Ceclin
out 30, 2008 0 Comentário


Arpe e Copergás jogam culpa para a Petrobras

Publicado em 30.10.2008

Em Pernambuco, preço do gás natural já acumula elevação de 28,96% ao longo deste ano. A partir de sábado, o combustível sobe mais 6,35%, em média. Segundo Arpe e Copergás, Petrobras é a vilã

A culpa é da Petrobras. A expressão deu o tom da audiência pública realizada ontem (29) na Comissão de Defesa da Cidadania da Assembléia Legislativa para discutir a escalada do preço do gás natural em Pernambuco, que já acumula alta de 28,96% ao longo de 2008. A Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) e a Companhia Pernambucana de Gás Natural (Copergás) orquestraram um discurso afinado, afirmando que não existe outra alternativa senão repassar para o consumidor os índices de aumento impostos pela Petrobras, enquanto o setor não definir uma regulação tarifária. A estatal estava sem representação na audiência. Depois de amanhã entra em vigor o quinto reajuste do ano, que vai ficar em média em 6,35%.
O advogado do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Walter D’Angelo chegou a ironizar a Copergás e a Arpe durante a audiência. Na última sexta-feira, o sindicato deu entrada na 6ª Vara da Fazenda Pública Federal numa medida cautelar pedindo que o reajuste seja suspenso. “Depois de ouvir os discursos aqui, vejo que poderíamos ter três autores nesta ação (fazendo referência ao Sindicombustíveis, Arpe e Copergás), já que todos são contrários à política de reajustes da Petrobras”, alfinetou.

O advogado também questionou porque a própria Copergás, ou por meio da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), não aciona a Petrobras na Justiça. O Sindicombustíveis aguarda para a próxima semana um retorno da Justiça.
O representante da Copergás, Ricardo Lamassa, respondeu que na última reunião da Abegás a política de preços da Petrobras foi fortemente criticada. “Mas é difícil mudar essa situação. Talvez quando outras empresas, a exemplo da Vale (do Rio Doce) e a Repsol, entrarem no setor as coisas possam mudar”, desconversou. Uma das dificuldades da Copergás de processar a Petrobras é porque a estatal é acionista da companhia, com 24,5% de participação.
O presidente da Arpe, Ranílson Ramos, afirmou que a agência tem homologado os repasses no preço do gás propostos pela Copergás para o consumidor na tentativa de “evitar que a distribuidora quebre.” “Temos repassado os índices referentes apenas à commodity (só o combustível, sem levar em consideração a tarifa de transporte). Ao longo dos últimos anos, a perda de margem da Copergás foi de 5,6%, o que significa uma diminuição de R$ 27 milhões num faturamento de R$ 500 milhões projetado para 2008”, calcula.

Ranílson também defendeu a Copergás, dizendo que se os aumentos não fossem repassados, o prejuízo seria de R$ 150 milhões.
O coordenador regional da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Francisco Castro Neves, minimizou o impacto do problema. “No caso do gás natural veicular (GNV), o consumidor tem a opção de mudar para álcool ou gasolina”, disse, negando que o governo federal fez uma grande campanha para estimular o uso do combustível.
(Jornal do Commercio).