Ceclin
fev 17, 2014 0 Comentário


Carnaval de Vitória: Monges em Folia se consolida como uma das melhores Troças carnavalescas

Troça Carnavalesca Companhia dos Monges em Folia inova no Carnaval 2014 da Vitória de Santo Antão com o Carro Alegórico Fantasma

A Redação do Portal A Voz da Vitória recebeu a visita do presidente da Troça Monges em Folia,  Eliel Pereira dos Santos (Léo dos Monges), para contar as novidades que a Troça reserva para o Sábado de Zé Pereira, às 21h32, defronte a Igreja do Rosário – na Matriz, bem como para presentear Lissandro Nascimento com uma obra de arte confeccionada por artista vitoriense, simbolizando em miniatura o estandarte dos Monges em Folia.

Léo dos Monges adiantou que está tudo preparado para a saída da Troça com a Orquestra de frevo e que este ano fará uma surpresa aos que forem acompanhar o desfile, com o Carro Alegórico fantasma.

Os Carros Alegóricos que não eram uma alegoria comum representam a magnitude de uma ideia dos antepassados dos Carnavais da Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, surgindo imponente em meados do século XIX e atingindo o seu apogeu na década de 60 e 70 desfilando inclusive nas ruas do Recife com o Clube Abanadores O Leão, arrancando aplausos e o reconhecimento da mídia como verdadeiras obras de artes.

Lamentavelmente nos idos atuais essa tradição se perdeu, já não abrilhantam a noite os carros alegóricos dos Abanadores O Leão, do Vassouras O Camelo e sem a mesma magia de outrora do Clube dos Motoristas O Cisne, sem mesmo falar dessa fascinação que se ecoava pelas tardes nostálgicas da Girafa, da Cebola Quente e do Coelho, estava então findado o brilhantismo dos carros alegóricos e com ele o legado dos Carnavais de Vitória.

Hoje, na taciturnidade da noite despercebida de alguns, ele surge novamente num Sábado de Zé Pereira para desfilar pela última vez nas ruas da saudade, exatamente quando os Monges em Folia homenageiam dois grandes personagens do Carnaval vitoriense, o alegorista figura hoje tão lendária, Gilsemar Cavalcante do Nascimento “Semar” e o autêntico folião Orlando de Souza Leão “Orlando de Quanduz”, ambos que vivenciaram um majestoso sonho, com figuras personificadas dos carnavais de outrora, uma mistura de alegoristas e foliões, tiveram então o desejo de construir um Carro Alegórico Fantasma, com seu livro de ouro celestial, foliões como: Manoel Mizura, Geraldo Lima, Dodó da Gamela, Macedo, Genaro, uniram-se a alegoristas, tais como: Valdir Maciel, João de Barros, Pedro Varela e Paulo Fernandes.

Estava então construído a essência de tudo de bom que a tradição do carnaval vitoriense havia produzido “O Carro Alegórico Fantasma”, no seu primeiro plano a figura de um Monge com seu candelabro, não para anunciar um sacrifício por ignorância, mas para iluminar novas perspectivas de onde já foi o melhor Carnaval do interior de Pernambuco. No segundo plano a Rosa em sua fogueira, não para ser culpada pelo clero pelo simples fato de vender seu corpo por alimento, mas para lembrar-se de belas jovens que eram destaque com suas fantasias e seu singelo aceno no desfile que se seguiam por ruas e avenidas de nossos corações. E no terceiro e último plano O Mosteiro, não um local onde sabedoria era motivo de segredo para poucos homens de fé, mas um lugar de novas esperanças em busca de conhecimento para a cultura de um povo que se perdeu com o tempo.

Esse é o tema do Carro Alegórico Fantasma “O Nome da Rosa”, obra magistral de Umberto Ecco. Sendo a Rosa atualmente a beleza que se desnorteou na excelência do nosso carnaval, no legado deixado por grandes homens esquecidos pela ignorância de nossos organizadores, embriagados pela falta de respeito ao tradicional, puro e belo dos carnavais passados.

HISTÓRIA

A Troça Carnavalesca Companhia dos Monges em Folia, foi fundada em 04 de Março de 1998, na sede do Museu do Carnaval Maestro Amadeu de Senna, pelo comerciário Rivaldo Felipe Barbosa e o historiador André José Gomes Fontes, usando também a denominação de “Monges em Folia”.

Seu desfile acontece no Sábado de “Zé Pereira”, pontualmente às 21h32, impreterivelmente, com saída defronte a Igreja do Rosário, na Matriz.

A Troça é composta por profissionais liberais, universitários, advogados, médicos, professores, dentre outros, que se reúnem junto a outros foliões a fim de garantir o tradicional desfile carnavalesco em ritmo do frevo pernambucano.

1998

Há pouco tempo do Carnaval de 1998, no Museu do Carnaval Maestro Amadeu de Senna. O estudante Rivaldo Felipe, o Historiador André Fontes discutiam os carnavais vitorienses, de posse de algumas fotos observavam a criatividade individual do povo que desfilavam vestidos de árabes, de pato guizado, de barbeiros e uma infinidade de vestes.

No meio de tantas fotos, estavam duas figuras que exprimem tudo o que queremos falar, eram elas: A BANHEIRA MÓVEL (do nosso inesquecivel amigo GERALDO LIMA) e o ANJO DO CARNAVAL (uma das figuras mais populares do carnaval vitoriense MANOEL JOSÉ DE SOUZA, O MIZURA).

O trio passou então a discutir com que fantasia iriam brincar o carnaval de 99.

1999

Logo no início pensaram em reeditar uma das antigas fantasias, uma certa confusão ocorreu, praticamente todos queriam sair com a cobertura de MORCEGO (com certeza a figura mais popular dos antigos carnavais Júlio Mosquito, que desfilava no comando do préstito do Clube Abanadores O Leão).

Sem chegar a nenhuma definição, passaram a comentar sobre o filme O NOME DA ROSA, durante a análise da película surgiu a ideia de levar paz ao carnaval (que andava violento).

A vestimenta de Monge caiu como uma luva. Seria uma fantasia diferente, criativa, calma… Todos a aceitaram. Fora então desenhado um esboço do traje.

O tempo passou e de repente faltavam apenas três dias para o carnaval, a procura por uma costureira frenética. As artesãs estavam bastante ocupadas com outras roupas e sempre recebíamos um “não posso”, foi quando no Sábado de Zé Pereira Rivaldo comentou com o amigo Ednaldo Torres sobre os Monges, o radialista ficou bastante interessado e o levou a costureira Dona Zezinha, que a pedido do Ednaldo se prontificou a costurar a roupa de cinco monges. Dr. Jorge, o Prof. Luís Carlos, o Artista Plástico João Francisco, o Estudante Rivaldo Felipe e o Historiador André Fontes puderam então brincar o carnaval de 1999 na santa paz. Estava então criado os MONGES EM FOLIA.

2000

No carnaval de 2000, desfilaram como Monges: Jorge Marinho, João Francisco, Luís Carlos, Rivaldo Felipe e Adonias. André Fontes por motivos superiores não desfilou neste carnaval e também nos carnavais de 2001 e 2002.

2001

Neste ano desfilou como Monge Ageu Júnior, Franklin, Jorge Marinho, João Francisco, Adonias, Luís Carlos, Domingos Sávio.

2002

Neste ano apenas Rivaldo Felipe desfilou como monge. Os rapazes desfilaram vestidos de árabes.

2003

Em fins de 2002, o Prof. Cristóvão juntamente com André Fontes e Rivaldo Felipe decidiu transformar os MONGES EM FOLIA em uma troça.

Foram convidados Jorge Marinho, Elaine, Maria José, Rivaldo Felipe, André Fontes, Luís Carlos, Manoel Carlos para fazerem parte da Diretoria. O entusiasmo durou pouco, sendo logo abandonado.

Em novembro, ainda de 2002, Ageu Júnior pediu permissão para dar continuidade no trabalho de transformar os MONGES EM FOLIA em uma troça (pois antes, os monges desfilavam atrás de outras agremiações, principalmente no BOI DELA [ na época em que mantinham um política de resgate cultural onde desfilava as figuras tradicionais do boi-bumbá. O trabalho do Prof. Ageu Júnior com a disposição do Prof. Domingos Sávio e do Dr. Jorge Marinho, e o apoio imprescindível de Rivaldo Felipe e do Historiador André Fontes, realizaram o sonho de transformar os MONGES EM FOLIA em uma agremiação independente. No carnaval de 2003, desfilaram 18 monges: Prof. Ageu Júnior, Prof. Domingos Sávio, Prof. Luís Carlos, Prof. Franklin, Historiador André Fontes, Pesquisador Rivaldo Felipe, Dr. Jorge Marinho, Ítalo Moura, Adonias, Manoel Carlos, Jorge Guedes, Victor Guedes, Mizura Júnior, Lissandro Nascimento, Hugo, Alberi, Rafael Ageu, Pim e o nosso moginho Vinícius. Também desfilou uma freira (Rivaldo2).

2004

Novamente estamos nas ruas da Vitória para trazer à tona, um sentimento arraigado em nossa essência “O Frevo”, desfilando nas ruas dos lendários, anônimos e folclóricos foliões, os “Monges em Folia” volta trazendo Paz, Alegria e muito Frevo nos pés, venha nos conhecer e se deixar contagiar pelo carisma do Frevo, e resgatar a história dos fabulosos carnavais vitorienses.

Deus é grande… O Carnaval é comprido… Nossa maior homenagem é prestada ao autêntico FOLIÃO GERALDO LIMA, que hoje brinca no Céu, ao lado de COELHO; CHICO BENEDITO; ZECA PEIXE; MACEDO, o homem da sombrinha; MESTRE EUCLIDES; MÁRIO; WALTER LEMOS; MAESTRO AMADEU DE SENNA; DEUSDEDITH LISBOA; JOSÉ DE LEMOS (Pai e filho) e tantos outros que preenchem as ruas da saudade.

É o espírito destes antigos foliões que nos incentiva a brincar o verdadeiro e autêntico Carnaval Vitoriense, esperamos que o nosso divertimento se torne exemplo para outros foliões e, que formem outras troças e resgatem o carnaval tradicional, popular e espontâneo que sempre existiu na Terra das Tabocas.

Não somos contra o trio elétrico, mas a favor do verdadeiro Frevo.

2008

Nesse mesmo ano, após um carnaval maravilhoso, foi realizado em meados de abril, precisamente no dia 13/04/2008 às10h32, a posse do nosso atual presidente Eliel Pereira dos Santos (Léo dos Monges), num domingo aparentemente de sol no antigo restaurante Panela Velha no Bairro do Cajá, a priori tudo estava transcorrendo normalmente para os preparativos e repentinamente um temporal caiu sobre nossa cidade, algo inimaginável. Esse temporal que é reconhecido por nós em alguns anos vindouros, contudo, o futuro e atual presidente determinado como sempre foi. Diz a lenda que em suas preces o presidente Léo conversou com São Pedro e não é que o sol voltou a surgir e sua posse foi um verdadeiro legado aos amantes do carnaval dessa terra. Pois reuniu todas as pessoas influentes da política vitoriense, amigos, empresários e comerciantes para honrar a bandeira dessa agremiação, pessoas como Elias Lira, Henrique Queiroz, Demetrius Lisboa, Jailton Albuquerque, Pilako, marcaram presença, assim como: Luciano Pedrosa (in memoriam), Mário Carneiro (in memoriam), Ednaldo Torres, Guilherme Pajé, A Curriola Completa do Coelho, Mizurinha do Boidela, Raleú da Zebra, Soares Contador, e demais presentes.

 Dias Atuais

Hoje nossa Troça conta com mais de 70 monges,como se trata de uma troça aberta, não temos como catalogar as pessoas que nele participa. Contudo o sucesso dos Monges em Folia fez reacender o espírito das fantasias que andavam esquecidas entre outros costumes do folião vitoriense perdido no passado e reencontrado novamente com essa Diretoria maravilhosa e o apoio cultural de empresas, grupos e entidades que só vieram resgatar o brilhantismo do carnaval vitoriense que passou anos sem identidade. Hoje temos um Baile sempre no mês de Outubro, já sendo realizado cinco grandes bailes, sinônimo de referência nos dias atuais.

Nossa diretoria tendo a frente Eliel Pereira dos Santos (Léo – Presidente) e os diretores Sebastião Ferreira do Nascimento Júnior (Cristovão); Carlos Alberto Ferreira do Nascimento (China) ;Rivaldo Felipe Barbosa; André José Gomes Fontes; Jurandir Soares; Dryton Nery Bandeira; Dulce Ana Montenegro; Luís José de Santana (Brother) e José Vital da Costa Dutra.