tutelar, junto ao Conselho de Direitos (COMDICA); ao Ministério Público; ao Juiz da Vara da Criança/adolescente; fazem um trabalho de emancipação com as pessoas adultas da casa, aquelas que D. Nininha criou; precisam de apoio nas ações da área de aprendizagem, enfim, é muita coisa para ser feita e eles pretendem acessar os direitos dessas crianças junto ao Município de Vitória e junto a sociedade, porque isso é responsabilidade social e todos nós somos convocados a fazer a nossa parte.

Lar Espírita São Francisco de Assis

Fundada no dia 30 de setembro de 1985, o Lar dispõe de médico, nutricionista e psicólogo, composto por seis voluntários. Há neste abrigo 42 idosos. Dirigidos por sua diretoria composta pela senhora Socorro Pinheiro, Lúcia Beltrão, Alzinete de Deus e Melo, Benedito José Batista, Edicleide Guerra e Marta Espósito.

O Lar recebe visitas diariamente das 14:00 h. às 16:00 h. Os interessados em colaborar pode adotar um idoso com medicamento pelo fone: 81.3526.0821.

Fica localizado no Alto do Reservatório. Haverá uma comemoração dentro das festividades natalina para os idosos, no dia 18 de dezembro – às 15:00 horas.

Creche da Tia Zuleide

Com 56 crianças e adolescentes, o Lar de Tia Zuleide fica em Santana – após Água Branca, periferia da Vitória de Sto. Antão em uma Chácara doada pelo italiano Roberto Guerra. Porém, este bom ambiente não era assim, quando a Sra. Zuleide decidiu dedicar a sua vida a cuidar de crianças abandonadas.
Ela começou em uma casa simples na Rua da Lama, bairro do Lídia Queiroz. Onde sofria enormes dificuldades de instalações e carência de material.

Atualmente dispõem de camas e colchões novos, dormitórios divididos para meninos e meninas, tem ainda o refeitório, escolinha e área de lazer. Desenvolve atividades lúdicas, com pinturas, artes e dança.
A Fundação Lar Infantil Tia Zuleide (FLITZ), depende dos amigos da Itália, doação de terceiros deixados por herança e ainda fica no aguardo de outras doações de pessoas que lá chegam de modo individual e voluntário.
Há inclusive, uma adolescente de 14 anos, que acaba de gravar um CD, simples ainda, de forró. A revelação talentosa chama-se Naierry Sllaninne – “A loirinha do Forró”, que desenvolve sua atividade musical através do incentivo que o Lar lhe oferece. Com a Banda FLITZ ela tem agendado vários shows em atividades festivas na região. A instituição é legalizada e tem o acompanhamento do Ministério Público e do Conselho Tutelar.

Foi gratificante para toda a Equipe produzir esta reportagem. A vontade em levar ao conhecimento de toda a sociedade o trabalho desenvolvido por estes “guerreiros e guerreiras” só faz aumentar a nossa responsabilidade em contribuir e pedir atenção de todos e sobretudo do poder público.
Apresentação: Lissandro Nascimento.

Produção: Jáder Siqueira.

Técnica: Felipe França.

Equipe: Gilberto Júnior, Genilda Alves, Orlando Leite, Berg Araújo, Régis Souza.

Colaboração especial: Jonatha Cabral.