Ceclin
jan 31, 2009 5 Comentários


Carnaval: manifestação popular ou elitização?

Será que o carnaval é mesmo a maior festa de manifestação popular do mundo?

A resposta não é tão fácil de responder como há 15 anos.
A chegada do carnaval cronometrado onde se paga para brincar em um determinado tempo dentro dos cinco dias, teve diversas motivações.
Segurança, distinção e atrações são as razões elencadas pelos foliões que optam por pagar para brincar dentro do cordão. A origem vem também do Axé que a Bahia vende e exporta, deixando de lado seu próprio processo de civilização que teve forte influência da cultura africana.

A brincadeira momina deixou de possuir características populares advindas de sua origem, elitizando e deturpando o verdadeiro sentido da festa, a tornando essencialmente comercial.
Mas onde fica Pernambuco nessa história?
Pernambuco corre por fora desse modismo que ultimamente, pelo que se percebe, cada vez mais vem declinando, basta perceber o fim das Micaretas em diversos pontos do País.
Olinda e Recife resistiram a este processo essencialmente elitista.

Com originalidade e tradição, o carnaval pernambucano tem características próprias, sem perder em momento nenhum o brilho e irreverência da festa.
O Galo da Madrugada o maior bloco do mundo, pode-se brincar sem pagar um só centavo, e mais, é possível tocar frevo, maracatu e caboclinho numa criação baiana, que é o trio elétrico. Em Olinda, orquestras de frevo, maracatus e afoxés completam o cenário da cidade alta, e as ruas continuam congestionadas de pessoas de todos os lugares do mundo. Qualquer ritmo que não seja os tradicionais é proibido. Até mesmo as rádios têm um percentual de músicas regionais que na época são obrigadas a tocar.
Tanto no Galo quanto em Olinda as mais diversas classes se misturam e faz do carnaval uma verdadeira festa de manifestação popular, onde a principal atração não é outra que não o próprio povo.
Meio a tantas informações surge uma nova pergunta:
Teria alguma perda se em Vitória de Santo Antão fosse proibido tocar outra música que não fosse a de ritmos pernambucanos?
Responda e participe da 23º edição do Correio do Interior.

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com informações de Helder Sóstenes.