Ceclin
fev 19, 2014 0 Comentário


Câmara de Vitória: Eleição de Bau Nogueira juntou a velha política

Por Lissandro Nascimento

Um jogo gestado na legalidade, porém distante da legitimidade. Foi a gênese da eleição para a Mesa Diretora da Câmara de Vereadores da Vitória de Santo Antão (Biênio 2015-16), antecipada para esta quarta-feira (19), no Teatro Silogeu, local que substitui temporariamente as sessões plenárias. Amaro Nogueira Alves – Bau Nogueira (PSD) foi eleito presidente por nove votos dos seus pares para suceder no próximo ano o atual Prof. Edmo Neves (PMN), pelo qual se absteve de votar em atitude conjunta com o vereador Edimar Gomes – o Edinho (PMN), por discordarem deste formato.

Bau Nogueira pertence ao roll daqueles políticos que detém o mandato pela perniciosa permissividade do Poder Judiciário brasileiro, o qual “fechou os olhos” para a sua posse enquanto parlamentar, apesar de constar como genuíno “Ficha Suja” por erros gravíssimos cometidos enquanto foi Presidente da Câmara de Vitória na década de 1990. Sua vitória por sua vez, presidente do Legislativo vitoriense, representa além de um retrocesso político, a confirmação do quanto é inóspito os bastidores dos velhos grupos políticos da Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata pernambucana.

Esta mesa foi chancelada pelos principais caciques políticos desta cidade. A começar por um Poder Executivo proselitista, que quer de todo modo assegurar a eleição do seu filho para deputado, e para isso fez dos Secretários Ozias e o Barbosa seus porta vozes. Contudo, quem fez realmente a festa na eleição da Mesa foi o Deputado Henrique Queiroz (PR) e a família Queiralvares. Os nove vereadores fizeram menção a pessoa do deputado como o articulador principal das negociações para a eleição de Bau Nogueira. Um deles inclusive, o vereador Edvaldo Bione (PROS), declarou em alto e bom tom que “a maior liderança política da Vitória de Santo Antão se chama José Aglailson”. Garantindo a plateia, Bione adiantou que o grupo de Bau não iria tirar votos do Deputado Henrique Queiroz (lembrando que 04 vereadores apoiam sua recondução à Alepe). Esta cena foi assistida pessoalmente pelo staff da família Queralvares, registrando-se o ex-prefeito Demétrius Lisboa, Moacir da Mandioca, bem como Romero e Alexandre Queralvares, filhos do ex-prefeito José Aglailson (PSB). Tal cena só prova que o Prefeito Elias Lira (PSD) não detém nenhuma moral sobre esta nova Mesa Diretora, bem como sentencia o fato de que este governo é refém de sua própria malfadada articulação política.

Em nenhum momento Bau Nogueira e Edvaldo Bione exaltaram a figura do Prefeito Elias Lira. “Deixamos claro para o prefeito que teria que ser deste jeito e de nossa forma”, confessou Bione.

A Mesa Diretora para o próximo biênio ficou com a seguinte composição: Bau Nogueira (PSD) presidente, como Vice-presidente Edvaldo Bione (PROS), 1º Secretário Geraldo Filho (SDD), 2º Secretário Sandro da Banca (PROS). Esta Mesa contará com recursos públicos que passarão pela Câmara de Vitória nos próximos anos, através do Duodécimo, estimativas que poderão alcançar a cifra de R$ 700 mil por mês, o que equivale para o próximo biênio cerca de R$ 17 milhões. O que implica perguntar: Será que a volta de Bau Nogueira à presidência do Legislativo se deu tão somente pela base da amizade?

Fogos de artifício, orquestra de frevo e festa no teatro liderado no final pelo Dep. Henrique Queiroz. Certamente há vitoriosos nesta legalidade, contudo, apenas uma certeza e o único derrotado legítimo… ele tem nome… chama-se povo da Vitória de Santo Antão.

Por fim, esta é minha análise pessoal. Ciente da minha atual função enquanto Assessor de Comunicação do Legislativo vitoriense e procurando evitar o contraditório, coloco se for o caso, o presente cargo à disposição.