Ceclin
Maio 04, 2013 0 Comentário


Cinquentinhas respondem por 30% dos acidentes com motos em PE

De Olho no Transito/JC

As motos de 50 cilindradas, mais conhecidas como cinquentinhas, já respondem por 30% dos acidentes com motocicletas em Pernambuco. E o que é mais grave: as vítimas são crianças, adolescentes e idosos, que têm feito uso livremente desses veículos mesmo sem estarem habilitados ou usando os equipamentos de segurança. Os números são do Comitê de Prevenção aos Acidentes de Moto em Pernambuco (Cepam) e, embora assustadores, não parecem chocar o poder público, já que o tempo passa e as cinquentinhas continuam sem qualquer tipo de fiscalização no Estado.

Há pouco mais de um ano, diante da inércia das prefeituras em decidir assumir o emplacamento das 50 CC, como previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o governo do Estado, por meio da Operação Lei Seca, começou a abordar condutores desses veículos e, ao flagrá-los sem habilitação ou capacete, passou a apreender as motos. Pelo menos 500 já foram apreendidas, mas depois que os proprietários pagam os custos do depósito do Detran, voltam às ruas.

Alertada pelo Comitê, a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano do Recife estaria elaborando uma legislação para começar a cobrar o emplacamento dos veículos. “Eu enviei pessoalmente um relatório ao secretário João Braga alertando sobre as consequências da omissão das prefeituras diante dessa questão e ele me garantiu que iria assumir o emplacamento das cinquentinhas. É uma decisão, inclusive, que já vem tarde. Que as prefeituras não fizeram até hoje por pura negligência. É uma decisão política. Apenas”, critica o presidente do Cepam, o médico João Veiga.

João Veiga lembra que os estragos das 50 cilindradas são ainda maiores quando se verifica que elas representam apenas 15% da frota de motos, de 900 mil unidades em Pernambuco. “Não temos como saber exatamente quantas cinquentinhas existem já que no Estado elas não precisam ser emplacadas. Na Secretaria da Fazenda temos o registro de 130 mil, mas estimamos que esse número seja 60% maior”, diz. O médico pondera, ainda, que a falta de emplacamento das cinquentinhas dificulta a fiscalização e, consequentemente, facilita a impunidade.

O resultado são acidentes cada vez mais graves. “Os condutores são crianças, adolescentes e idosos que não têm habilitação e dirigem de qualquer forma, andando sem capacete, na contramão e nas calçadas. Esses dois últimos hábitos têm provocado um aumento na quantidade de atropelamentos de pedestres, pegos de surpresa por esses veículos. Para piorar ainda mais, muitos motoristas estão adulterando o motor dessas motos, turbinando-as para usar, inclusive, em assaltos, já que não possuem placas. Precisamos dar um basta nisso”, defende Veiga.