Ceclin
ago 31, 2013 0 Comentário


Até 2016 universidades federais terão 50% de estudantes cotistas

Antonio Oliveira começou a trabalhar aos 13 anos fazendo um pouco de tudo para ajudar os pais na sua cidade natal Colinas, no Maranhão. Foi ajudante de feira, trabalhou em supermercado, vendeu sacolé na rua, trabalhava com os irmãos no campo ajudando os pais a cultivarem grãos e hortaliças. Depois, ia com o pai vender na Ceasa.

Antonio estudava em escolas públicas rurais e desde o fim do ensino médio tinha um sonho: ir para uma das grandes universidades federais brasileiras, no Rio, em Brasília ou em São Paulo. Aos 24 anos, Antonio acaba de completar seu primeiro semestre estudando Ciências Econômicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ele entrou na primeira turma da instituição desde que a presidente Dilma Rousseff sancionou, há um ano, a Lei das Cotas. A lei estabelece uma reserva de 50% das vagas em todas as universidades federais brasileiras para alunos de escolas públicas, famílias de baixa renda e ascendência negra ou indígena (o primeiro critério é obrigatório e os demais podem coincidir ou não).

A medida, acredita Antonio, ajudará muitos como ele a vencer o ciclo da pobreza. “Quem nasceu no interior, principalmente no Norte e Nordeste, não tem perspectiva de fazer uma faculdade, e ter um emprego melhor”, diz. “Nessas cidadezinhas, as únicas alternativas são ir para o campo ou trabalhar na prefeitura. Antes não havia perspectiva de sair e estudar.”

Ação afirmativa

Antonio se inscreveu para o benefício das cotas com base nos critérios racial (ele é mulato) e social. Ele conversou com a BBC Brasil logo antes de fazer uma prova, debruçado sobre um pesado livro de microeconomia no pátio interno do Instituto de Economia da UFRJ, no campus da Praia Vermelha.

“Aqui estou, cursando o primeiro semestre, sofrendo a duras penas, tendo que estudar muito. Algumas matérias são bem difíceis, e eu não tive uma base muito boa”, admite.

“Mas isso não é desculpa, porque com um esforço maior dá para compensar, e é isso que estou fazendo. Acabo tendo que estudar o dobro, pegar monitoria com os colegas, tudo para ter uma boa educação na universidade.”

A chamada “ação afirmativa” começou a ser adotada por universidades no Brasil há dez anos, com o objetivo de aumentar o acesso de jovens de camadas desprivilegiadas ao ensino superior – e, por conseguinte, a melhores empregos, buscando aumentar a mobilidade social.

Neste ano se completaram 125 anos desde a abolição da escravatura no Brasil, mas a desigualdade racial ainda é gritante quando se fala em renda e oportunidades na educação.

Dados do IBGE mostram que a renda dos negros é em média pouco mais da metade que a de brancos (no ano passado, nas seis principais regiões metropolitanas brasileiras, brancos ganhavam em média R$ 2.237, enquanto negros ou pardos ganhavam R$ 1.255). A população branca tem em média dois anos a mais de ensino que negros e pardos.

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