Ceclin
out 16, 2008 4 Comentários


Alanir é anistiado e receberá indenização

Publicado em 16.10.2008

Dirigente do PCdoB pernambucano terá direito a indenização de R$ 468 mil e a pensão mensal de R$ 2 mil. Dom Marcelo Carvalheira, arcebispo emérito da Paraíba, também foi anistiado
Por ter sido preso e torturado durante o regime militar, o presidente regional do PCdoB, Alanir Cardoso, foi anistiado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Além de um pedido formal de desculpas do Estado, Alanir receberá uma indenização de R$ 468,2 mil e uma pensão mensal avaliada em R$ 2 mil. O dirigente comunista era militante da Ação Popular (AP), movimento que lutava contra a ditadura que comandou o Brasil entre 1964 e 1985. Foi preso na cidade de Goiânia, em 1969, e condenado a dois anos e três meses de reclusão.
Naquela ocasião, o comunista estava ao lado do pastor Fred, como era conhecido o religioso Frederick Birten Morris, que cedia a sua residência para reuniões de grupos que atuavam na clandestinidade contra os militares. Pastor Fred também foi anistiado – receberá uma indenização de R$ 285 mil e uma pensão mensal de R$ 2 mil. Membro da Igreja Metodista, foi expulso do País em 1974, só voltando em 1988.
Depois de sua primeira prisão em Goiânia, o militante Alanir Cardoso voltou a ser detido pelos militares. Em 1974, ano da expulsão do pastor Fred, ele foi levado por policiais para a sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Recife, onde foi torturado. Condenado, mais uma vez, cumpriu pena de quatro anos e seis meses de reclusão. Foi solto em 1979 – ano da anistia política brasileira –, mas até hoje carrega as seqüelas das prisões, perseguições e torturas sofridas no regime militar. A reportagem do JC tentou falar ontem com Alanir Cardoso, mas não conseguiu localizá-lo.
DOM MARCELO
Além de Alanir e do pastor Fred, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça anistiou também o arcebispo emérito da Igreja Católica na Paraíba, Dom Marcelo Pinto Carvalheira, que hoje mora em Pernambuco – no Mosteiro de São Bento.
Acusado de exercer atividades subversivas e de esconder militantes políticos em seminários, Dom Marcelo Carvalheira foi preso e torturado em 1968 durante 51 dias. Ele receberá uma indenização de R$ 100 mil. Outros religiosos perseguidos pela ditadura também já foram anistiados, como o ex-padre português Alípio Cristiano de Freitas.
O ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, disse que é fundamental reconhecer o papel da Igreja, “seja ela católica, anglicana ou evangélica”, na proteção às pessoas perseguidas durante o período de exceção no Brasil.
(Jornal do Commercio).