Ceclin
jun 11, 2011 0 Comentário


Agreste ganha nova área de conservação


MATA ATLÂNTICA Fazenda de Lagoa dos Gatos recebeu, ontem, título de reserva particular ao proteger 330 hectares de floresta


Uma área de 330 hectares de Mata Atlântica é a mais nova unidade de conservação privada de Pernambuco. Com 237 espécies de aves, 10 delas ameaçadas de extinção, a Fazenda Pedra D’anta, em Lagoa dos Gatos, Agreste, a 160 quilômetros do Recife, recebeu, ontem, o título de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
A propriedade, com 362 hectares, foi adquirida em 2004 pela organização não-governamental Save Brasil. A mata forma, ao lado de outra RPPN – a Frei Caneca, um contínuo florestal de aproximadamente 1.000 hectares. “Essa área, denominada Serra do Urubu, é o último refúgio do limpa-folha-do-nordeste, um pássaro que sofre forte ameaça de extinção”, diz a ornitóloga Tatiana Pongiluppi, assessora de Educação Ambiental da Save Brasil.

Segundo a pesquisadora, muitas das espécies que abrigam a Serra do Urubu dependem da floresta preservada para sobreviver. “São aves sensíveis a alterações no meio ambiente. Por isso é importante proteger a área”, atesta. O trabalho de reflorestamento e educação ambiental em Pedra D’Anta, destaca Tatiana, é desenvolvido em parceria com a Associação para a Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (Amane).

Entre as 10 espécies ameaçadas de extinção encontradas na propriedade, uma é restrita ao local. Trata-se do limpa-folha-do-nordeste, conhecido pelos cientistas como Philydor novaesi, um pássaro avermelhado que se alimenta de insetos e aranhas que captura na copa das árvores. “Antes era encontrada em Murici, município de Alagoas, mas desde 2005 é avistada apenas na Serra do Urubu”, informa a ornitóloga.

Outra raridade dessa lista de 10 espécies é o pintor-verdadeiro, denominado Tangara fastuosa no meio científico. Com penas coloridas, o que lhe valeu o título de espécie símbolo da Mata Atlântica do Nordeste, a ave é restrita à porção do bioma compreendida entre Alagoas o Rio Grande do Norte. Chamado de Centro de Endemismo Pernambuco, esse trecho da floresta atlântica é rico em espécies exclusivas.

O pintor-verdadeiro come principalmente frutas, tendo preferências pelas da família das melastomatáceas, a mesma da quaresmeira. Frequenta bandos mistos, podendo também ser vista em grupos ou pares. Mais generalista que o limpa-folha-do-nordeste, frequenta tanto o interior quanto a borda das florestas, tolerando um certo grau de perturbação no ambiente.

A Pedra D’Anta será a décima RPPN criada pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). A primeira, em 1997, foi a Fazenda Tabatinga, em Goiana. O proprietário desse tipo de unidade de conservação tem isenção de impostos rurais e a garantia de que a área será protegida para sempre.

“Ao ser averbada em cartório, uma RPPN não pode nunca ser alterada. O imóvel pode ser vendido ou repassado para herdeiros, mas não deixará se ser uma reserva”, esclarece.

(Jornal do Commercio).