Ceclin
mar 30, 2009 2 Comentários


Bancos não cumprem lei das filas

Após um ano da regra, atendimento ao cliente excede 15 minutos previstos

PAULO VICTOR MOURA

Sancionada pelo prefeito do Recife em dezembro de 2007, entrando em vigor em 28 de março de 2008, a Lei Municipal 14.405 completou um ano neste último sábado. De acordo com o texto original, fica obrigado que as agências bancárias atendam os clientes em, no máximo, 15 minutos nos dias úteis e em 30 minutos nos primeiros cinco dias de cada mês, no último e primeiro dia seguinte a um feriado.
Mas será que todos os artigos da lei vêm sendo devidamente cumpridos pelos bancos? Diante deste questionamento, a Folha de Pernambuco foi às ruas ouvir a população, o Procon do Recife, a Defensoria Pública do Estado e o Sindicato dos Bancários. A reportagem constatou que, apesar da possibilidade de punições por descumprimento da lei – que vão de advertência, multa de R$ 10 mil e, na reincidência, valor duplicado – ficou constatado que a legislação não está sendo cumprida. Ao contrário, a espera dos clientes tem sido, em média, 40 minutos, podendo chegar a mais de duas horas.

Boa parte das pessoas ouvida pela reportagem na saída de agências bancárias disse acreditar que o não cumprimento da lei se deve ao velho “jeitinho brasileiro” de não levar as leis a sério, assim como conformismo da população que, por ter certeza de que nada funciona, consequentemente não corre atrás dos direitos. “Tem dias que passo mais de duas horas na fila para ser atendido. Isso nunca funcionou”, disse o office boy Valdir Deodato, 40 anos.
O também office boy Antônio de Pádua, 53 anos, concordou com o colega de profissão, mas fez outra ressalva: “Acho que existe tanta demora porque os caixas, ao invés de trabalharem para atender a todos de forma rápida, ficam jogando conversa fora”, falou, inconformado. A funcionária pública Kátia Bastos, 47 anos, contou que certa vez precisou do atendimento em uma agência, mas o serviço demorou bastante. “Com a demora, disse que iria fazer uma denúncia, no mesmo instante o atendimento melhorou e o pessoal do banco até me ligou depois”, relatou.
Os bancos, no entanto, parecem estar cumprindo os pontos da lei relativos à estrutura das agências, como a colocação de painel eletrônico para convocação por ordem de chegada, cadeiras, bebedouro, banheiros – adaptados para deficiente – e caixas em três categorias: o convencional, que realiza mais de três operações; o rápido, que deve realizar até três solicitações do usuário; e o especial, destinado às pessoas idosas, deficientes e gestantes.
O banco precisa também disponibilizar um aparelho telefônico para os consumidores que quiserem fazer queixas ao Procon. A maioria dos clientes ouvidos pela reportagem não teve queixas relativas a esses itens.

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