Ceclin
mar 07, 2008 1 Comentário


Nestas duas décadas de redemocratização do Brasil, mesmo que de forma oculta, disfarçada, outras vezes subliminar, os resquícios do chicote, da opressão, da censura estão presentes em muitos recantos deste país permeando de maneira vergonhosa o cotidiano da nação. Aqui não é diferente. Vitória de Santo Antão agoniza, na esperança de dias melhores. A própria história da cidade, tão gloriosa, se esconde envergonhada, ansiando encontrar com a grandeza de outrora. Se for verdade a máxima de Joseph De Maistre que diz que cada povo tem o governo que merece, a nossa penitência com a finalidade de obter o favor Divino deve ser diária.

Enquanto uns investem no desenvolvimento com uma visão alargada, outros por sua vez, promovem a mediocridade, o estreitamento mental e o atraso dos espíritos. Esta terra abriga muitas contradições.

Talvez muitos tenham se perguntado por que incomoda tanto a “classe dominante”, a livre circulação de notícias, especialmente se elas estão relacionadas de alguma forma com a administração dos recursos públicos. As manchetes de jornais, os noticiários, os sites de informação têm mostrado com clareza que, geralmente dentro da máquina pública existe outra com a finalidade de disfarçar as improbidades. O número de políticos impedidos de continuar seus mandatos cresce a cada dia de norte a sul.

E nessa ciranda, onde a vida é mais fácil, partidos crescem, se aglutinam, ganham status, assumem uma linguagem corporativa, viram multinacionais; inimigos mortais passam a ser aliados num instante. Mercadores ficam milionários, traficando influências e enchendo os bolsos de poder, outros mergulhados em 20 anos de estagnação acreditam que, de uma hora para outra, quase que por milagre, irão cair na graça do povo. A militância sofre de infantilidade senil. E o cidadão? Esse ainda na Corte, continua sendo tratado como mercadoria.

Aproxima-se o período do sufrágio e novamente vão lá os suicidas, os descamisados, os descalços, os sem teto e sem terra, o cidadão comum, o homem simples de boa fé, a gente que se apega com todas as forças ao momentâneo, ao supérfluo e as revelias.

Na Corte enquanto uns se deliciam em seus banquetes, outros roem os ossos e afiam os dentes. Isso também Freud explica.

Em breve o censo marmelada, certamente irá lhe consultar. O assunto? Eles querem saber qual é o seu preço.


Luciano Santos posta seu artigo todas as sextas-feira.