Ceclin
ago 19, 2010 0 Comentário


Caixa segura dinheiro da Mata Sul

Publicado em 19.08.2010

Segundo o BNDES, ainda não houve desembolso da Caixa. No Estado, chegaram R$ 3 milhões via BB e R$ 350 mil (BNB) estão prometidos para hoje

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou ontem um balanço dos primeiros pedidos de financiamento em análise, aprovados e liberados para empresários alagoanos e pernambucanos prejudicados pelas cheias de junho. Os números atestam que ainda não houve nenhum desembolso através da Caixa Econômica Federal.

Em Pernambuco, chegaram esta semana na conta corrente dos empreendedores pouco mais de R$ 3 milhões através do Banco do Brasil. Outros R$ 350 mil, intermediados pelo Banco do Nordeste, deveriam ter sido disponibilizados ontem, mas por problemas no sistema da instituição só vão chegar no bolso do empreendedor hoje.
Se até então eram as críticas diárias dos comerciantes das cidades atingidas que mostravam como o ritmo de desembolsos tem sido lento, com os números consolidados é possível ver que a disponibilização dos recursos está muito aquém do que os governos federal e estadual gostariam, especialmente em ano de eleição majoritária. O dinheiro liberado até ontem (R$ 3.655.890) representa apenas 0,36% do R$ 1 bilhão anunciado, com pompa, no último dia 21 de julho, quase um mês atrás.

O Banco do Brasil larga na frente como a instituição que mais intermediou contratos de empréstimo bem sucedidos. Somente em Pernambuco, o volume de liberações através do banco é mais de oito vezes maior que o previsto pelo Banco do Nordeste. O balanço do BNDES atesta também que a situação dos empresários alagoanos em termos de espera pelos recursos é bem pior que a dos pernambucanos.

Somente R$ 244,8 mil chegaram para empreendedores de Alagoas, um montante quase 14 vezes menor que o total de recursos liberados para Pernambuco (R$ 3,411 milhões). Através de nota oficial enviada pela sua assessoria de imprensa, o BNDES tenta mostrar um outro cenário. Argumenta que, nos últimos três anos, micros e pequenas empresas de Pernambuco e Alagoas absorveram, em média, R$ 65 milhões anuais junto à instituição para aquisição de máquinas e equipamentos ou capital de giro.

“Em apenas 28 dias de vigência, o Programa BNDES Emergencial de Reconstrução dos Estados de Alagoas e Pernambuco (BNDES PER Alagoas e Pernambuco) já tem em carteira, só para capital de giro, R$ 15,636 milhões em 366 operações”, acrescenta a nota. O grande problema é que, o que a situação instaurada nos municípios destruídos pelas águas exige de fato uma liberação mais ágil do dinheiro. O que não tem ocorrido nesse primeiro momento do programa.

Apesar de estarem na “carteira” mais de R$ 15 milhões, o total que está na conta do empresário e disponível para fazer reformas, comprar produtos e quitar dívidas com fornecedores é quatro vezes menor.

Além do montante milionário, o BNDES PER prevê condições especiais de pagamento para os financiamentos: dois anos de carência, de cinco (para quantias entre R$ 51 mil e R$ 1 milhão) a oito anos de prazo (para valores até R$ 50 mil) para quitar todo o empréstimo, e juros anuais de 5,5%, quatro vezes menores que os praticados normalmente no mercado. O valor médio das operações contratadas até agora é de R$ 42,7 mil.
(Jornal do Commercio).