Ceclin
mar 22, 2008 2 Comentários


Bens da Avestruz Master vão a leilão

A promessa de rentabilidade de 10% ao mês era tentadora e atraiu 49.321 pessoas de Goiás e Pernambuco. Para ganhar dinheiro, bastava comprar uma Cédula de Produto Rural (CPR) e pronto, o investidor tornava-se proprietário de um avestruz, que seria engordado e recomprado, posteriormente, pela empresa que fornecia a CPR. O final dessa história é conhecido. A Avestruz Master, depois de fechar temporariamente as portas a partir do dia 4 de novembro de 2005, nunca mais reequilibrou-se e, em poucos dias, faliu. Deixou na mão investidores e fornecedores. No próximo dia 3, em Goiânia (GO), os bens da massa falida da empresa serão leiloados. Mas, claro, a conta não fecha.
“O fato é que a Avestruz Master é uma empresa que faliu. Nesse caso, quem tinha investimento do tipo CPR, cheques e outros destes moldes perdeu seu dinheiro porque o que a empresa tem não dá para pagar a todos os credores”, informa o administrador judicial, João Bosco de Barros.
A estimativa é que o leilão, se bem-sucedido, levante R$ 12 milhões. Há R$ 450 milhões de tributos em aberto. E R$ 4 milhões em dívidas trabalhistas.
A Avestruz Master tinha sede em Goiânia e filial no Recife, com escritório em Boa Viagem. A fazenda pernambucana ficava em Vitória de Santo Antão.
Desde o primeiro fechamento de suas portas, a Avestruz Master garantiu pagar os investidores. O ex-presidente do grupo, Jerson Maciel da Silva, faleceu no início deste ano. Segundo a Lei de Falências, os credores vêm no final da fila do recebimento de débitos da massa falida. Os trabalhadores e a administração judicial têm preferência.
A data do leilão dos bens da finada empresa também foi homologada pelo juiz Carlos Magno. O administrador João Bosco de Barros mantém, com sua equipe, o site da Avestruz Master. No endereço eletrônico (www.avestruzmaster.com.br), os credores podem acompanhar a evolução do caso e tirar dúvidas sobre como integrar-se ao processo.
“O que estamos tentando fazer é salvar o negócio da estrutiocultura (criação de avestruzes). Se conseguirmos fazer a nova empresa funcionar, um dia, as ações que haverá no lugar das CPRs poderão valer até mais do que os credores têm para receber hoje. Não se trata de enganação e sim de muito trabalho, dedicação, força de vontade e pé-no-chão. Ninguém vai cair do céu oferecendo dinheiro pelo que os credores têm hoje na mão”, explica o administrador judicial.

Fonte: Jornal do Commercio.