Ceclin
out 27, 2008 0 Comentário


A difícil missão de interiorizar


Publicado em 26.10.2008

por Adriana Guarda

Esparramar o desenvolvimento econômico pelo interior de Pernambuco. A expressão tem sido utilizada por representantes do governo para dar o tom do discurso de atrair empresas para fora da Região Metropolitana do Recife (RMR). Apesar da intenção, a missão de interiorizar não anda fácil para a gestão do governador Eduardo Campos.

Prestes a completar dois anos, no entanto, o governo contabiliza a chegada de poucas companhias em condição de desenvolver pólos econômicos em seu entorno, a exemplo da Sadia (Vitória de Santo Antão) e da Perdigão (Bom Conselho). O Pólo Farmacoquímico de Goiana, ancorado pela Hemobrás, também é apontado como um dos pontos fortes do projeto de interiorização, mas por sua complexidade ainda não deslanchou.
O Complexo Industrial Portuário de Suape – principal atracadouro de investimentos do Estado – tem contribuído para aumentar a concentração de empreendimentos na RMR. Enquanto o número de companhias em busca de um terreno no porto se multiplica, no interior as grandes empresas estão pingando. O economista Sérgio Buarque alerta sobre a dificuldade de interiorizar. “As empresas buscam se localizar nos espaços que oferecem estrutura competitiva. Para criar um ambiente atrativo é preciso oferecer infra-estrutura, mão-de-obra capacitada e inovação tecnológica”, enumera. Ele também alerta que é preciso avaliar o perfil das empresas. “Algumas precisam estar próximas do mercado consumidor, outras da matéria-prima, algumas são intensivas de mão-de-obra”, assinala.
O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), Jenner Guimarães, afirma que o trabalho do governo é criar condições de atratividade para as empresas. “Não estabelecemos uma meta de quantos empreendimentos queremos atrair porque a decisão é do investidor. O que fazemos é oferecer as localizações, mas não garantimos que as empresas vão acatar”, pondera.
Na área fiscal, o governo estadual aumentou o crédito presumido de ICMS para as microrregiões fora do Grande Recife, que antes não ultrapassava 75%. Pela legislação, a empresa que se instalar na Zona da Mata tem 85%, no Agreste 90% e no Sertão 95% de rebatimento no ICMS.

Apesar da diferenciação, alguns setores cobiçados pelo governo ainda não se convenceram em caminhar em direção ao interior. É o caso do segmento couro-calçadista. “Até o final deste mês será apresentado ao governador uma proposta de incentivo não apenas para calçados, mas para outras indústrias tradicionais do Estado, como têxtil e confecções e a atividade moveleira”, adianta Jenner.
A idéia é ir além da oferta de benefícios fiscais, adotando políticas como de doação de áreas. Para desenhar o novo pacote, o governo foi buscar a experiência de Estados como Paraíba, Ceará e Bahia.

O presidente da AD Diper reconhece que a tendência das empresas que migram para o interior é buscar municípios já desenvolvidos, a exemplo de Caruaru e Petrolina, ou pólos econômicos consolidados como confecções, fruticultura, vitivinicultura, avicultura, pecuária leiteira, caprinocultura e outros. Outras regiões oferecem menores condições de atratividade, como o próprio Agreste e os sertões do Pajeú, Itaparica e Moxotó. “Não podemos achar ruim se um empresário decide por Caruaru. Nosso papel é oferecer outras regiões, mas a decisão final é dele”, reforça Jenner.
(Jornal do Commercio).