Ceclin
maio 12, 2013 0 Comentário


“Eduardo apresenta um Pernambuco fantasioso”

reproduzido do Blog da Folha

Deputada Terezinha Nunes ainda destaque que modelo aplicado no Estado foi replicado do PSDB (Foto: Marina Mahmood)

Uma das vozes mais críticas ao Governo Eduardo Campos (PSB), a deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB) afirmou que o socialista tenta vender uma imagem do Estado para o Brasil que não bate com a realidade, destacando que o gestor tem prometido o que não faz. “Ele fala como se em Pernambuco não tivesse problema, como se ele já tivesse resolvido tudo. Ele apresenta um Pernambuco que não existe, fantasioso”, asseverou a parlamentar. Nesta entrevista à Folha de Pernambuco, a tucana faz uma reflexão sobre os dois anos que passou fora do Parlamento e cravou que o presidenciável da sua legenda, Aécio Neves, estará no segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff (PT). “Eu acho que o partido que tem condições de ir para o segundo turno com o PT é o PSDB”, assegurou.

Deputada, a senhora voltou à Casa após dois anos fora do Parlamento pernambucano. Como foi esse retorno?

Foi importante. No primeiro momento, eu não consegui entrar logo (na eleição de 2010) porque não consegui os votos, mas havia sempre essa possibilidade de eu assumir, uma vez que tínhamos quatro candidatos a prefeito pelo PSDB (Betinho Gomes, Carlos Santana, Daniel Coelho e Edson Vieira) dentro da bancada. Então, acho que foi importante eu ter ficado dois anos fora porque o meu primeiro mandato foi muito estressante. Foi um mandato de muita perseguição na Assembleia porque éramos a minoria da minoria. O que a oposição continua sendo. Só que houve alguns episódios muito difíceis, como a historia dos shows fantasmas (da Secretaria de Turismo) que denunciamos. Isso foi muito desgastante até dentro da Casa, porque envolvia pessoas da Casa (o deputado Silvio Costa Filho/PTB). Para mim, pessoalmente, foi bom eu ter ficado dois anos fora, porque deu para ver melhor as coisas, descansar um pouco mais. Eu estava muito estressada, cansada.

Nesse período a senhora ponderou que poderia ter atuado de alguma forma diferente em um ou outro caso?

Não. Eu lamentei somente o fato de que a gente sentiu a dificuldade dos deputados do Interior de fazer oposição. Então, fica a sobrecarga para os deputados metropolitanos. Os deputados não tinham condições de ir para a linha de frente por conta da vinculação com prefeitos do Interior que dependiam do Governo e o Governo fazendo muita perseguição. Só que eu achava, na época, que a perseguição maior era porque a gente tinha uma liderança do PT do Governo, que era Isaltino Nascimento (atual secretário de Transportes). Ele era muito exaltado na tribuna, mas, quando eu voltei, para minha surpresa, o que ele já tinha me falado antes eu observei que era verdade, que o PSB é mais xiita que o PT mesmo. No meu primeiro mandato, apresentei vários projetos que foram aprovados pela Casa, até pelos deputados do Governo. Havia um certo diálogo, mesmo com toda tensão que a gente passou. Nesse segundo mandato, não esta fácil a situação dentro da Casa. Quando eu voltei, observei que, na verdade, a perseguição era maior.

A senhora sente seus colegas com medo do Governo?

Claro. Isso é comentado. Não com medo do governador pessoalmente, como pessoa física, mas medo do Governo, do poder que Eduardo tem hoje no Estado de Pernambuco. Ele conseguiu um poder muito grande. Não só do ponto de vista de controle de algumas áreas do Estado. Ele controla a Assembleia, controla, de alguma forma, os outros poderes, na medida em que é uma pessoa que tem uma aceitação popular muito grande, isso é até natural. Então, há um receio de contrariar o governador, não só do ponto de vista de perder uma eleição, como do ponto de vista da perseguição. O meu caso é tido na Assembleia e colocado, inclusive, como um exemplo de que eu fiz muita oposição. Eu fui muito crítica ao Governo e, por isso, perdi o meu mandato.

A senhora vê essa base muito próxima de se dividir?

Sim. Acho que essa eleição será um divisor de águas. Está claro isso na Casa. Não tem como deixar todo mundo junto como está. No primeiro mandato é fácil manter todo mundo junto. Mas no segundo é diferente. O governador já está no segundo mandato, na segunda parte do segundo mandato. E isso eu senti quando Jarbas Vasconcelos (PMDB) era governador. Isso vai ficando cada vez mais patente. A gente já sente nas entrelinhas, nos bastidores, nas conversas.

Há duas semanas, a oposição questionou os gastos do Poder Executivo, destacando que o Estado tem investido e realizado ações sem supostamente ter o lastre financeiro suficiente para garanti-las. A senhora teme que, ao final da gestão, o Estado possa chegar a uma situação muito delicada do ponto de vista financeiro?

Acho que existe aí um lastro financeiro que vai dar para segurar um tempo. Mas, sem dúvida alguma, vão começar a surgir problemas. Aliás, já estão começando a aparecer, já estão surgindo. A gente já sente em pessoas que trabalham para o Estado a reclamação de que não estão recebendo em dia. Agora, o Governo está fazendo uma operação de contingenciamento de recursos. Tanto na Assembleia, quanto no Tribunal de Contas e mesmo no Tribunal de Justiça. Se o Governo está partindo para contingenciamento orçamentário nos outros poderes, é porque ele não está bem financeiramente.

A senhora acha que o Governo está gastando muito por uma boa gestão ou para cacifar Eduardo para a Presidência da República?

Eu não sei. Ele abriu muitas frentes de trabalho e ele, de certa forma, deve ter sido surpreendido com a crise econômica porque realmente reduziu recursos para o Estado e municípios. Mas ele é um administrador conhecido por uma certa ousadia para o gasto. Eduardo gasta muito. Tem administrador que é mais parcimonioso e até erra porque gastou pouco e acaba não fazendo o que deveria fazer. Mas eu acho que Eduardo faz (gasta) demais.

O governador tem empregado um discurso de que é possível se fazer mais, mais do que o PT vem fazendo no Governo Federal. Esse pensamento tem Pernambuco como principal espelho. O Estado pode ser esse exemplo?

Não! Eu acho que, na hora em que Eduardo fala para fora, ele fala como se em Pernambuco não tivesse problema, como se ele já tivesse resolvido tudo. Ele está apresentando um Pernambuco que não existe, fantasioso. O Estado está crescendo mais que os outros. Embora, no ano passado, tenha crescido menos que o Ceará e a Bahia, o que não acontecia há muito tempo. Ele não deixa ninguém criticar, e não gosta de ser criticado. O próprio poder de crítica, que ele fala ao comentar sobre o PT, não exerce aqui no Estado. Fala, por exemplo, em apadrinhamento como se aqui ele não entregasse secretaria a partido, como se aqui não existisse isso. Ele fala numa administração moderna que não existe em Pernambuco. A administração moderna que existe é a administração do controle da máquina, que tem sido feita com base no trabalho que foi realizado em Minas Gerais pelo PSDB. Eduardo, quando ganhou a eleição, mandou a sua equipe a Minas Gerais ver como é que Aécio Neves (então governador daquele Estado) tinha feito.

O PSDB trabalha com a possibilidade de obter cerca de 500 mil votos para a sua chapa proporcional do Estado. O que possibilitaria a eleição de cinco ou seis deputados…

Nós estamos trabalhando para isso. O deputado Sérgio Guerra (presidente regional) vai se dedicar mais a Pernambuco, a partir de agora. E realmente nós vamos cuidar da chapa proporcional, como ele já falou. E ele tem um grande poder de arregimentação, já que é muito respeitado. Todos os políticos o respeitam muito e confiam muito nele.

Toda vez que se fala na eleição de 2014, na candidatura presidencial do senador Aécio Neves, toca-se numa suposta necessidade de o PSDB-PE ter um candidato próprio no Estado. Como é que está esse debate internamente?

Não podemos agora tomar decisão nenhuma sobre isso. A gente só pode, neste momento, cuidar da questão proporcional. Não sabemos como vão ser formado os palanques. Há uma grande insegurança, inclusive, na própria Assembleia entre todos os partidos, todos os deputados, a respeito do que está acontecendo em Pernambuco. Esse racha do PSB com o PT deixou muita gente sem saber o que fazer. Então, hoje ninguém sabe quem vai ser o candidato do Governo, quem vai ser o candidato da oposição, se o Governo vai ter mais de um candidato. Há uma ala do PTB que defende que deveria ter dois nomes. Com certeza, o PT terá um candidato. E o PSDB não tem porque ter pressa.