Ceclin
jul 29, 2012 0 Comentário


A teoria da solidão cósmica

UNIVERSO Físico Marcelo Gleiser defende que espécie humana, por ser possivelmente a única forma de vida inteligente, preserve o planeta

Jornal do Commercio

A possibilidade de a espécie humana ser a única forma de vida inteligente no universo levou o físico Marcelo Gleiser, que fez palestra ontem no Recife, a empunhar a bandeira ambiental. “Com base na consciência da nossa solidão cósmica temos a missão moral de manter a vida no planeta, de cuidarmos do lugar que habitamos”, disse ele sexta-feira, durante o programa de Geraldo Freire, na Rádio Jornal.

Pesquisador da área de cosmologia, o físico brasileiro, professor de Dartmouth College, em Hanover, no Estado americano de New Hampshire, falou no Mar Hotel, em Boa Viagem, das 9h às 16h.

A entrada para o evento, promovido pela Universidade Internacional da Paz (Unipaz) de Pernambuco, custou R$ 150. Colunista da Folha de S. Paulo, Gleiser é autor da sete livros. O mais recente, Criação Imperfeita (Record, 366 páginas, R$ 49,90) aborda cosmo, vida e o código oculto da natureza.

Na universidade, ele tem se dedicado à pesquisa da origem da vida. Recentemente, sistematizou em artigo a evolução do universo em quatro eras.

“A da física, quando da universo e da formação das estrelas e dos planetas em torno deles. A da química, que usa as estrelas para formar todos os elementos da tabela periódica, o carbono, o oxigênio, o nitrogênio, tudo isso. A da biologia, quando ocorre a transição da química não viva para a viva. E a cognitiva, quando a química viva se transforma em seres capazes de refletir sobre o universo, como nós e alguns poucos outros seres por aí”, detalha.

Além de cético em relação à possibilidade da existência de vida extraterrestre, Gleiser refuta os objetos voadores não identificados (Ovnis). Para ele, é improvável que discos voadores tenham mesmo visitado a Terra.

E ironiza os registros de um caça americano abatendo um Ovni no Deserto do Novo México, na zona militar chamada Área 51. “Se os ETs tivessem desenvolvido tecnologia capaz de chegar à Terra como não teriam para evitar a destruição sumária por um simples avião, que até hoje sequer consegue desempenhar uma velocidade compatível com uma viagem no espaço?”, indaga.

Segundo ele, a espaçonave mais veloz é capaz de atingir uma velocidade de 50 mil quilômetros por hora. “Se pegássemos esse avião, levaríamos 100 mil anos para chegar à Alfa Centauro, a estrela mais perto de nós depois do Sol”, diz o cientista. Para ele, a humanidade está presa à Terra e no máximo consegue chegar às redondezas do espaço solar.

No debate, ouvintes perguntaram ao professor sobre a possibilidade de comunicação com espíritos. Gleiser lembrou que, para os pesquisadores, apenas o que se consegue provar que existe se torna uma verdade científica. “Perdi minha mãe aos 6 anos e até hoje, embora eu sempre desejasse, ela nunca se comunicou comigo.”