Ceclin
abr 03, 2011 0 Comentário


Brascon investe na cidade de Pombos

Publicado em 03.04.2011



Empresa pernambucana vai oferecer serviço de tratamento de resíduo hospitalar. Ao todo, serão investidos R$ 5 milhões e criados 100 empregos
Jamildo Melo


A empresa pernambucana Brascon Empreendimentos e Participações, em processo de instalação em Pombos, no Agreste de Pernambuco, promete criar uma nova opção de serviços para hospitais e clínicas no tratamento dos resíduos da área de saúde, com a quebra de um monopólio de 20 anos na área de tratamento de lixo hospitalar no Estado.
Atualmente, apenas a empresa Serquipe oferece os serviços para clientes como hospitais e clínicas, postos de saúde e até clínicas veterinárias. Eles são proibidos por lei de descartar o lixo hospitalar diretamente em aterros sanitários.
Os sócios do empreendimento são profissionais liberais locais, sendo dois advogados e três médicos. No caso dos médicos, como são donos de clínicas, o investimento representa uma verticalização na produção.
Um dos sócios da empresa é o médico José Ricardo Carvalho, dono do hospital Santa Efigênia, em Caruaru. O outro é o médico Armindo Moura, dono de uma clínica de radiologia no Recife. Quando estiver em funcionamento, a Brascon irá receber o lixo hospitalar destas empresas, hoje clientes cativas da Serquipe.
Em Pernambuco, o investimento total da Brascon envolve recursos próprios da ordem de R$ 5 milhões, entre prédios e maquinário. O empreendimento deve gerar cerca de 100 empregos diretos e indiretos, em uma cidade pequena e pobre.
Os empresários contam que o processo de autoclavagem será inédito em Pernambuco, com tecnologia trazida pela multinacional uruguaia e parceira Aborgama, de quem compraram os equipamentos. A empresa já foi sócia da Serquipe na Bahia, antes de se desentenderem e romperem a parceria.
O processo de autoclavagem consiste no tratamento térmico do lixo. Com altas temperaturas, são destruídos os agentes patogênicos.

Empresa está pronta para operar

Em Pombos, a empresa já recebeu a licença prévia da CPRH e espera apenas a conclusão da montagem dos equipamentos para começar a operar. De acordo com o sócio Waldemar Oliveira, a empresa terá capacidade para processar até 40 toneladas de lixo hospitalar por dia. No Estado, a produção de lixo hospitalar giraria hoje em torno de 60 toneladas por dia. Desse total, a Serquipe teria condições de tratar até 25 toneladas por dia. O restante é o mercado que a Brascon vai atrás.
Boa parte também é jogada em lixões, sem fiscalização da vigilância sanitária. Quando estiver em operação, a expectativa de faturamento da empresa gira em torno dos R$ 1 milhão por mês.
Além de Pernambuco, os empreendedores da Brascon estão montando uma unidade semelhante em Sergipe, que começa a funcionar em um mês. “Lá estamos sendo recebidos de braços abertos por todo mundo, em função da relevância social de nosso trabalho. Aqui, lutamos há mais de 10 meses para colocar a fábrica para operar. Esperávamos reação (da empresa concorrente), mas não tanto”.
O diretor da Aborgama para o Brasil, Ronel Garmendia, diz que a intenção é operar em todos os Estados do Nordeste. “Alagoas, Ceará e Piauí nós já começamos a fazer os projetos”.
No Rio de Janeiro, depois de tratado, o lixo que a Aborgama processa é levado para a CTR Nova Iguaçu, a mesma empresa que controla a CTR Candeias, em Jaboatão dos Guararapes. No local, a capacidade de produção chega a 40 mil toneladas, mas a empresa opera com uma média de 10 toneladas por dia.

(Jornal do Commercio).