• Ceclin
jun 07, 2009 2 Comentários


As vantagens de estar na periferia

Da Coluna JC Negócios
do Jornal do Commercio.


Publicado em 06.06.2009

Apesar de não pertencerem ao espaço oficialmente denominado de Região Metropolitana do Recife, os municípios de Vitória de Santo Antão e Escada estão cada vez mais integrados aos projetos desenvolvidos para o Complexo Portuário de Suape. E eles usam na sua estratégia de captação de empreendimentos dois argumentos considerados decisivos para indústrias que, necessariamente, não precisam estar no território portuário do complexo. Serem cortados por rodovias federais (BR-101 no caso de Escada, e BR-232 no caso de Vitória) e 10% a mais de isenção fiscal que os municípios da RMR.

Enquanto Vitória já começa a usar a captação da fábrica da Sadia para atrair empreendimentos afins ao complexo industrial e de logística, Escada já atraiu além da Silver-Tigre (tubos e conexões), a Ghel Plus (metalmecânica) e a Valex 2 (colchões) e deve ter aprovada, na próxima reunião do Condic, a Alpatech. No caso de Escada, o argumento é ser o primeiro município ao Sul da área de Suape podendo oferecer, além da rodovia que está sendo duplicada, isenção de até 85% se comparado a Ipojuca, por exemplo, cujo o limite no Prodepe é 75% do ICMS devido.
A situação de Vitória é idêntica. Ela também oferece 85% de isenção de ICMS estando às margens da BR-232. Uma situação que ganha, por exemplo, de Moreno, que recentemente captou a processadora de arroz Somar, mas tem sérios problemas de terrenos maiores, o que lhe tira maior poder de competitividade. E revela uma nova face da força de atração de Suape, que não se restringe mais ao Cabo ou Ipojuca, onde os terrenos estão cada vez mais caros.


» Estrada e áreas planas maiores

O presidente da AD Diper, Jenner Guimarães, reconhece que os dois municípios, seja pela estrada, seja pela maior isenção fiscal, mesmo sendo vizinhos do território estratégico de Suape, estão sendo beneficiados por ele. Ele afirma que as prefeituras das cidades estão atentas e já centram o discurso de que se a atividade não depende diretamente do porto, o fato de estarem a 10 ou 15 quilômetros mais distante dos municípios da RMR, não lhes tira competitividade. Além disso, eles oferecem áreas planas maiores, que exigem menos investimentos de terraplenagem que Suape.


» Topografia ruim

A questão da preparação de áreas tem se tornado um complicador até para Ipojuca, cuja topografia exige maiores deslocamentos de terra para seus terrenos. E isso reforça a proposta de que só devem ficar no núcleo de Suape as empresas que, de fato, precisam de porto.

» Áreas pequenas

Mas a questão da topografia dos terrenos também tem se tornado um problema para o município de Moreno, que ainda não conseguiu captar mais projetos porque sua topografia exige grande investimento para projetos de maior porte em termos de área.

» Distrito industrial

Assim como Escada decidiu apostar num distrito industrial próprio para captar empresas que precisam estar na rota de Suape, em Jaboatão foi a iniciativa privada que decidiu apostar na construção de distritos de logística, como será o da Construtora Moura Dubeux nas margens da BR-101.

» Novos eixos

A chegada de novos eixos em Suape (naval e petroquímico) acabou gerando mais força de atração ao complexo, somando-se a que já existia com industriais, o Tecon e o terimnal de granéis. Os novos eixos trouxeram cadeias produtivas que não faziam parte de Suape, aumentando a pressão por área.

(Jornal do Commercio).