Ceclin
Maio 17, 2011 0 Comentário


77% de vítimas de acidentes de moto socorridas no HR não têm habilitação


É o que mostra a pesquisa realizada com 100 pacientes do Hospital da Restauração; ainda de acordo com o estudo, 30% dos motoqueiros afirmaram ter bebido exageradamente antes do acidente


Da Redação do pe360graus.com
Inicialmente, a economia de tempo que uma motocicleta pode proporcionar a seu condutor é vista como grande vantagem. Quando se observa em perspectiva, porém, a consequência de uma batida ou de uma queda onde haja envolvimento de um motoqueiro supera qualquer vantagem que ele possa ter tido antes.
Essa impressão é comprovada por uma pesquisa feita dentro do Hospital da Restauração (HR), unidade de saúde para onde se recomenda levar todos os pacientes seriamente feridos em acidentes. Feito entre os dias 25 de janeiro e 5 de maio, a pesquisa ouviu 100 pessoas que sobreviveram às colisões.
O levantamento revelou que 77% dos pacientes que estavam dirigindo não tinham habilitação para pilotar e, entre todos os que dirigiam, só havia uma mulher. A pesquisa mostrou ainda que 5% dos pacientes pesquisados tiveram amputações, 6% ficaram paraplégicos e 30% admitiram que tinham bebido. “30% confirmaram que tinham bebido exageradamente quando estavam andando de moto”, afirma o diretor médico do HR e coordenador da pesquisa, João Veiga.
Veiga afirma que o número de pacientes vítimas de acidentes de moto no HR só cresce: triplicou nos últimos dez anos. Com mais motos na rua e pouca prudência no trânsito, muitas vidas estão comprometidas. “É um tipo de lesão grave em progressão e que pode ser combatido se houver uma decisão política para isso”, explica João Veiga.
No sexto andar do prédio do hospital, ficam as enfermarias; as vítimas de moto ocupam quase 90% dos leitos. Há quatro anos, ocupavam 75%. O agricultor José Romariz foi um dos cem entrevistados. Ele estava de carona, quebrou o fêmur e teve mais duas fraturas expostas na perna. Está há quatro meses longe dos quatro filhos, sem trabalhar e sem saber quando vai receber alta. “O para-choque da moto é a perna, onde você botar o pé é o seu corpo que está em jogo”, diz.
Outro agricultor, José Edson de Andrade Lima, 21 anos não tem habilitação e comprou a moto em 48 prestações. Só chegou a pagar a primeira antes de se acidentar – teve fraturas no fêmur, no tornozelo, no braço, na mão e perdeu um dedo. Também agricultor, Adriano dos Santos, de Surubim, no Agreste, está na mesma enfermaria há um mês e meio. Ele levava o filho de cinco anos na garupa quando se acidentou e não tem habilitação para pilotar motos. “Moto? Jamais”, conta.
A professora Ariana Rufino saía do trabalho de mototáxi e teve fraturas em três lugares na perna. “Eu pensei que, naquele momento da pancada, eu iria morrer. Eu pedi ao Senhor para não levar a minha vida por causa das minhas filhas”, relembra.