Ceclin
abr 11, 2010 2 Comentários


Automedicação em foco no A VOZ da VITÓRIA

As estudantes do Colégio Municipal 3 de Agosto Jéssica Mayra da Silva Oliveira, Maria Luciane de Luna Santos e a Professora Josely Alves de Paiva Henriques desenvolveram um projeto sobre Automedicação com alunos do ensino médio nas escolas públicas do Município da Vitória de Santo Antão. Esse projeto foi finalista da 8ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE) que foi realizada em São Paulo entre os dias 8 e 13 de março de 2010.

Para inteirar a população de Vitória sobre este assunto, convidamos os autores do projeto e Renê Duarte que é Farmacêutico, professor de Farmacologia da UFPE/CAV, mestre em ciências farmacêuticas e coordenador do Projeto Farmácia Viva da UFPE/CAV, os quais vieram aos estúdios da Rádio Tabocas FM (98,5) e falaram no Programa A VOZ DA VITÓRIA sobre esse projeto.

Acompanhe os pontos principais da entrevista:


Depoimento da Professora Josely

Segundo a professora Josely Paiva que possui grande experiência com alunos de ensino fundamental e médio, afirmou que foi muito gratificante para ela e motivo de orgulho para os professores ver um projeto feito por alunos da rede pública de ensino ser finalista em um evento tão importante como esse que foi realizado em São Paulo.

“Esse projeto não é o primeiro, já fizemos um trabalho sobre tabagismo e outro sobre reaproveitamento de alimentos que foram apresentados no espaço ciência em 2006, com a participação de alunos do ensino fundamental”, lembrou Josely.

A professora falou que o aluno não deve ficar restrito a sala de aula, pois ele deve procurar novos horizontes e novas maneiras de aprendizado.

“O aluno tem que se focar fora das salas de aula, tem que sair em campo em busca de conhecimento. Quando percebemos um aluno querendo buscar mais conhecimentos do que existe na sala de aula procuramos apoiá-lo para que desenvolva o seu potencial, que é o caso das alunas em questão”, enfatizou a professora.

Sobre o projeto

Segundo a professora Roseli, o projeto surgiu a partir de uma observação feita pelas alunas, Jéssica e Maria Luciana, entre os próprios colegas de escola, que ao sentir algum incômodo perguntava para os amigos se tinham comprimido para esse sintoma.

“A pesquisa foi feita com aproximadamente 400 alunos seguindo critérios científicos que foram pesquisados tanto na Internet quanto na literatura tradicional específica sobre o assunto, sempre com a orientação dos professores”, lembrou a mestre.

Segundo as alunas, a pesquisa foi feita com alunos de 15 a 20 anos que cursam o ensino médio nas escolas 3 de Agosto, João Cleofas, e Weigélia Galvão, foram feitos em turnos diferenciados e o resultado foi que 70% das pessoas questionadas se automedicam.
“Percebemos que as mulheres se automedicavam mais que os homens. Acho que por causa do cuidado maior que elas têm com a própria saúde embora que ao se automedicar coloquem a própria saúde em risco”, relatou Jéssica

“O homem é mais descuidado e só procura auxílio médico nos últimos instantes quando as coisas estão complicadas demais”, completou Maria Luciane.

As alunas descobriram que os medicamentos mais utilizados pelos alunos eram os analgésicos e o sintoma mais reclamado foi a “dor de cabeça”.
“Essa dor de cabeça chama muita a atenção, pois ela pode ser sintoma de uma doença mais séria como hipertensão, por exemplo, e ao se tomar analgésico automaticamente as pessoas estão aplicando um paliativo”, enfatizaram as alunas.

Segundo as alunas, a principal influência para a automedicação entre os adolescentes eram pessoas próximas que tiveram sintomas parecidos e tomaram o medicamento com êxito. Outra questão relativa à automedicação percebida pelas alunas foram os produtos fitoterápicos e ervas medicinais, pois as pessoas acham que por ser derivados de plantas poderiam ser usados sem discriminação.

Pesquisa popular

Durante o Programa o repórter Emerson Lima esteve nas ruas do Centro comercial da Vitória entrevistando a população fazendo a seguinte pergunta:

“O que o senhor (a) faz quando sente dor de cabeça, febre, procura um médico ou vai a uma farmácia e compra remédios por conta própria?”

A maioria das pessoas entrevistadas afirmaram sem cerimônia que ao aparecer qualquer sintoma clínico se dirigiam de imediato a uma farmácia para aliviar as dores.

Professor Renê Duarte

Participando da entrevista o professor Renê Duarte elogiou o trabalho das meninas e a importância da interação entre escolas e faculdades, principalmente quando se trata de ensino público. Completou dizendo que ao fazerem uma pesquisa de cunho científico como as das alunas a resposta é sempre previsível.

“A automedicação não é só você tomar um remédio por conta própria, é também aceitar um medicamento oferecido por uma pessoa que indicou sem ter propriedade científica para isso”, esclareceu o professor.

Rene alertou para a série de riscos que uma pessoa corre ao tomar um medicamento por conta própria.
“Muitas vezes tomar uma medicação para uma simples dor de cabeça, uma febre, você mascara a doença de base. Febre, dor de cabeça, às vezes são sintomas de patologias graves, você baixa a febre e a doença se alastra e quando o paciente procura atendimento médico a doença estará tão avançada que às vezes torna-se mortal”, enfatizou.

Rene alertou para o perigo da automedicação em pessoas idosas, crianças, gestantes e mulheres em fase de lactação, principalmente para a criança que está sendo amamentada, pois vestígio do medicamento pode afetar a criança causando intoxicação.
“Quando um paciente com patologia crônica se automedica o risco é maior devido aos medicamentos que essa pessoa toma. Pacientes que tem diabetes, hipertensão, fazem uso de medicamentos retroviral, ao se automedicar podem influenciar no tratamento que está fazendo diminuindo assim a eficiência dos remédios que utilizam”, alertou Rene.

Quanto ao uso de agentes fitoterápicos o professor esclareceu a diferença entre os fitoterápicos e as plantas medicinais
“Plantas medicinais são aquelas que as pessoas cultivam em casa e a partir delas fazem as infusões. Os fitoterápicos têm registro e já estão disponibilizados na farmácia. As pessoas usam os fitoterápicos com aquela premissa de que ‘se bem não faz – mal não vai fazer’, já existem pesquisas sobre as interferências dos agentes fitoterápicos e plantas medicinais nos medicamentos, muitos são alterados quando se toma junto com algum tipo de chá”, alertou professor Rene.

O professor informou que 50% dos remédios vendidos no Brasil é da influência de automedicação, “porque quase todos os estabelecimentos comerciais vendem medicamentos, de um posto de gasolina a um supermercado e isso é um perigo, pois um medicamento tomado sem prescrição médica pode levar as pessoas a um quadro de toxicidade que poderá ser mortal. A diferença entre o remédio e o veneno é a dose”, esclareceu o professor.

Outro alerta do professor Renê foi quanto aos remédios de referência que às vezes o balconista da farmácia tenta oferecer um similar como se fosse um genérico.
“Remédio genérico tem a identificação na embalagem, e a descrição da lei que o aprovou como medicamento genérico”, concluiu.

Finalizando a entrevista, o professor Rene falou sobre a automedicação responsável que se dá quando o medicado tem problemas de baixa gravidade e procura um farmacêutico responsável. “Ele vai orientar o paciente a tomar o medicamento adequado e convencer a pessoa a procurar atendimento médico em casos graves”.

Apresentação:Lissandro Nascimento
Produção: Jáder Siqueira, Orlando Leite e Cláudio Gomes.
Equipe: Emerson Lima, Berg Araújo, Genilda Alves.