Ceclin
out 08, 2008 0 Comentário


Após quebra-quebra, segurança em Vitória

Publicado em 08.10.2008


Jorge Cavalcanti

Um dia após o caos que tomou conta da Vitória de Santo Antão, o Município viveu ontem um dia de tranqüilidade. Apesar das marcas deixadas pelo quebra-quebra da última segunda-feira – como resto de pneus queimados e vidraças do fórum quebradas –, os policiais militares não registraram nenhum incidente. A coligação do prefeito e candidato derrotado à reeleição, Demétrius Lisboa (PSB), mais conhecido como Dedé, ingressou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com um pedido de recontagem de votos. O presidente da Corte, Jovaldo Nunes, encaminhou o ofício ao juiz eleitoral da cidade, Uraquitan Santos, mas já descartou a hipótese de uma nova apuração.
O comandante do 21º Batalhão, tenente-coronel Alexandre de Souza, não informou o efetivo à disposição, alegando “questão de segurança”, mas disse estar disposto a “garantir a ordem”. Pelo menos cerca de 20 homens foram espalhados pela cidade por precaução. Ao final da tarde, a presença da polícia nas ruas já não era tão ostensiva devido aos sinais de calmaria. Na última segunda, inconformados com o resultado do pleito, cerca de dez mil militantes de Dedé, cercaram o fórum e entraram em confronto com a polícia, usando paus e pedras. Setenta homens de três unidades Foram destacados e reagiram com bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo.
O deputado estadual e ex-prefeito Elias Lira (DEM) derrotou Dedé por uma diferença de apenas 232 votos – o que significa 0,3% dos válidos. Um boato sobre urnas que não teriam sido contabilizadas ganhou o município e revoltou os simpatizantes de Dedé, com a ajuda da Rádio Metropolitana FM, do ex-prefeito e padrinho da candidatura à reeleição, José Aglaílson (PSB). Acusado de incitar a militância, o radialista J. Menezes foi detido em flagrante na última segunda, mas foi liberado após o pregistro do termo circunstanciado de ocorrência (TCO).
O juiz eleitoral explicou que a cidade possui 287 seções eleitorais, mas 17 delas funcionam na mesma urna que outras, por terem menos de 50 eleitores. Por isso, são apenas 270 urnas e todas foram contabilizadas. Em uma entrevista veiculada pela Rádio Vitória FM, de Elias Lira, o magistrado classificou uma recontagem como um “exercício de imbecilidade”. “É mero inconformismo que é próprio do ser humano, que não aceita perder”, disse. Com cerca de 180 mil habitantes, Vitória não possui segundo turno – o que ocorre em municípios com mais de 200 mil eleitores. (Jornal do Commercio).