Ceclin
out 07, 2008 0 Comentário


Confusão em Vitória por causa da eleição

AUSÔNIO SILVEIRA
A ressaca das eleições causou transtornos, revolta e quebra-quebra em Vitória de Santo Antão. Após a derrota do atual prefeito Demétrios Lisboa, o Dedé (PSB), para o candidato do DEM, deputado Elias Lira, o Município viveu, ontem, um dia de caos. A confusão foi instauranda a partir das informações não confirmadas de que 26 secções não entregaram o Boletim de Urnas e cerca de 37 urnas haviam desaparecido. O fato gerou a revolta e cerca de 30 mil populares saíram às ruas para protestar. A oposição venceu a eleição no Município por uma diferença de 232 votos – Elias teve 35.190 (49,39%) e Dedé, 34.958 (49,06%).
O boato teria sido veiculado por volta das 19h do domingo, em três rádios locais ligadas a grupos políticos. Inclusive, horas antes de o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) divulgar o resultado oficial da eleição, uma das emissoras já havia confirmado a vitória do democrata. A confusão foi ainda maior em frente à Comarca Eleitoral de Vitória, onde o juiz responsável, Uraquitan José dos Santos, acabou acuado pelo protesto e precisou da presença do corregedor do TRE, Silvio Romero, para acalmar a população.
Na tentativa de esclarecer que a versão era mentirosa, os dois seguiram até o estacionamento da comarca e convidaram 12 populares. No momento em que o corregedor explicava o que realmente aconteceu e entregava os documentos do TRE, declarando que a eleição no Município ocorreu sem qualquer tipo de irregularidades, o quebra-quebra teve início nas ruas.
Pedras foram atiradas contra a sala onde acontecia a reunião e várias janelas de vidro foram quebradas. Policiais civis e militares do Batalhão de Choque foram acionados para dispersar os populares, utilizando bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha. O confronto entre polícia e a população não parou, a cidade ficou sitiada e até o momento que a reportagem permaneceu por lá, os PMs ainda estavam rondando as ruas ao redor do Fórum. (Folha de Pernambuco).
Juiz critica boatos espalhados na cidade

Ao chegar ao Fórum, com a intenção de esclarecer o mal-entendido, o juiz-corregedor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Silvio Romero, não poupou críticas aos boatos que as três rádios teriam espalhado. “Por haver uma diferença pequena, os candidatos implantaram a mentira de que 37 urnas não tiveram os votos computados. Mas não houve nenhuma irregularidade, todos os votos foram registrados e o resultado do TRE saiu por volta das 21h, e não às 18h30, como as rádios chegaram a noticiar”, comentou o juiz. Ele também explicou que uma das principais dúvidas da população está relacionada às seções que estavam com urnas agregadas. “Não podemos usar uma sala de um colégio para que somente seis eleitores possam votar. Por isso, agregamos essas urnas a outra seções que possuem cerca de 300 votantes”, ressaltou Silvio.
Vitória possui cerca de 90 mil eleitores e, nestas eleições municipais, a Justiça Eleitoral utilizou 270 urnas divididas em 287 seções. O candidato a vice da chapa de Dedé, Edvaldo Bione (PSB), a pedido do juiz Uraquitan, tentou acalmar os ânimos e a revolta da população, mas, ao reunir algumas pessoas e começar a discursar, alguns populares jogaram pedras no Batalhão do Choque que avançou. “Fui conversar, mas acabei sendo agredido”, destacou Bione.
Sobre a denúncia de que seria sua coligação e os militantes de seu partido que estavam incitando a população a se rebelar contra a Justiça Eleitoral, o candidato a vice afirmou que não será com violência que o problema se resolverá. “Não sei o que pode nos esperar, mas o povo quer uma explicação. Então, enquanto tudo não ficar esclarecido, fica difícil saber o que irá acontecer amanhã”, ponderou o socialista. (Folha de Pernambuco).