Ceclin
jul 22, 2015 0 Comentário


Comissão tenta esclarecer morte de dois militantes de esquerda em Pernambuco

Blog do Inaldo Sampaio

marcelo-santa-cruz-divulgaçãoA Comissão Estadual da Verdade fará uma sessão pública nesta quinta-feira (23), no Recife, para ouvir o depoimento dos jornalistas Oldack Miranda e Mariluce Moura sobre o assassinato, mediante tortura, dos militantes esquerdistas José Carlos da Mata Machado e Gildo Macedo Lacerda. Ambos militavam na Ação Popular Marxista-Leninista (APML) e foram assassinados no Recife em 1973, mesmo ano em que o estudante pernambucano Fernando Santa Cruz Oliveira, irmão do vereador e advogado Marcelo Santa Cruz, do PT de Olinda, desapareceu.

Segundo Manoel Moraes, um dos membros da Comissão, “o fato novo que vamos tratar são os documentos da ‘Operação Cacau’ que trazem o último depoimento de Gildo Lacerda e citam os nomes de Oldack Miranda e Mariluce, viúva de Gildo”. Em 19 de outubro de 1973, José Carlos Novaes da Mata Machado foi preso em São Paulo e conduzido por policiais à paisana para a sede do DOI-CODI paulista.

Em 22 de outubro do mesmo ano, o ex-vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, Gildo Macedo Lacerda, foi detido, junto com a companheira Mariluce Moura, em Salvador. O casal foi levado ao Quartel do Barbalho por agentes do Exército e conduzido às sessões de tortura. Grávida, Mariluce nunca mais viu o companheiro. E soube que ficara viúva através do capelão do Exército, que lhe dera um exemplar do Jornal do Brasil noticiando as mortes de “subversivos” da Ação Popular em tiroteio no Recife.

Reclusos, Mata Machado e Gildo Lacerda foram encaminhados ao Destacamento de Operações de Informações do IV Exército, no Recife, onde teriam sido torturados até à morte. As circunstâncias das duas mortes permanecem envoltas em mistério após 41 anos do suposto tiroteio que teria havido na Avenida Caxangá, no Recife, em 28 de outubro de 1973. A nota oficial da Secretaria de Segurança relatava um suposto tiroteio envolvendo os militantes da Ação Popular com uma terceira pessoa de codinome “Antônio”.

A nota informa também que José Carlos e Gildo Lacerda teriam encontro marcado no Recife com ‘um subversivo de nome Antônio’, que reagira atirando nos companheiros, acusando-os de traição, fugindo em seguida. Na versão policial, ‘Antônio’ seria Paulo Stuart Wright, político catarinense desaparecido e cujo corpo nunca foi encontrado após a prisão pelo DOI-CODI de São Paulo.