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mai 28, 2019 0 Comentário


Concessão de títulos virou prática recorrente na Câmara de Vitória

Vereador Marcos da Prestação, sem citar nomes, fez duras críticas a quem discorda do título ao Dr. Lamartine Júnior. Foto: Arquivo/A Voz da Vitória

Vereador Marcos da Prestação, sem citar nomes, fez duras críticas a quem discorda do título ao Dr. Lamartine Júnior. Foto: Arquivo/A Voz da Vitória

Essas concessões devem vir como reconhecimento público a alguém que julgamos suas ações imprescindíveis ao bem-estar da comunidade local, porém não é o que vemos.

Por Lissandro Nascimento

Comendas, títulos de cidadão, votos de aplauso e de pesar são recorrentes na vida do Poder Legislativo de qualquer lugar, porém esses decretos vêm se tornando prática comum e denota de pouca relevância para a Câmara de Vereadores da Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata pernambucana. Esses instrumentos legislativos devem se pautar pela impessoalidade pública, valor moral, meritocracia e reconhecimento público a alguém que julgamos suas ações imprescindíveis ao bem-estar da comunidade local.

Durante a décima terceira sessão ordinária da sexta-feira (24/5), ocorreu o pronunciamento na Tribuna da Casa Diogo de Braga do vereador Marcos da Prestação (PV), o qual fez mais uma vez a defesa da concessão do Título Honorífico de Cidadão Vitoriense ao psiquiatra Lamartine Holanda Júnior, suspeito de participar de sessões de tortura durante o regime militar (1964-1985), título aprovado no último dia 17 de maio. O parlamentar, sem citar nomes, fez duras críticas, em especial, a publicação no A Voz da Vitória da matéria “Câmara de Vitória aprova título de cidadão a suspeito de torturas”.

“Não defendo ditadura e nem tortura. Quero dizer aqueles que denigrem que,  quem tem de prestar esclarecimentos são as pessoas que acusam Dr. Lamartine Júnior sem qualquer prova documental”, desafiou Marcos da Prestação, o qual por sinal é registrado civilmente com o nome de José Antonio da Rocha (Oxente!!! O Marcos veio de onde?).

José Antonio da Rocha e ou “Marcos” foi eleito pela primeira vez em 2016 desvinculado dos dois principais polos da oligarquia política local, porém assim que assumiu o mandato desmereceu o seu partido e não titubeou em trocar sua independência política; foi para os braços do atual prefeito, tradicional representante oligárquico. Indignado, “Marcos” discursou de que não cabe a ele justificar nada, pois os serviços sociais que ele e alguns vereadores prestam ao povo de Vitória já se justificam. O edil esquece-se de dizer que o político, como pessoa pública, tem obrigação sim de se justificar a sociedade de todos os seus atos praticados, até em razão de que são bem pagos para isso.

“Marcos” da Prestação disse na Tribuna que quer saber onde estava a imprensa vitoriense diante das “coisas absurdas ocorridas na legislatura passada”. Sugiro, antes de perguntar a imprensa, que o mesmo peça aos seus colegas reeleitos que digam que coisas absurdas foram essas que cometeram e hoje são seus parceiros. “Marcos” chegou ao ponto de acusar parte da imprensa local de receber propinas! Seria importante o edil ‘dar nome aos bois’ até para honrar os verdadeiros profissionais da comunicação local.

Agitado, insensato e despropositado “Marcos” fez crer no seu discurso que o período do regime militar não foi tão ruim assim: “O meu pai, idoso bem debilitado, sempre nos conta de que o regime militar no Brasil foi os melhores dias para o povo do que se vê hoje”, relatou (sem comentários!).

“Marcos” da Prestação falou e falou, porém continua sem responder duas indagações básicas feitas naquela matéria pelo A Voz da Vitória, a saber: a primeira o que fez Lamartine Júnior por Vitória de Santo Antão; a segunda foi se ele defende a abertura dos arquivos da ditadura a fim de todos termos acesso a verdade. Infelizmente, o parlamentar nada disse sobre.

Todo político que se preze e que seja antenado com a comunicação diante do seu eleitorado dispõe de assessoria para orientá-lo. Antes de se passar a criar uma saia-justa com a imprensa, “Marcos” detém todo o direito de resposta. Se preparado fosse, teria enviado sua resposta a qualquer suposto descontentamento com este site para o email: avozdavitoria@live.com, e então teríamos respeitosamente publicado suas esperadas justificativas.  Aprenda!

APROVADO – O Plenário da Câmara de Vitória aprovou na sessão da sexta (24), apenas o Projeto de Lei (PL) nº 27/19 que concede in memorian – a Comenda Mariana Amália – a Odontóloga, Escritora, Poetisa, Professora – Diva Andrade de Holanda Bastos, falecida em 2015, mãe do vereador Mano Holanda (DEM). A autoria foi do vereador Toninho Nascimento (PRB). Destaque para o Voto de Aplauso aprovado ao Engarrafamento Pitú que foi contemplado com o recente Certificado nacional Selo Verde, em razão dos investimentos feitos no seu parque fabril prezando pela sustentabilidade ambiental. A lembrança à fábrica foi feita por Marcos da Prestação.

TRAMITAÇÃO – Segue sob análise das Comissões da Casa o Projeto de Lei nº 25/19 que autoriza a criação de uma Escola de Futebol no Município, proposto pelos vereadores Toninho Nascimento e Xanuca (sem partido).  PL nº 26/19 que veda nomeação às pessoas condenadas, proposto por Silvia Moura (PSB). Também o PL nº 28/19 que declara de utilidade pública a Associação dos Moradores do Bairro Lídia Queiroz, de autoria de Carlos Frasão (PRP).

CADÊ ROMERO?!

CADÊ ROMERO?!

BANCADA – O líder do governo na Câmara Geraldo Filho (sem partido) anunciou que o próximo educandário a ser reformado pela Prefeitura será o CAIC Diogo de Braga, em Água Branca, pelo qual deverá custar aproximadamente R$ 1 milhão. Aproveitou para dizer que todas as quintas-feira, às 10h, fará reunião da bancada que sustenta politicamente o governo Aglailson Júnior na Casa.

FALTAS – Os vereadores faltosos dessa 13ª sessão foram Romero Queralvares, Danda da Feijoada, Baixa Emiliano e Marcone da Charque. Os vereadores Duda de Pacas e Jota Domingos se ausentaram antes do término da reunião, às 11h15 e às 11h55, respectivamente.  Só para registro: Romero, Duda e Danda são vereadores extremamente faltosos às sessões.

Vereador Novo da Banca foi parabenizado

Vereador Novo da Banca foi parabenizado

ANIVERSÁRIO – Foi bastante congratulado pelos seus pares durante a sessão o vereador Novo da Banca (sem partido) que fez aniversário nesse dia 24 de maio. Antecessor a Romero Queralvares (PSB) na presidência da Casa, até hoje o mundo político local se pergunta o que fez o prefeito Aglailson Júnior trocar Novo da Banca pelo irmão Romero na presidência. Romero vem se revelando uma decepção política e uma ‘bola de neve’ de sérios desgastes ao Poder Legislativo vitoriense.

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