• Ceclin
out 23, 2008 1 Comentário


Balanço eleitoral

por Hely Ferreira
Depois de muita especulação e troca de acusações entre os candidatos, finalmente se sabe quem irá governar os municípios pernambucanos. Há uma naturalidade em relação às eleições municipais, onde o acirramento é algo notório, já que está em jogo o destino da cidade em que o cidadão tem seu domicílio eleitoral e, na maioria das vezes, o domicílio civil. Daí, não ser debalde o comportamento de alguns eleitores em relação ao pleito.
Na cidade do Recife, a vitória do candidato da situação poderá trazer um novo modelo do cenário em relação às eleições de 2010. Por mais que se negue, as atenções já estão voltadas para o próximo prélio eleitoral, causando certo incômodo a algumas lideranças. É natural que existam várias especulações, pois, tratando-se de uma capital do porte do Recife, é no mínimo ingenuidade acreditar que, ainda que veladamente, não exista nenhuma manifestação voltada para daqui a dois anos. Mas não é só Recife que vive antecipadamente 2010.
Em Olinda, a vitória do também candidato da situação demonstrou que há certa harmonia entre as administrações da primeira capital de Pernambuco e da capital atual, repetindo o cenário de 2004, quando as duas cidades reelegeram seus prefeitos sem ter a necessidade de disputar um segundo turno.
Porém, existe uma cidade na região metropolitana onde as atenções estão voltadas de forma acendrada. Jaboatão dos Guararapes como sempre vive uma nova expectativa em relação ao Poder Executivo Municipal. Famosa por suas várias intervenções, a vitória do ex-prefeito da vizinha cidade do Cabo de Santo Agostinho demonstrou que o eleitor da segunda maior cidade da região metropolitana do Recife cansou do pandemônio e resolveu apostar que tudo será diferente e melhor.
No que tange ao interior do estado, o quadro final fez voltar alguns atores que estavam já há bastante tempo longe da esfera do Poder Executivo. Foi assim na principal cidade da Zona da Mata e na principal cidade do Agreste. Mas, na maior cidade do Sertão pernambucano as urnas “resolveram”, como Ulysses, aprontar mais uma peripécia eleitoral.
Resta agora aos vencedores honrarem o voto de confiança que lhes foi dado pelo povo, e, àqueles que não obtiveram êxito nas urnas, exercerem o papel de oposição com responsabilidade e aprender, como diz uma das canções de Roberto Carlos, que às vezes só ganha quem sabe perder .

por Hely Ferreira,
* Cientista político