Ceclin
ago 02, 2009 0 Comentário


A cachaça quer o mundo

Produtores de aguardente de cana buscam o reconhecimento internacional para a bebida. Objetivo é que a cachaça seja tida como um produto exclusivamente brasileiro, o que melhoraria as vendas

Etiene Ramos

Declarada como uma bebida produzida exclusivamente no Brasil por decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001, a cachaça ainda aguarda o reconhecimento internacional dos países importadores para ser, juridicamente, enquadrada como uma aguardante de cana típica do Brasil como determinou outro decreto presidencial, assinado em 2003 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Desde janeiro deste ano, o Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac) enviou ao Trade Tabaco Bureau (ITB), órgão do governo americano, a argumentação jurídica do escritório Gray Robinson, de Washington, para que os Estados Unidos aceitem a identificação da origem da cachaça brasileira e ela deixe de entrar no País como rum, bebida que não tem nenhuma relação de qualidade e procedência com o Brasil. Ocupando o posto de terceiro destilado mais consumido no mundo, a cachaça já é quase tão conhecida quanto a vodca, que detém o primeiro lugar, e o Soju, que fica em segundo e é consumido basicamente na Ásia.
PROCESSO

A vice-presidente do Ibrac, Maria das Vitórias Cavalcanti, diz que ainda não há previsão de quando o ITB dará o resultado. “O processo só vai andar depois que o presidente Barack Obama nomear as pessoas que faltam para o Tesouro americano”, justifica a vice-presidente, revelando que o Ibrac já gastou US$ 100 mil com o entrave jurídico. “Mas se conseguirmos o reconhecimento da tipicidade pelos Estados Unidos, ficará mais fácil abrir novos mercados e agregar valor à cachaça com ícones da nossa cultura como o carnaval e a música brasileira. Identificada como rum, que é produzido com tradição em países como Cuba, a bebida tem sua imagem enfraquecida”, diz.

ADAPTAÇÃO

Paralelamente, o Instituto trabalha para adaptar a cachaça brasileira às normas da Comunidade Européia que exige uma regulamentação sobre o uso da cachaça com especificações sobre o seu controle e suas características físico-químicas.
Na próxima terça-feira, a minuta do regulamento de uso de indicação geográfica da cachaça, elaborado pelo escritório Bhering Associados, do Rio de Janeiro, para a Câmara Setorial da Cachaça – formada pelo Ibrac, como representante dos fabricantes, e pelo governo federal – será analisada numa reunião do Ministério da Agricultura, em Brasília.

Se a minuta for aceita pelas autoridades brasileiras, será enviada ao Congresso Nacional pela Câmara Setorial da Cachaça para virar um marco legal, com a assinatura do presidente da República, que dará mais respaldo aos exportadores e mais prestígio à bebida no mercado europeu.

BENEFÍCIOS

Maria das Vitórias Cavalcanti diz ainda que com a identificação geográfica oficial os demais países não poderão mais dar o nome cachaça a outras bebidas fabricadas com cana-de-açúcar.
(Jornal do Commercio).