Ceclin
jul 12, 2012 0 Comentário


“Governo não possui proposta para o serviço público federal”, denuncia servidores

A greve nacional dos servidores públicos federais que atinge inclusive o Centro Acadêmico da UFPE da Vitória de Santo Antão, bem como o Campus do IFPE Vitória, foi debatido no Programa Mesa Redonda do A Voz da Vitória, sempre às 13h da sexta-feira, pela Rádio Tabocas FM (98,5).

O Governo Federal sinaliza a falta de interesse em negociar com as categorias. Os professores e administrativos das Federais reivindicam a reestruturação do Plano de Cargos e Carreira (com 13 níveis, ao invés de 17), melhores condições de trabalho e incentivo a pesquisa e extensão do ensino, somado com a regulação do Piso Salarial das categorias.

Neste debate estiveram presentes os representantes do Comando de Greve do CAV/UFPE Vitória, os professores Marco Fidalgo (Educ. Física) e Zailde Carvalho (Enfermagem), ligados a entidade dos docentes universitários – ADUFEPE. Participou ainda por telefone o Coordenador Geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado de Pernambuco – SINDSEP/PE – Sérgio Goiana.

Zailde Carvalho reforçou que a paralisação não foca necessariamente a reposição salarial, como coloca a mídia nacional, mas sobretudo a ausência de uma estrutura de trabalho que não chegou a ser garantida com a expansão nos últimos anos do ensino superior principalmente no interior do País. “A estrutura das universidades não consegue mais atender a esta demanda que procura o acesso à educação superior, algumas inclusive com construções inacabadas”, frisou.

“A linha do discurso de defesa do serviço público por parte do Governo Federal é diferente do que faz na prática. O governo vem bloqueando todas as possibilidades de avançar na resolução do melhoramento das universidades públicas. Não tem mostrado interesse em resolver, porque entendem como ônus e acabam protelando esta necessidade de discussão. Estão empurrando com a barriga”, denunciou Fidalgo. Ele mencionou o fato do governo adiar esta discussão para o final deste mês por este não deter no momento uma real proposta de solução para o setor.

Os professores da UFPE/Vitória também divulgaram que esta paralisação também ocorre em razão de algumas dificuldades de infraestrutura local, as quais tem prejudicado o trabalho oferecido pelo CAV/UFPE. “Além de algumas necessidades básicas existentes hoje no Campus local necessita também de uma unidade hospitalar. Quando se pensou em trazer a universidade para Vitória com seus cursos voltados para a área da Saúde foi feito um levantamento para saber das dificuldades que iríamos encontrar e, hoje estamos vendo isto e reivindicando”, explicou Zailde. Dentre estas, elencou o fato das péssimas condições de serviço oferecidas pelo Hospital João Murilo de Oliveira, o precário acesso ao Campus que fica localizado no Alto do Reservatório (Centro de Vitória), somado a falta de sinalização nas proximidades do Campus Vitória também é um dos problemas apontados, além da precariedade do transporte universitário oferecido pela Prefeitura no acesso a Região Metropolitana do Recife (RMR).

A interiorização do ensino superior não veio acompanhada com uma estrutura física. “Não houve uma preocupação para dar estrutura as nossas necessidades acadêmicas, hoje os universitários necessitam muito de algumas instalações”, reafirmou.

O professor Fidalgo lembrou a participação pacífica dos estudantes do CAV nas passeatas no Centro de Vitória, reforçando o fato de que a comunidade não passa despercebida quando o assunto é educação. “Muitos universitários não residem na cidade, porém, estes não podem estar presentes para discutir a problemática da greve, mas isso tentamos resolver da melhor forma, às vezes as pessoas concordam com a greve, mas acabam não participando até por uma questão de acessibilidade”, avaliou.

Sérgio Goiana, coordenador do Sindsep/PE, ressaltou o avanço da paralisação nacional, sobretudo no Estado, dos servidores públicos, lamentando que o Governo Dilma trate com indiferença as reivindicações expostas. “Primeiro é bom registrar que o serviço público em qualquer nível ainda não entrou em negociação coletiva. Precisa que a presidenta Dilma encaminhe para o Congresso Nacional uma regulamentação no serviço Federal. Ainda não foi dado prioridade as melhorias no serviço público e a este acordo pelo governo com as categorias, então os servidores irão para o confronto a fim de acelerar um entendimento”, ressaltou Goiana.

Devido a adesão em massa dos servidores federais no interior do Estado à greve, Goiana reforçou: “As assembleias pelo interior irão continuar e dessa forma seguiremos com essa campanha salarial, se possível repetiremos todas elas. É importante que as pessoas participem de todos os movimentos em favor dos servidores, pois a sociedade precisa de um serviço público de qualidade”, defendeu.