Ceclin
nov 20, 2015 0 Comentário


Aos 65 anos, Instituto Histórico honra o rico acervo da tricentenária Vitória de Santo Antão

Pedro Ferrer - IHGV 65 anos - A Voz da Vitóriapor Lissandro Nascimento

Responsável por conservar e preservar boa parte dos traços históricos, sociais e culturais da memória da tricentenária Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, o Instituto Histórico e Geográfico da Vitória (IHGV), ao longo destes seus 65 anos se destaca como um dos importantes museus do interior pernambucano e como orienta o seu Estatuto, a data foi comemorada na noite dessa quinta-feira, 19 de novembro, no Teatro Silogeu Prof. José Aragão, na Matriz.

O evento pelos 65 anos desta instituição contou com as presenças de alguns presidentes de Institutos Históricos de outros municípios, a exemplo do Professor José Luiz da Motta Menezes, presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, que fez uma preciosa palestra abordando os “Desafios e perspectivas dos Institutos Históricos na atualidade. A importância destes órgãos para a História e a Geografia do Brasil”.  Um bolo comemorativo foi cortado para celebrar o dia de fundação do IHGV e na oportunidade, o Museu foi palco de uma exposição de Esculturas do artista vitoriense, Joaquim Augusto Siqueira Ferrer de Morais, com o Tema: Reiteração da matéria, com obras de arte esculpidas sob ferro e aço inox.

O Presidente Pedro Ferrer expôs um balanço das atividades realizadas pelo Instituto Histórico ao longo de 2015, quando destacou que a agenda institucional é intensa e que dezenas de atividades diversas estão sendo realizadas, as quais sua sede tem sido constantemente procurada. Ele não poupou merecidas críticas a alguns ataques à memória histórica vitoriense, a exemplo da tentativa de alguns legisladores de impor drásticas mudanças de nomes de ruas em detrimento de personagens importantes para a história local. Outro lapso,  observado por Ferrer, foi uma faixa exibida por estudantes da Escola Municipal Pedro Ribeiro no último desfile de 07 de Setembro, evocando Pedro Ribeiro como herói do Monte das Tabocas, que por sinal se trata de um erro crasso.

Um dos momentos marcantes da noite foi a aposição da foto no IHGV de uma das suas estimadas sócias, Diva Andrade de Holanda Bastos, falecida no último mês de maio. Em seguida, o ativista do movimento negro, Pe. Clóvis Cabral recebeu a mais importante Comenda do IHGV pelas relevantes contribuições dispensadas a entidade. Do mais, foi empossado como mais novo sócio o Poeta João Nicodemos, mais conhecido por João do Livramento, que na oportunidade recitou um poema genuinamente “barrista” vitoriense.

O conferencista deste aniversário, o arquiteto José Luiz Menezes justificou ao longo de sua intervenção, o fato de entidades como a do Instituto vitoriense, alçar a condição de importante patrimônio. Ele buscou em meados do Século 19 as razões da humanidade catalogar suas memórias, inicialmente com a cartografia. “É preciso afirmar antes de tudo que a História é a sistematização de memórias individuais, contudo, o conjunto que completa a sociedade é um pertencimento coletivo, pois nós somos parte dela, não se trata apenas de um ato individual”, introduziu. Preocupado com a dispersão da rica memória histórica vitoriense, o arquiteto mandou um recado: “Os cidadãos de Vitória precisam estar identificados com a história da cidade”.

??????????Luiz Menezes assinalou que foi no século 19 quando a civilização buscou formar sua memória através de documentos e fontes oficiais. Tal esforço chegou ao Brasil, o que motivou a formação do 1º Instituto Histórico no Rio de Janeiro incentivado por D. Pedro II. “Os institutos são criados diante da necessidade dos intelectuais. Foi daí que começou a ser criada a identidade brasileira, com as contribuições de Capistrano Abreu (destacável atuação), junto com Alfredo Carvalho e José Higino D. Pereira”, salientou, observando que o Arquivo Nacional é o mais antigo. Em Pernambuco, entre 1859 a 1862 surgiu também seu Instituto incentivado pelo Imperador.

O palestrante considerou que a Revolução de 1817 foi o fato histórico mais fiel desta identidade brasileira, em razão de ter sido retratado e documentado por várias visões dos intelectuais da época.

Por fim, Luiz Menezes fez rasgados elogios ao Museu vitoriense e considerou um de seus fundadores, o Mestre José Aragão, como um dos grandes historiadores de Pernambuco do Século 20. “Grande amigo e uma das pessoas mais honestas que conheci na minha vida”, testemunhou. Ele ainda considerou que o IHGV segue corretamente seu caminho e deu certo por contar ao longo dos seus 65 anos de pessoas abnegadas, elogiando sua organização e desprendimento com as grandes questões locais. “O museu tem que ser decodificado para quem ver”, aconselhou.

anigif IHGV 65