Ceclin
mar 21, 2012 0 Comentário


‘Enfrentar o preconceito’ é o maior desafio de quem precisa de um transplante de órgão

O Mesa Redonda da sexta-feira (16) debateu sobre o Transplante de Medula Óssea, com a participação das representantes da ONG – Amigos do Transplante de Medula Óssea (ATMO), Liliane Peritore e Josenilda de Castro, além da doadora de medula óssea Maria de Fátima e de Hérika Araújo – colaboradora da campanha. O principal objetivo do debate foi a difusão da importância do ato de doar e do transplante de órgãos, no qual podem salvar vidas.

A ATMO irá realizar uma campanha de doação em Vitória de Santo Antão, agendada entre os dias 05 a 11 de maio deste ano. No último ano, um caso que mobilizou bastante gente na cidade foi o de Marcelle Moreira, acometida de um longo tempo à espera de uma medula, a fim de poder continuar vivendo. Foram organizadas algumas caravanas para a doação da medula, no objetivo de se conseguir alguma compatível. Até agora, mesmo não obtendo nenhum êxito, uma das organizadoras das caravanas, Hérika Araújo, ressaltou a importância da mobilização, principalmente quanto as pessoas que não conheciam Marcelle e se prontificaram de imediato em ajudar.

Outro ponto bastante discutido no Mesa Redonda foi a falta de estrutura no Estado, para que se possa atender as necessidades das pessoas que aguardam na fila de espera por um órgão. “O Estado está brincando com a saúde dos pacientes da Central de Transplantes do HEMOPE”, declarou Liliane, pelo qual fez duríssimas críticas ao Governador Eduardo Campos (PSB), sobretudo pela decisão em promover o fechamento do Centro de Transplante, sob a alegação de que o custo de um transplante pago pelo SUS ao Estado varia em R$ 700 mil. A representante da ATMO discordou, alegando que esse valor estava incorreto. “Na verdade custa 24 mil à 55 mil Reais em todo Brasil”, sentenciou.

Os Pacientes que têm leucemia, linfomas, anemia aplástica, aplasia de medula e outras doenças, primordialmente precisam do transplante. É um líquido gelatinoso que se localiza na parte interna dos ossos, conhecido popularmente como tutano, e é responsável pela formação das células sanguíneas. O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, consistindo na substituição de uma medula óssea doente por células de uma medula óssea sadia, geralmente de alguém compatível, o que de modo geral não é tão fácil encontrar. Pessoas com idade de 18 a 54 anos, que não sejam portadoras de câncer ou AIDS, podem ser consideradas doadoras.

Com a ausência de estrutura para garantir este tipo de tratamento a demanda está cada vez mais crescente, o processo fica mais lento do que é preciso, afetando consideravelmente os pacientes. A própria Maria de Fátima é um exemplo de quem sofreu um pouco com isso, pois ela foi doadora, salvando a vida de sua irmã. “Passei dois anos, já que tem passar por exames e também tem o tratamento que minha irmã tinha que se submeter”, relatou Fátima, instigando a parte emocional do Programa quando contou a experiência de sua irmã e o fato dela ter encarado este drama familiar.

Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, hoje o transplante de medula óssea é o terceiro procedimento mais realizado no Brasil quando se trata de transplante, ficando atrás de órgãos como a córnea e rins. A falta de informação adequada, o desconhecimento do tratamento e o preconceito, são fatores que não ajudam a intensificar a conscientização e a necessidade por aumentar o número de doadores de órgãos no Brasil.

Para quem quiser contribuir nesta luta, a ATMO está realizando uma campanha de aquisição de novos associados, podendo contribuir mensalmente com uma taxa no valor de R$ 20,00.

Conheça a entidade através do link do site www.atmo.org.br e se possível divulgue também o Faceboock https://www.facebook.com/ATMOMedula