• Ceclin
ago 31, 2016 0 Comentário


A microcefalia na visão espírita

CARINHO "O importante nesse momento é termos resignação e amor à vida", atesta o médico

CARINHO “O importante nesse momento é termos resignação e amor à vida”, atesta o médico

por Dr. Stevam Rios

do Jornal Dezoito de Abril da Mocidade do Núcleo Espírita Investigadores da Luz (MEIL), publicado em agosto de 2016.

Por definição, microcefalia é uma condição neurológica rara em que a cabeça e o cérebro da criança são significativamente menores do que os de outras da mesma idade e sexo, podendo ser diagnosticada ainda na vida intra-uterina ou logo após o nascimento. Em recém-nascidos com mais de 37 semanas, considera-se microcefalia quando o perímetro cefálico é inferior a 31,9 cm em meninos e 31,5 cm em meninas, medidos 24h após o nascimento, sabendo-se que, quanto mais precoce acontece a microcefalia, maior o dano cerebral desses indivíduos.

As causas podem ser congênitas ou adquiridas após o parto, tendo o Ministério da Saúde atribuído à infecção pelo Zika Vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti como uma das causas principais ao surto atual que acomete vários Estados do Nordeste, especialmente Pernambuco. É sabido que o mosquito pode picar várias pessoas, inclusive gestantes, mas apenas algumas hospedarão o vírus ou desenvolverão a doença. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez devido à desorganização na migração neuronal que ocorre entre 8 e 14 semanas de gestação nessas pacientes.

A microcefalia pode ser acompanhada de epilepsia, paralisia cerebral, retardo no desenvolvimento cognitivo, motor e fala, além de problemas de visão e audição. Não há, no momento, tratamento específico para esta doença, contudo, terapias realizadas desde os primeiros meses de vida extra-uterina melhoram o desenvolvimento e qualidade de vida, sendo o acompanhamento realizado por diferentes especialistas, dependendo das funções que ficarem comprometidas. Pesquisas devem continuar a ocorrer para esclarecer questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e qual o período de maior vulnerabilidade para a gestante.

Diante de tantas dúvidas e preocupações com o progredir desta epidemia, é natural que tantos nos questionem sobre a posição do Espiritismo diante desses fatos. Sabe-se que a vida se inicia na concepção e ela é um direito inalienável de todos, independente de qualquer condição. A vida nos é outorgada por Deus e só ele pode nos cobrar de volta, sendo o espiritismo claro quanto a manutenção do direito desses nossos irmãos ao reencarne, momento imprescindível para sanar débitos adquiridos em vidas pregressas.

A permissão do nascimento, para que um espírito desempenhe o que lhe é destinado, é permitir que a Lei de Amor seja cumprida. É permitir que o outro retorne e refaça caminhos, antes feitos de maneira tortuosa.

O importante nesse momento é termos resignação e amor à vida, auxiliando no que for possível, esses irmãozinhos e suas famílias, para que possamos todos, dar passos largos a caminho da evolução espiritual.

Stevam Rios

 

 

Por Dr. Stevam Rios.

Ginecologista e Obstetra do Centro Clínico da Vitória de Santo Antão (CECLIN). Coordenador de Saúde do Instituto Espírita Vida.