Ceclin
nov 21, 2016 0 Comentário


11 milhões: Uma mídia independente a serviço da Mata Sul de PE

11 milhoes A Voz da Vitória

 

Por Lissandro Nascimento

 

Conquistamos mais um grande número de acessos ao Blog A Voz da Vitória de Santo Antão e região da Zona da Mata com 11 milhões de IP’s no último sábado, 19 de novembro. Tal resultado advém de 08 anos de labuta, dedicação, compromisso com o leitor, trabalho de equipe e postura independente.

Faz tempo que, no Brasil, a maioria da população já não se sente mais confortável com o posicionamento dos grandes veículos de comunicação – principalmente na televisão. Mas pouco se fala sobre a importância da construção de uma mídia independente diante de retrocessos e monopólio – o último bastião do jornalismo contra a desinformação.

Neste ínterim, as redes sociais surgiram, com toda a força. Twitter, Instagram e Facebook se tornaram plataformas de relacionamento, mas ao mesmo tempo uma espécie de palco para discussões e divulgação de visões políticas. A mídia independente cresceu, e com ela o seu público.

Há veículos de comunicação ainda em construção, cada um à sua dimensão, que ainda não entenderam da sua condição de mídia não alinhada aos conglomerados de comunicação. Quando se fala propriamente de mídia há três principais formas que são mídia independente, mídia alternativa, e mídia contra-hegemônica. O debate em torno do uso desses termos não é secundário. É fundamental definir quem somos para que nós mesmos possamos potencializar nosso trabalho, aumentar as possibilidades de disputa e de consequente avanço. Precisamos saber quem somos, onde queremos chegar, que caminhos podemos e devemos seguir, quem são nossos aliados e quem são nossos oponentes. Falo isso no sentido de pontuar que linha editorial adotar, pois bem sabemos de que não há veículo de comunicação imparcial no Brasil.

É bom também frisar de que não há lei universal que afirme que o jornalismo deva ser imparcial e ou parcial. Quem deve ser imparcial, à via de regra, são aqueles veículos de comunicação que são na sua essência “detentoras de concessão pública”. Estas sim devem ser imparciais na condução de seu editorial, a exemplo dos canais de TV abertos no País. O A Voz da Vitória é independente e parcial. Sim, desde sempre! Não há nada que nos desobrigue a estender nossa visão política e de mundo, opinar, criticar, defender, fiscalizar, cobrar e interagir com o que se passa no nosso cotidiano. Se assim não fosse, não seríamos blog. De fato, esta nossa essência é quem tem dado a chegada aos 11 milhões de acessos. Contudo, é importante dimensionar que ser parcial é diferente de permitir o acesso ao contraditório. A divulgação da opinião contrária exposta e o legítimo ‘direito de resposta’ deve ser estimulado e assegurado.

Ora, o que seria da dialética humana se não fosse a ‘comunicação’ somada ao diálogo e a exposição do contraditório (respeitoso). Resvala-se afirmar que a mídia é um forte poder. Raramente na história moderna casos assim ocorreram: a quebra de um poder da sociedade. Porque é isso que a grande mídia no geral, em todo mundo, é: um verdadeiro poder, ao lado do Estado, das empresas e das religiões. Algo que, para alguns, ainda é inquestionável. Mas para a maioria, já não é mais bem assim.

Analisando tudo isso, o último bastião do jornalismo contra o monopólio da desinformação é a mídia independente. E para alcançarmos o “impossível”, é preciso pensar além do possível. Tentar ao máximo fugir do padrão exigido, dos mecanismos utilizados pelos grandes veículos, das táticas desonestas empregadas no coração da grande mídia.

Quando se fala em mídia independente no sentido editorial algo semelhante acontece: o caráter de classe; já que uma classe só existe em sua relação com outra – e da mesma forma os respectivos aparelhos midiáticos.

Portanto, não basta sonhar. O crescimento da mídia independente é gradual, mas pode se tornar ainda mais forte – inclusive no Brasil. É necessário que tais iniciativas se unam em torno de um projeto em comum, pautando a democratização da mídia e novas formas de financiamento. Afinal, é o seu trabalho, o seu suor, o seu cansaço, a sua vida.

O que estamos por ver no futuro próximo é a democratização da rede contra a manipulação. Porque já nos perpetuamos no campo de batalha, e já apresentamos as nossas armas. O que falta, agora, é partirmos para o enfrentamento. E venceremos.

Lissandro Nascimento

 

Por Lissandro Nascimento,

é Editor do A Voz da Vitória e presidente da Associação dos Blogueiros de PE – AblogPE.