Ceclin
jan 23, 2011 0 Comentário


Associação muda vida de mulheres em Gravatá

Grupo produz sabão em barra a partir de óleo de cozinha usado


BRUNO BASTOS

Em um pequeno galpão na comunidade Maria Auxiliadora, em Gravatá, no Agreste pernambucano, as integrantes da Casa das Mulheres de Gravatá se dedicam à produção de sabão em barra, feito a partir da reciclagem de óleo de cozinha.

O material é doado por restaurantes e lanchonetes da própria cidade, que dessa maneira asseguram o descarte do resíduo e evitam a poluição dos cursos d’água da região. Depois de prontos, os sabões são vendidos por R$ 0,50 a barra – a maioria é comprada pelas próprias donas de casa do bairro.

Segundo a presidente da Casa das Mulheres, Bernadete Barbosa, a produção começou quando ela e outras quatro associadas frequentaram um curso de saponificação – processo de transformar óleo em sabão, misturando água, soda cáustica e desinfetante líquido – oferecido em 2009 por uma professora da Universidade Federal de Pernambuco.

“Eu vi a receita e comecei a fabricar o sabão. Com cinco litros de óleo dá para fazer de 40 a 50 unidades”, relatou Bernadete.
Ela fundou a associação há seis anos com o objetivo de proporcionar uma atividade para as mulheres da comunidade que, segundo ela, não tinham nenhum tipo de ocupação.

A reciclagem é relativamente simples. Em um balde grande, as mulheres dissolvem a soda cáustica em água, adicionam o desinfetante e o óleo. Logo em seguida, elas mexem a mistura com uma colher de pau até “acertar o ponto”, que é quando o sabão ganha uma consistência pastosa. A mistura é despejada em uma forma quadrada, dividida em pedaços retangulares e deixada para perder a umidade. “A gente não tem um volume fixo de produção porque dependemos do óleo que é enviado pelos restaurantes. O nosso objetivo, agora, é conseguir uma batedeira industrial, para fabricar o sabão em larga escala”, acrescentou a presidente.
Além do sabão “reciclado”, as mulheres de Gravatá também participam de cursos de formação profissional, fazem e vendem produtos artesanais, como capas de almofadas, bordados, bonecas de pano e doces; e têm acesso a programas de microcrédito.

De acordo com a dona de casa Regineide Alves, de 46 anos, a associação mudou a realidade da comunidade. “A gente até consegue tirar um dinheiro legal com as encomendas, mas o ganho maior para mim é psicológico. A gente sai de casa, trabalha com as amigas e se sente útil”, disse.
(Folha de Pernambuco).