• Ceclin
out 13, 2010 8 Comentários


Aumenta a rejeição ao aborto no Brasil

71% afirmam que legislação sobre o tema deve ficar como está e 7% apoiam a descriminalização, diz Datafolha

Apoio à proibição do aborto é a mais alta em 17 anos, desde que o levantamento começou a ser feito pelo instituto
UIRÁ MACHADO
da Folha de São Paulo
O apoio à proibição do aborto é o mais alto no Brasil desde 1993, quando o Datafolha começou a série histórica de perguntas sobre o tema.
Segundo pesquisa realizada na última sexta-feira em todo o País, 71% dos entrevistados afirmam que a legislação sobre o aborto deve ficar como está, contra 11% que defendem a ampliação das hipóteses em que a prática é permitida e 7% que apoiam a descriminalização.

Atualmente, o Código Penal brasileiro classifica o aborto entre os crimes contra a vida. A pena prevista para a mulher que o provocar ou permitir a prática em si mesma vai de um a três anos de detenção (artigo 124).

O código prevê duas situações em que o aborto não é crime (artigo 128): se não há outro meio de salvar a vida da gestante e se a gravidez é resultado de estupro.
Segundo Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, a rejeição recorde ao aborto pode ser resultado da ampla exposição que o tema teve nas últimas semanas.
CAMPANHA
O aborto ganhou espaço na mídia e na boca dos candidatos a presidente no final do primeiro turno, impulsionados pela movimentação de Evangélicas, Católicos e Espíritas, que pregavam voto anti-abortista
Na propaganda eleitoral de sexta, a primeira do segundo turno, tanto Dilma quanto José Serra (PSDB) falaram sobre o tema.
Segundo o Datafolha, a taxa dos eleitores que afirmam querer que a lei fique como está é semelhante entre os que no primeiro turno votaram em Dilma (71%), em Serra (72%) e em Marina Silva (70%), candidata do PV.
O apoio a campanha contra a descriminalização é razoavelmente homogêneo em todas as faixas da população, sempre em torno de 70%.
A série de pesquisas sobre o tema mostra que o Brasil não aceita a posição pró-aborto.