Ceclin
ago 04, 2012 1 Comentário


Após duas décadas, Jarbas e Eduardo voltam a subir no mesmo palanque

Foto: divulgação/Roberto Pereira

Blog do Jamildo

Em um dos primeiros atos da campanha eleitoral no Recife de que participa, a inauguração do comitê do candidato a vereador Jarbas Filho (PMDB), o governador Eduardo Campos (PSB) fez questão de exaltar, em seu discurso, o apoio que recebeu até agora de lideranças do PT, como o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff (PT). “Nós chegamos aqui inteiros, não para negar nosso passado e nossas divergências, mas para olhar para o futuro. Não renunciamos às divergências que temos no quadro nacional, sabe Jarbas muito bem da relação política que tenho com o ex-presidente Lula, a quem tive a honra de servir como seu ministro”, falou ao explicar a reaproximação com Jarbas.

No mesmo palanque de Eduardo após 20 anos, Jarbas lembra que ainda há divergências

“Tive a oportunidade de falar para ele [Lula] sobre a minha leitura do quadro nacional. Tive a oportunidade de comunicar ao presidente Lula (sic) as conversas que tive com Jarbas. De colocar o presidente Lula no telefone com ele, da casa do presidente Lula, para dizer exatamente que essas alianças se faz com quem sabe fazer aliança. Só tem medo de fazer aliança quem não tem identidade”, completou.

Juntos, mas nem tanto assim. Ao subir no mesmo palanque do governador Eduardo Campos (PSB) pela primeira vez após 22 anos afastados por uma rixa herdada desde o governo de Miguel Arraes – avô do socialista -, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) fiz questão de lembrar que a aliança não excluiu suas divergências políticas. O cenário da imagem das mãos unidas e levantadas que quase ninguém acreditava ver até pouco tempo atrás.

Em palanque com Jarbas, Eduardo reforça apoio de Lula

“Nós vínhamos conversando já há algum tempo e constatamos que tínhamos muito mais convergência do que divergências. O governador não me pediu que eu me rendesse nas minhas posições e nem eu pedi isso a ele. E não poderia pedir. E não pedi nenhum espaço de poder a ele. Eu, por exemplo, mantenho, e ele respeita, a minha posição de independência e de crítica ao governo federal, ao PT, sobretudo ao PT nacional. E o governador faz parte da base do atual governo da presidente Dilma. É um partido que tem uma posição de destaque, que dá sustentação ao governo federal”, explicou Jarbas.

O senador também fez questão de explicar que a aliança, prevista para 2014, foi antecipada por culpa da confusão interna do PT para escolher o nome que disputaria o pleito do Recife. “Esta aliança ela foi feita à luz do dia e não na base do subterfúgio. Fizemos isto para tentar salvar a situação em que a cidade se encontra. O PT abusou da consciência, da conduta, da inteligência dos recifenses. Nós somos contra esta prática de desrespeito ao povo do Recife. Pernambuco anda e o Recife fica parado. Humilhado, muito humilhado. O prefeito, por exemplo, coitado, não sei se é ele ou a sigla dele, ele hoje é contestado pelo rico, pelo pobre. É generalizada a rejeição, porque o abandonaram, o deixaram na rua. Brigaram muito mais do que tiveram convergência”, criticou o peemedebista.

Mais cauteloso, Eduardo Campos preservou o tom de paz política que a campanha do seu candidato a prefeito, Geraldo Julio (PSB), vem adotando. “A nossa campanha reuniu um grupo de lideranças que tiveram e têm um papel importante na história de Pernambuco e do Recife. Esse gesto de hoje se escreve com o “P” maiúsculo da política”, afirmou. “Só quem tem coragem sabe fazer a paz”, finalizou, citando o líder espiritual indiano Mahatma Gandhi.