Ceclin
out 03, 2009 3 Comentários


Carta anônina provoca lavagem de roupa suja em Pombos

Nesta quinta-feira (01) teve início mais um período de reuniões na Câmara de Vereadores da Cidade de Pombos.
Após a chamada nominal dos membros da Casa, foi registrada a ausência dos vereadores Beto da Ambulância (PR) e Genário da Pedra (PSB).
Dando sequência o Presidente da Câmara Marcos de Porteira (PCdoB), solicitou a leitura da ata anterior sendo aprovada em seguida, deu-se início ao expediente do dia com um projeto de lei enviado pelo Executivo pedindo a alteração de um artigo de uma lei que foi votada e aprovada em Sessão anterior que ajusta o controle interno da gestão municipal.
Os vereadores receberam cópias do projeto e da lei anterior para estudo ficando a votação da mesma para a próxima Sessão.
Não tendo mais matérias para discutir, foi iniciado o tempo livre para os comentários dos parlamentares.

Do caos ao balaio de gatos

Usando o seu tempo livre, a Vereadora Neide de Roque (PMN), levou ao conhecimento da Casa uma carta anônima que foi endereçada a algumas pessoas e comerciantes do município fazendo inúmeras denúncias de irregularidades praticadas pela atual gestão.

Mas a questão principal que a vereadora abordou foi um parágrafo que relata o silêncio e a omissão dos vereadores sem exceção, diz o parágrafo:
“Nossos vereadores estão calados, todos sem exceção se venderam, recebem todo mês R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais) em dinheiro, R$ 300,00 em medicamentos e R$ 300,00 em combustível”.

“Uma vergonha, foram eleitos para fiscalizarem e defender a população e ao contrário, se calam por dinheiro e por medo, são uns fracos, observem se algum vereador contestou algum abuso por parte da administração municipal”, disse.

Indignada, a vereadora disse que não fazia parte deste balaio de gatos e nunca recebeu um centavo que não fosse seu por direito, continuando disse em tom irônico que até gostaria de receber essa quantia para juntar em uma conta e depois repassar aos cofres do município para repor o dinheiro que o Tribunal de Contas cobra dos vereadores pela má administração da presidência da Casa na gestão passada, junto com a incompetência de sua assessoria jurídica que não fez as leis necessárias para validar os salários dos vereadores criando assim essa dívida de todos com o Tribunal de
Contas e com o município.

Neide disse que os R$ 1.500,00 seria bom para serem repassados ao município para repor os cofres públicos . “Administrar não é colocar portas de vidro, mobiliário moderno e gabinete chique com ar condicionado, administrar é fazer as coisas certas para estar em dia com suas obrigações com o povo e com o município”, enfatizou a vereadora.
Neide quanto ao restante da carta ela foi enfática:
“Não vou me ater ao teor completo da carta, mais a gente sabe que o caos está instalado em nosso município, escândalo no PETI, prédios públicos com energia cortada, colégios sendo demolidos, salários de professores atrasados, hospital sem seringas para aplicar vacinas e sem contar com o caos maior que é o transporte escolar”, ressaltou.
“Não gostaria de estar aqui fazendo essas observações, mas infelizmente o povo não sabe o que está acontecendo e gostaria que toda a equipe da administração sentasse para rever todos os absurdos que estão acontecendo em nosso município”, concluiu a vereadora Neide de Roque.

Crítico porém moderado

O vereador Murilo Força Jovem (PR), iniciou seu tempo fazendo uma homenagem aos colegas vereadores por ser o dia nacional do vereador e estendendo a homenagem aos eleitores porque ele os considera como parte de um total.


Continuando, o vereador tachou o autor da carta anônima como uma pessoa vil e mesquinha por fazer denúncias sem provas e encoberto pelo manto da covardia que se chama anonimato.
“Nunca recebi um centavo além do meu salário merecido, não temos verbas de gabinete como tem as câmaras de grande porte tem, mas o que ganhamos é usado dignamente para cobrir nossas despesas e na medida do possível ajudar nossos conterrâneos”, salientou.

Quanto aos problemas enfrentados pelo município o vereador disse que não só Pombos mais muitos municípios circunvizinhos ainda sofrem com o efeito da crise, porém ele acredita que em breve haverá uma solução plausível.

“Estou ficando velho, mas não besta”.


Para o vereador Luiz Baé (PTB) esta estória de carta anônima é novidade, sendo possuidor de quatro mandatos legislativos nunca foi apadrinhado por nenhum prefeito apesar de ter conhecidos casos em mandatos anteriores.
“Quando chegavam projetos para ser votados aqui na Câmara eu procurava saber apenas se ia beneficiar o povo então eu votava a favor independente de quem fosse o prefeito em exercício”, ressaltou.

Encerrando sua participação Luiz concluiu:
“Estou ficando velho, mas besta não, não aceito que pessoas sem vergonha fiquem enviando cartas anônimas para prejudicar nossos colegas vereadores que sempre trabalharam com clareza e honestidade”, afirmou.

E o salário volta à baila.

Para o vereador Chalegre os vereadores estão pagando caro por erros da incompetêcia da gestão anterior que não tinha uma assessoria jurídica capaz de evitar tais erros.
“Quando chegar a prestação de contas, o Tribunal vai mandar a gente devolver a diferença dos salários que devido ao erro da presidência passada que não aprovou as leis necessárias fazendo a gente passar esse constrangimento”, salientou.

O vereador também comentou sobre a demolição dos colégios da área rural, dizendo que achou um absurdo derrubar prédios em plenas condições de uso.

“Gostaria de saber o que está acontecendo com o município porque está faltando tudo por aqui, casas dos idosos com energia cortada, os carros pipas que levam água para a área rural só rodam a cada três meses, isso deixa o povo revoltado e nós ficamos constrangidos com essa situação, mas ainda é tempo de mudar basta ter força de vontade”.

Terminando sua participação, o vereador Chalegre comentou que o responsável pela carta mentiu em afirmar que os vereadores recebem benefícios da gestão municipal porque nem o duodécimo da Câmara foi pago de maneira integral ficando uma parte que foi repassada posteriormente.

O convite

Sendo o último a usar a tribuna Dr. Marcos achou propício o aparecimento dessa carta
que apesar de anônima e em partes mentirosa levou à tona alguns problemas do município.
“Há algumas semanas que passou consegui trazer para o município, através de uma Associação que faço parte, a Fundação Altino Ventura, que prestou serviços médicos a 232 pessoas resultando na necessidade de fazer 18 cirurgias de catarata, quando os pacientes foram até a prefeitura para solicitar um transporte para o hospital no Recife, os pedidos foram negados porque os gestores sabiam da minha participação no projeto”.


Em seguida o vereador disse não entender o motivo da demolição dos colégios porque eram prédios reformados e funcionavam perfeitamente.
“Gostaria de convidar a prefeita para vir até a Câmara explicar com que objetivo essas escolas foram derrubadas, fazendo com que as crianças deixem de estudar perto de suas casas para se locomover até a cidade aumentando o problema do transporte escolar”, concluiu.
Dr. Marcos enfatizou que a prefeita esqueceu que vivemos em uma democracia e que atitudes radicais como essa deveriam ser discutidas e analisadas com antecedência.

“Ela deve ter consciência que não é a dona da cidade apenas exerce uma gestão que dura apenas quatro anos e que atitudes impensadas ficam marcadas na história do município, atestou”.

A famigerada carta.

Intitulada de “Pombos Pede Socorro”, corre de mão em mão, no município de Pombos, como fofoca em boca miúda uma carta anônima com três páginas onde o autor faz inúmeras denúncias de irregularidades a gestão municipal.

As denúncia vai desde gestão fraudulenta a demolição de escolas da rede municipal de ensino para agregar o terreno a proprietários de sítios na vizinhança.
A carta também fala de pagamentos de mais de R$ 600.000,00 (Seiscentos Mil Reais) feitos a agiotas devido a dívidas de campanha, e esse dinheiro segundo o autor da carta, não teve origem lícita.

Semeando acusações e apelidos sem graças aos gestores municipais o adivinho ou espião anônimo acusa a família da gestora de falsificar e adulterar notas de pagamentos em benefício de seus aliados e gestores passados que também foram acusados de gestão fraudulenta pelo autor da famigerada carta. As acusações continuam com um relato que as pessoas beneficiadas com recurso de PETI assimam o recibo e ficam com menos da metade do dinheiro.

Sobrou até para os vereadores do município que foram acusados pelo mesmo de receberem míseros tostões em troca do silêncio e da cumplicidade.
O mais interessante foi o autor dizer em suas denúncias que a gestora municipal desmontou um muro que cercava um campo de futebol da cidade e remontou na propriedade de um de seus secretários.

Segundo alguns moradores do município, algumas destas denúncias são verdadeiras e outras são pura maluquice de algum louco que está tentando ser bom mostrando que os outros não prestam.
por Orlando Leite