Ceclin
out 15, 2008 21 Comentários


A Imprensa do interior pede socorro

por Helder Sóstenes*

Na democracia moderna, o direito livre da manifestação de opiniões, idéias e pensamentos é garantido, sem que a censura tenha respaldo moral. No Brasil, quando a constituição de 1988 fora promulgada, várias garantias individuais foram conferidas. O debate vem à tona, em 2008, quando mais que nunca defende-se a revogação da chamada lei de imprensa, nascida para cercear a informação e a crítica, sendo em parte, contraria a liberdade de expressão da constituinte de 88.
A liberdade de expressão, não pode, contudo ser confundida com a falta de responsabilidade na disseminação de informações inverídicas. Os órgãos que fazem a imprensa devem ter consciência que tratar a informação como forma de alienação ou enganação, é plantar o descrédito, prejudicando o trabalho da impressa séria como um todo. A democracia infelizmente não atinge uma sociedade civil mal educada e desinformada, e é legítima quando os cidadãos são conscientes de seus direitos, levantando o debate crítico a governos ou políticas insensatas e tirânicas.
No interior, de Pernambuco, falo Vitória de Santo Antão, a situação é gritante. O município de aproximadamente 180 mil habitantes, possui: quatro rádios, quatro jornais, uma revista e uma estação de TV, dando inveja a cidades bem maiores como Jaboatão dos Guararapes que a tempo luta pela sua estação de TV. Se não bastasse o fato que parte dessa mídia é ligada aos interesses políticos. Recentemente fomos expectadores de rádios sendo fechadas pela polícia judiciária, televisão fora do ar não exibindo o guia eleitoral e jornais e revistas sendo processados por suspeita de divulgação pesquisas eleitorais falsas e de matérias com objetivos eleitorais diversos.
Como sabemos o Ministério das Comunicações e outros órgãos competentes, pouco tem interesse em saber de quem é a posse destes meios de comunicação, a final de contas, isto acontece em todo Brasil, e não é mais novidade pra ninguém. Como cidadãos, usando uma expressão popular, temos que separar o joio do trigo. Observar melhor os órgãos de imprensa e a vida pública das pessoas ao quais fazem parte. Existem inclusive, movimentos de organizações sem fins lucrativos, que levantam a bandeira para que a sociedade organizada não patrocine esse tipo de baixaria, pois desta forma estão mantendo o descrédito público, e pior, associando sua imagem, ou a de sua empresa a organizações muitas vezes envolvidas com a justiça ou com a polícia judiciária.

por Helder Sóstenes,
Editor do Correio do Interior em Vitória de Sto. Antão.