Ceclin
nov 23, 2020 0 Comentário


A luta do povo negro é diária, lembra Sindsep-PE

O Brasil acordou estarrecido com as imagens que mostravam um homem negro sendo espancado e assassinado por seguranças do Carrefour, em Porto Alegre (RS), na noite da última quinta-feira (19/11), poucas horas antes do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. João Alberto Silveira Freitas tinha 40 anos e foi espancado até a morte depois de uma discussão com uma funcionária da loja. Algo que acontece corriqueiramente em um Brasil de ânimos exaltados, mas que nunca levou um homem branco à morte.

No Brasil, os casos de homicídio de pessoas negras aumentaram 11,5%, de acordo com o Atlas da Violência 2020. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2018, para cada pessoa não negra morta, 2, 7 negros  foram mortos.

Além da violência, o povo negro precisa lutar a cada dia por mais espaço na sociedade. O preconceito se traduz em números. No último censo do IBGE, de 2014, os negros e negras representavam apenas 17,4% da parcela mais rica do Brasil. De lá para cá, o País vive uma crise econômica, acentuada por uma crise política, agravada com o Golpe de 2016, com o governo de Jair Bolsonaro e agora, com a pandemia da Covid-19. Dados divulgados pelo Dieese semana passada, mostram que a população negra é a que está sofrendo mais com os efeitos do coronavírus no mercado de trabalho.

Dos 8 milhões de pessoas que perderam o emprego entre o 1º e o 2º trimestre de 2020, 6,3 milhões eram negros e negras, ou seja, 71%. E o arranjo da sociedade se reflete também no serviço público. Segundo o IBGE, 53,6% da população brasileira é composta por negros e pardos, mas eles representam apenas 35,6% do serviço público. O maior avanço em termos de políticas públicas afirmativas para o povo negro no serviço público foi a Lei nº 12.990/2014. Criada no governo Dilma Rousseff, a legislação reserva 20% das vagas de concursos aos negros e negras brasileiras.

Fatos como esse do Carrefour e os indicadores sociais mostrados na matéria dizem muito do que é preciso fazer. É simples. Lutar!

Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Pernambuco – SINDSEP-PE.