• Ceclin
dez 04, 2008 7 Comentários


“Elite olha com indiferença para fome”, diz Campos

Publicado em 04.12.2008
O governador Eduardo Campos pediu união contra a violência, mas distribuiu estocadas, ontem. Falou dos que criticam sem ter feito melhor, reclamou da imprensa e apontou a omissão da elite.

Autoridade Moral
Estamos dando passos consistentes (na Segurança Pública). Primeiro tratar desse assunto com transparência, com profissionalismo. Ninguém pode dizer que o nosso governo politizou no mau sentido, a Segurança Pública. Ninguém pode dizer que não tivemos a capacidade de tratar com transparência tudo que é efetivamente referente à Segurança Pública. Só pode falar de transparência quem praticou transparência. Não tem autoridade política, nem moral, nem vai ficar sem resposta, quem vier cobrar o que não fez. Autoridade tem a população, os meios de comunicação, para fazer as cobranças que têm que fazer e nós temos como homens públicos, como gestores públicos, todos nós como qualquer cidadão, temos que estar dispostos a dar todos os esclarecimentos necessários sobre todas as questões.
Homicídios
É importante que se veja que, se tem um Estado que não tem problema quando conta CVLI (crimes violentos letais intencionais) é o Estado de Pernambuco. Que essa casa (Polícia Civil) articulada com a Polícia Militar, atua com o Condepe, que é um órgão conceituado e técnico e atua dando total transparência aos números duros e difíceis do CVLI, quando já houve um tempo em que se escondia esses números ou não se sabia contar esses números. Se contava de maneira equivocada. Uma maneira que não permitia uma ação articulada e inteligente para resolvê-los. Essa é uma verdade absoluta que demonstra nossa intenção de construir com a sociedade um caminho.
Imprensa
O caminho da segurança anda. Com o esforço de todos aqueles que queiram ajudar. Com a sua crítica, com o seu apoio, com a sua sugestão. Como foi bem dito aqui, Pacto não é uma coisa que envolve só um lado. Pacto envolve todos. Nós estamos com a consciência tranqüila que estamos dando a nossa contribuição. Vamos procurar melhorar no que for possível. Mas tem muita gente que precisa dar sua contribuição. Os meios de comunicação precisam contribuir e não têm contribuído como poderiam. E olhe que eu tenho uma história de vida de defesa das liberdades, defesa da democracia, defesa da liberdade de expressão do qual a minha família foi vítima e nós estamos precisando ter esse debate e eu estou procurando ter aqui e fora daqui com o Brasil.
Elite pernambucana
Esse processo da questão da segurança virar política pública, o País convive há duas décadas. E convive por quê? Porque o modelo de desenvolvimento a que foi submetido o País, jogou muita gente na desigualdade e na miséria. Tem uma conversa que a elite de Pernambuco precisa ouvir e as vezes fica ouvindo de cara feia, mas eu digo de maneira muito educada. Vivemos na capital mais desigual do País. Um milhão e 600 mil habitantes e um milhão de pobres. E tem muita gente que reclama de segurança, mas que olha com uma indiferença enorme para fome e para miséria. Para o descaminho de muita mãe que segura quatro cinco filhos e nunca teve um gesto cidadão para minorar isso. Policiais que estão aqui sabem e conhecem como poucos servidores públicos nessa nossa periferia. Até porque, quando encolheram o Estado, praticamente só sobrou a polícia nessas áreas da cidade. É uma realidade que dói nos ouvidos, mas precisa ser dita porque não se constrói uma relação madura em cima de mentira, nem de conveniências.
(Jornal do Commercio).

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