• Ceclin
abr 06, 2009 0 Comentário


Copergás ganha mesmo com a térmica parada

Publicado em 05.04.2009

Gás que não chega para a Termope gera receita para estatal

Giovanni Sandes

A Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) alcançou um lucro líquido de R$ 50,87 milhões, no ano passado. Mas um dado curioso é que parte da receita bruta carimbada na cifra “distribuição de gás canalizado e outras”, que bateu R$ 413 milhões em 2008, vem justamente da não entrega do produto ao que seria seu principal cliente, a Termopernambuco (Termope).
A Copergás levou R$ 19,6 milhões com o “gás fantasma”, faturado mas não
entregue à Termope. No ano anterior, 2007, esse número foi de R$ 18,9 milhões.
A responsabilidade por não haver gás disponível para geração de energia pela termelétrica, pertencente ao Grupo Neoenergia (mesmo controlador da Celpe), é da Petrobras, que repassa todo o combustível fóssil consumido no Estado.
A falta de produção da térmica é uma das principais críticas ao custo da energia elétrica consumida pelos pernambucanos, distribuída pela Celpe. É que, embora sejam duas empresas do mesmo grupo, a Termope tem um contrato para fornecer energia à Celpe e, como não dispõe de gás para produção, compra e repassa, não sem antes garantir sua margem de lucro, a energia produzida em outros locais.
A Termope é um cliente tão grande da Copergás que há um contrato exclusivo entre as duas e a Petrobras. O contrato prevê punição em caso de não cumprimento dos termos por qualquer dos lados.
Como a Petrobras não consegue entregar os 2,12 milhões de metros cúbicos (m³) diários de gás prometidos até 2024 à Copergás e à termelétrica, é obrigada a pagar à distribuidora estadual de gás o valor equivalente de tabela, da estatal pernambucana. Ou seja, à medida que o gás vai deixando de ser entregue, a Petrobras compensa a distribuidora de gás pelo preço de venda, como se a companhia pernambucana de fato tivesse entregue o produto.
O volume de gás prometido e não entregue à Copergás e, consequentemente, à termelétrica, quase o dobro da média do produto consumida por 78 indústrias, 68 postos de combustíveis, 26 residenciais, 17 clientes comerciais e duas empresas de gás natural comprimido, além de dois contratos de cooperação técnica com a distribuidora. Todos eles utilizaram uma média de 1,1 milhão de metros cúbicos por dia de gás, ano passado.
Os sócios da Copergás são o governo do Estado, a Petrobras e a japonesa Mitsui. (Jornal do Commercio).

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