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Perdigão lança oferta de ações de R$ 5 bilhões

A Brasil Foods (BRF), novo nome oficial da Perdigão, anunciou, nessa sexta-feira (10), que espera captar R$ 4,48 bilhões com uma emissão de ações – contando-se o lote suplementar, esse valor deve superar os R$ 5 bilhões. Cerca de 80% desses recursos serão destinados à liquidação de dívidas da Sadia, que está sendo incorporada à companhia.

A BRF fará uma oferta de 115 milhões de novas ações, com possibilidade de mais 17,25 milhões de ações em um lote suplementar, e tomou por base em seus cálculos um preço de R$ 40. O preço final da oferta, no entanto, só será anunciado no próximo dia 21, após o encerramento do período de reserva de ações.

Do total previsto de R$ 4,48 bilhões a ser captado, R$ 3,52 bilhões devem ser destinados ao pagamento de dívidas da Sadia. O restante deve ficar em caixa, “visando equilíbrio de nossa estrutura de capital consolidada”, diz o prospecto da oferta publicado no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

No prospecto, a BRF demonstra todos os pagamentos que devem ser honrados em 2009 e 2010 utilizando os recursos captados na oferta. Somente para pagamento de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), por exemplo, serão utilizados R$ 1 bilhão este ano e R$ 640 milhões em 2010.

Ao final de março, as dívidas da Sadia com instituições financeiras somavam R$ 8 bilhões. Os pagamentos têm vencimentos que variam de um a 132 meses e as taxas de juros vão de 5% a 12 5% ao ano. A empresa viu o seu endividamento crescer após o episódio com derivativos tóxicos, que resultou em perdas de R$ 2 6 bilhões para a empresa no ano passado e foi fator decisivo para o avanço nas negociações para uma associação com a Perdigão.

Esta semana, as duas empresas assinaram com o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) acordo para que a união entre elas, no âmbito administrativo e comercial, fique suspensa até o julgamento final da fusão pelo órgão antitruste.

Ao mesmo tempo, no entanto, o Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro) permite à Perdigão fazer a reestruturação financeira da Sadia. E o prospecto divulgado ontem confirma a intenção da companhia de sanar os problemas financeiros da Sadia antes de aprovada a fusão.

Os atuais acionistas de Sadia e Perdigão terão prioridade na distribuição. Do total das ações ordinárias ofertadas, 10% serão destinadas ao varejo.
(Jornal do Commercio)

Cade homologa acordo sobre união de Sadia e Perdigão

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) homologou nesta quarta-feira (8), durante sessão de julgamento, o acordo assinado com as empresas Sadia e Perdigão, na terça-feira (6) à noite, suspendendo a união das duas empresas, anunciada em 19 de maio.
Na prática, o acordo impede que a Perdigão exerça controle sobre a Sadia, até que o Cade julgue a operação, fazendo com que ambas as companhias mantenham suas estruturas administrativas produtivas e comerciais íntegras e independentes. Por outro lado, a Perdigão tem a permissão de fazer a reestruturação financeira da Sadia, já que essa é uma urgência, porque a Sadia tem uma dívida de quase R$ 7 bilhões, sendo quase a metade com vencimento de curto prazo.
O relator do caso no Cade, conselheiro Paulo Furquim, destacou que o acordo atende às preocupações do órgão antitruste, já que a união das duas empresas tem o potencial de elevar as concentrações em determinados mercados. “Isso ocorre devido a semelhança das duas empresas, que são quase espelhos e atuam nas mesmas áreas”, afirmou Furquim, durante a homologação do acordo.
Ontem, o Cade confirmou a assinatura do acordo com as duas companhias suspendendo a fusão entre as empresas, até que ocorra o julgamento do ato pelo conselho. O nome técnico do acordo é Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro).

UE aprova fusão entre Sadia e Perdigão

Publicado em 02.07.2009

SÃO PAULO – A unificação das operações de Perdigão e Sadia avançou mais um passo. A autoridade europeia de defesa da concorrência manifestou, formalmente, sua anuência com a associação entre as empresas. Resta agora o exame do negócio pelas autoridades de defesa da concorrência no Brasil, conforme fato relevante apresentado ontem.
Anunciada em 19 de maio, o processo de junção das duas companhias já cumpriu importantes etapas, como a aceitação no negócios por 51% dos acionistas da Sadia e a venda do braço financeiro da companhia, a Concórdia Holding.
Ainda estão em andamento as adaptações nos estatutos das duas empresas, bem como a mudança da razão social da Perdigão para BRF – Brasil Foods, que vai incorparar ainda a Sadia.
Para isso, também deve ser constituída a holding HFF, que vai reunir a participação dos acionistas controladores da Sadia. Ainda dentro desse cronograma, deve ser aprovada a incorporação das ações da HFF pela Brasil Foods.
Feito isso, o próximo passo será o aumento de capital no valor de R$ 4 bilhões da BRF, por meio da emissão de ações. A previsão é que a oferta seja realizada até o fim deste mês.
Cabe lembrar que somente após essa oferta é que as ações dos minoritários ordinaristas e preferencialistas da Sadia serão incorporadas pela Brasil Foods.
Até lá, os papéis das duas empresas continuarão sendo negociados separadamente na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
(Jornal do Commercio).

Perdigão inicia a produção de leite

Publicado em 19.06.2009

A fábrica da Perdigão em Bom Conselho, distante 266 km do Recife, já está em fase de testes para a produção de leite UHT. A partir da próxima semana, a unidade de lácteos deve iniciar sua fabricação comercial, com o processamento de longa vida das marcas Elegê e Batavo. O portfólio deverá estar completo em agosto, com as linhas de iogurtes, bebidas lácteas, achocolatados e fermentados para comercialização no mercado nordestino.

O ex-secretário de Agricultura e consultor, Gabriel Maciel, diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participaria da inauguração da unidade, caso se confirmasse a agenda dele no Estado agora em agosto, poderá visitar a nova fábrica em setembro.
O laticínio da Perdigão em Bom Conselho é o primeiro da empresa no Nordeste e o nº 1 da recém-criada Brasil Foods – resultado da fusão entre Sadia e Perdigão. A fábrica recebeu investimento de R$ 150 milhões e vai gerar 450 empregos quando estiver em plena operação. Com capacidade para processar 300 mil litros de leite por dia, a previsão é que até o fim do ano já esteja com um volume de 100 mil litros.
Até o mês passado, a empresa estava captando cerca de 55 mil litros de leite por dia. Desse total, 20 mil litros são industrializados pela União dos Palmares Indústria Alimentícia Ltda. (Unipa), em Alagoas, com a marca Elegê. A Unipa foi comprada há um ano pelo empresário pernambucano Stênio Galvão, que também comanda a Bom Leite, em São Bento do Una. O restante é vendido para a concorrente Bom Gosto, em Garanhuns, que comprou a fábrica da Parmalat no município.
Galvão conta que a Perdigão renovou o contrato com a Bom Leite/Unipa por mais quatro meses, enquanto estabiliza sua captação de leite. “Como eles estão em fase inicial, preferiram manter o acerto conosco até outubro para a industrialização do leite”, destaca.
(Jornal do Commercio).

Lupi descarta demissões na Brasil Foods, mas trabalhadores temem perda de postos

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse hoje (8) que não foi informado sobre possíveis demissões de trabalhadores das empresas Sadia e Perdigão, que se fundiram dando origem à Brasil Foods, nova líder no setor de alimentos no país.

Com o processo de fusão, a Confederação Nacional de Trabalhadores na Indústria de Alimentos (CNTA) estima a demissão de cerca de 30 mil pessoas, só no setor de frigoríficos. De acordo com a CNTA, serão 10 mil empregos diretos e 20 mil indiretos a menos no mercado.

“Até agora, ainda não há [demissões]”, afirmou Lupi, após anúncio de uma linha de crédito, no Rio. “A nova empresa formada pela fusão da Perdigão com a Sadia disse para mim que não haverá demissões.”

O ministro do Trabalho esclareceu que “algumas funções de gerência e de diretoria, que estão sobrepostas”, podem diminuir, “mas não vagas diretas dos trabalhadores”.

Amanhã (9), trabalhadores e representantes de sindicatos do setor de alimentos se reúnem em Curitiba, para analisar o impacto da fusão sobre os empregos. Eles também devem divulgar um documento com o número atualizado de demissões que já ocorreram.

As vantagens de estar na periferia

Da Coluna JC Negócios
do Jornal do Commercio.


Publicado em 06.06.2009

Apesar de não pertencerem ao espaço oficialmente denominado de Região Metropolitana do Recife, os municípios de Vitória de Santo Antão e Escada estão cada vez mais integrados aos projetos desenvolvidos para o Complexo Portuário de Suape. E eles usam na sua estratégia de captação de empreendimentos dois argumentos considerados decisivos para indústrias que, necessariamente, não precisam estar no território portuário do complexo. Serem cortados por rodovias federais (BR-101 no caso de Escada, e BR-232 no caso de Vitória) e 10% a mais de isenção fiscal que os municípios da RMR.

Enquanto Vitória já começa a usar a captação da fábrica da Sadia para atrair empreendimentos afins ao complexo industrial e de logística, Escada já atraiu além da Silver-Tigre (tubos e conexões), a Ghel Plus (metalmecânica) e a Valex 2 (colchões) e deve ter aprovada, na próxima reunião do Condic, a Alpatech. No caso de Escada, o argumento é ser o primeiro município ao Sul da área de Suape podendo oferecer, além da rodovia que está sendo duplicada, isenção de até 85% se comparado a Ipojuca, por exemplo, cujo o limite no Prodepe é 75% do ICMS devido.
A situação de Vitória é idêntica. Ela também oferece 85% de isenção de ICMS estando às margens da BR-232. Uma situação que ganha, por exemplo, de Moreno, que recentemente captou a processadora de arroz Somar, mas tem sérios problemas de terrenos maiores, o que lhe tira maior poder de competitividade. E revela uma nova face da força de atração de Suape, que não se restringe mais ao Cabo ou Ipojuca, onde os terrenos estão cada vez mais caros.


» Estrada e áreas planas maiores

O presidente da AD Diper, Jenner Guimarães, reconhece que os dois municípios, seja pela estrada, seja pela maior isenção fiscal, mesmo sendo vizinhos do território estratégico de Suape, estão sendo beneficiados por ele. Ele afirma que as prefeituras das cidades estão atentas e já centram o discurso de que se a atividade não depende diretamente do porto, o fato de estarem a 10 ou 15 quilômetros mais distante dos municípios da RMR, não lhes tira competitividade. Além disso, eles oferecem áreas planas maiores, que exigem menos investimentos de terraplenagem que Suape.


» Topografia ruim

A questão da preparação de áreas tem se tornado um complicador até para Ipojuca, cuja topografia exige maiores deslocamentos de terra para seus terrenos. E isso reforça a proposta de que só devem ficar no núcleo de Suape as empresas que, de fato, precisam de porto.

» Áreas pequenas

Mas a questão da topografia dos terrenos também tem se tornado um problema para o município de Moreno, que ainda não conseguiu captar mais projetos porque sua topografia exige grande investimento para projetos de maior porte em termos de área.

» Distrito industrial

Assim como Escada decidiu apostar num distrito industrial próprio para captar empresas que precisam estar na rota de Suape, em Jaboatão foi a iniciativa privada que decidiu apostar na construção de distritos de logística, como será o da Construtora Moura Dubeux nas margens da BR-101.

» Novos eixos

A chegada de novos eixos em Suape (naval e petroquímico) acabou gerando mais força de atração ao complexo, somando-se a que já existia com industriais, o Tecon e o terimnal de granéis. Os novos eixos trouxeram cadeias produtivas que não faziam parte de Suape, aumentando a pressão por área.

(Jornal do Commercio).

Justiça intima executivos da Sadia por informação privilegiada

Deu no O Estado de S. Paulo

Dois ex-executivos da Sadia e um ex-executivo do banco ABN-Amro serão citados pela Vara Federal Especializada em Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro acusados de usar informações privilegiadas (insider trading), obtidas em São Paulo, relativas à oferta da Sadia pelo controle acionário da concorrente Perdigão. Eles deverão apresentar defesa por escrito em até dez dias.
O juiz federal substituto Márcio Rached Millani, da 6ª Vara Federal, recebeu a denúncia do Ministério Público Federal em São Paulo e mandou citar os executivos.
As informações teriam sido utilizadas para obtenção de lucro no mercado financeiro.

(Blog do Jamildo).

A Perdigão fez a sua parte, o governo, ainda não

Publicado em 24.05.2009

Empresa construiu fábrica, mas a infraestrutura no seu entorno é precária

Adriana Guarda

BOM CONSELHO – No dia 15 de junho, as máquinas da fábrica da Perdigão em Bom Conselho (distante 266 km do Recife) serão ligadas para processar os primeiros litros de leite da nova indústria. O empreendimento será o primeiro inaugurado pela recém-criada Brasil Foods (BRF) – multinacional do setor de alimentos, resultado da fusão da Sadia com a Perdigão. Os testes na planta vão começar, mas a infraestrutura ainda está por fazer. Para chegar a Bom Conselho, os veículos precisam fazer uma espécie de bailado, desviando dos buracos da PE-218 – única estrada de acesso ao município – que se multiplicam no trajeto desde Garanhuns.

Num protocolo de intenções assinado com a Perdigão no ano passado, o governo de Pernambuco se comprometeu a recuperar a rodovia e a executar a obra de uma via de acesso até a fábrica, mas está atrasado.
“Quando a fábrica entrar em funcionamento o tráfego de veículos será aumentado. Precisaremos fazer o transporte dos funcionários de ônibus, além de receber os caminhões com leite e outras matérias-primas”, observa o gerente administrativo da Perdigão, Leomar Lino Lorenzett. “Nosso negócio é produzir industrializados não construir estradas”, completa. O executivo frisa que quando a fábrica estiver processando 100 mil litros de leite por dia, o fluxo de carretas será de cinco por dia e quando alcançar o patamar de 300 mil litros/dia será de 15 caminhões.
O secretário de Transportes, Sebastião Oliveira, afirma que o projeto executivo da recuperação da PE-218 já foi contratado e deverá ser entregue pela empresa Entel até setembro deste ano. Com o projeto em mãos, que vai custar R$ 500 mil, a perspectiva é entregar a obra concluída em abril de 2010 (quase um ano após a inauguração da fábrica). A obra da PE-218 está orçada entre R$ 15 milhões e R$ 18 milhões e será executada num trecho de 50 quilômetros, entre Garanhuns e Bom Conselho. “A situação da rodovia estourou na minha mão. O governo anterior não tinha nenhum projeto para a via”, assinala.
Na última terça-feira, a prefeita de Bom Conselho, Judith Alapenha, despachou com Sebastião Oliveira e pediu a construção de cinco lombadas na rodovia para diminuir o número de acidentes.

O secretário disse ao JC que, desde a última terça-feira, a secretaria contratou a empresa Ancar para fazer uma operação emergencial tapa-buraco na estrada, mas durante os dois dias que a reportagem esteve no município (quarta e quinta passadas) não presenciou o trabalho das equipes. “Se choveu, o trabalho deve ter sido suspenso e aí se espera três dias para recomeçar”, justifica Oliveira.
A operação tapa-buraco deverá custar R$ 800 mil e ser concluída em julho.

MATÉRIAS VINCULADAS

BRASIL FOODS: Decisão do Cade pode demorar

Perdigão e Sadia dão informações ao Cade

Publicado em 23.05.2009


Companhias explicaram operação aos integrantes do Cade e prometeram liberar todas as informações solicitadas

BRASÍLIA – Os presidentes da Sadia, Luiz Fernando Furlan, e da Perdigão, Nildemar Secches, apresentaram ontem informalmente a integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a operação de fusão entre as duas companhias e se comprometeram a colaborar com todas as informações solicitadas. Deixaram claro ainda que pretendem acatar as decisões do órgão, que pode inclusive determinar o congelamento da fusão caso sejam detectados danos à concorrência nos segmentos de alimentos em que a nova companhia, Brasil Foods (BRF), atuará.
Pela legislação, qualquer ato de concentração de empresas com faturamento bruto anual superior a R$ 400 milhões no mercado nacional ou que envolva fatia no mercado relevante a partir de 20% precisa passar pelo crivo do sistema de defesa da concorrência. Este, além do Cade, é composto pelas Secretarias de Acompanhamento Econômico (Ministério da Fazenda) e de Direito Econômico (Ministério da Justiça).
É o caso das duas empresas, que somadas terão mais de 50% dos mercados nacionais de vários segmentos, como pizza pronta, massas, carnes industrializadas e margarinas. Os advogados das empresas têm 12 dias para entregar à autoridade a documentação que detalha a operação.
“Fizemos um primeiro contato com os conselheiros do Cade que nós não conhecíamos, dizendo que estamos preparando a documentação e no prazo certo vamos entregar”, se limitou a dizer Furlan, uma vez que os empresários estão impedidos de dar declarações sobre a fusão até que as ações da nova companhia sejam emitidas ao mercado.
O presidente do Cade, Arthur Badin, confirmou que um acordo de preservação da reversibilidade da operação (Apro) pode ser firmado para que as empresas continuem operando em separado até uma decisão final do conselho, que só deve ocorrer no final do ano. Antes de ser julgada pelo plenário do Cade, a fusão será submetida aos pareceres da Fazenda e da Justiça.
Por isso, afirmou Badin, a visita de cortesia não adianta o processo de avaliação antitruste, pois toda a análise será feita sobre os documentos que as empresas devem entregar às autoridades: “Os empresários pediram o encontro para que pudessem apresentar em sua visão os aspectos que motivaram essa operação. Mas ao Cade interessa o diálogo técnico e os dados que serão apresentados no prazo legal.”
Também na manhã de ontem, o conselheiro Fernando de Magalhães Furlan, que é primo do presidente da Sadia, emitiu nota se declarando impedido de participar do processo. O mesmo procedimento ocorreu em outros julgamentos envonvendo a Sadia no passado.
(Jornal do Commercio).


LEIA: Lição de empreendedorismo

BRF já está presente em Bom Conselho

Publicado em 21.05.2009

Logomarca da Brasil Foods é exibida nos descansos de tela dos computadores do escritório em Bom Conselho, que abrigará a 1ª fábrica de produtos lácteos da gigante do setor de alimentos do Nordeste

Adriana Guarda

BOM CONSELHO – No escritório da Perdigão, em Bom Conselho (a 266 quilômetros do Recife), os descansos de tela dos computadores já exibem a logomarca da Brasil Foods (BRF) – empresa criada com a fusão da Sadia e Perdigão, na última terça-feira. A cidade, que vai abrigar a primeira fábrica de produtos lácteos da companhia no Nordeste, recebeu a notícia com entusiasmo.
A expectativa é que a indústria seja inaugurada até o final de junho com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, quem sabe, com os dois executivos que co-presidem o Conselho de Administração da BRF, Nildemar Secches e Luiz Fernando Furlan.
O produtor de leite José Milton Matos, de 61 anos, conta que viu a notícia na internet. “Não sei nem dizer o nome da nova empresa, que é em inglês, mas acho que agora o grupo deve ficar mais forte e poderá pagar melhor ao fornecedor”, ironizou, aproveitando para cobrar uma melhora no valor pago pelo litro do leite, que está em R$ 0,64 e deverá passar para R$ 0,67 nos próximos dias.
Seu José Milton é um dos 111 produtores de 18 municípios que estão fornecendo leite para a Perdigão na bacia de Pernambuco, dentro do programa FidelizaLeite – criado há um ano pela empresa. Hoje, a companhia capta 55 mil litros de leite e já está industrializando parte da produção com a marca Elegê.
“Nosso município será sede de uma das fábricas dessa gigante e nós queremos oferecer as melhores condições para o funcionamento da indústria”, disse a prefeita de Bom Conselho, Judith Alapenha (PDT).
O gerente administrativo da Perdigão em Bom Conselho, Leomar Lino Lorenzett, diz que o leiaute da fábrica vai manter a logomarca da Perdigão, pintada numa caixa d’água com 67 metros de altura. A unidade de produtos lácteos, que consumirá investimentos de R$ 150 milhões, deverá operar com todas as linhas de produção (leite UHT, achocolatados, fermentados, iogurtes e bebidas lácteas até agosto).
Em junho, a planta inicia a produção apenas com o leite UHT.
O executivo confirma que o projeto de processados de carnes foi postergado, em função do desaquecimento do consumo provocado pela crise global.
“O projeto inicial era inaugurar todo o complexo agroindustrial em 2009, mas vai ficar para depois”, afirma, sem precisar data.
O adiamento também vale para a construção da central de distribuição. “Com a criação da BRF, a CD da Sadia em Vitória de Santo Antão pode ser usado pela unidade de produtos lácteos”, observa.
(Jornal do Commercio).

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Nasce uma estatal da comida


Publicado em 20.05.2009

Coluna JC Negócios

No meio da festa regada a nuggets, presuntos fatiados, além de pizzas e lazanhas, tudo isso sobre a camisa do Corinthians, não dá para esconder que a Brasil Foods nasce com cara de estatal da comida, onde os fundos de previdência de servidores públicos terão mais de 31,1 %, enquanto os antigos donos se contentam com 12,3% do capital de uma empresa que, a despeito de faturar mais R$ 22 bilhões, chega ao mercado com uma dívida de quase R$ 10 bilhões.
Não é à toa que no mercado se diz que a Brasil Foods só surgiu como decorrência das perdas provocadas pela crise global. Bom para o mercado de alimentos (e para o Brasil), seria se Perdigão e Sadia continuassem a crescer comprando empresas do setor espalhadas pelo mundo para, quem sabe no futuro, se juntarem por força da necessidade de atuação em nível global, com o perfil de empresa caçadora de bons ativos.

É uma situação bem diferente da Ambev e da JHS-Friboi, que com gestão brasileira compraram empresas internacionais e estão implantando nesses países o jeito Brasil de gerir negócios.
A Brasil Foods nasce para salvar o que foi possível de duas empresas que, separadamente, orgulham os brasileiros pela competição que travavam. Temos, portanto, uma gigante que tem o domínio de fundos de pensão dos empregados do setor público e que ainda vai precisar de mais dinheiro do governo através do BNDES para reduzir passivos.
Talvez seja por isso que a Bovespa tenha reagido com queda tão forte de suas ações. Fusões sempre provocam esse fenômeno no dia da comunicação ao mercado, mas no caso da Brasil Foods, o recado é que temos ali um abraço de afogados.


Será que teremos duas fábricas ?

Gente do setor de logística e distribuição já especulava ontem sobre o futuro dos projetos aprovados pela Sadia e Perdigão em Pernambuco.
Uma vez aprovada pelo Cade, faria sentido a CD da Perdigão se juntar a da Sadia em Vitória de Santo Antão ?
Também poderia ser mantido o projeto da Batavo, em Bom Conselho, escolha da companhia depois de estudos para ocupar o interior do Nordeste. Mas será que a Brasil Foods vai manter dois projetos de embutidos de baixo custo, segmento que em cada Estado tem concorrência local?

(Jornal do Commercio).

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Furlan garante projetos no Estado

Sadia e Perdigão criam líder mundial


SECCHES e Furlan fizeram anúncio ontem pela manhã


SÃO PAULO (Folhapress e AE) – A fusão entre Sadia e Perdigão, que resultou na criação da Brasil Foods (BFR), dá origem a uma “grande multinacional brasileira’’, anunciaram ontem o presidente da Perdigão, Nildemar Secches, e o presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan.
O acordo foi assinado na noite da última segunda-feira e anunciado ontem de manhã ao mercado. “É uma grande multinacional brasileira de alimentos brasileiros processados’’, definiu Secches em entrevista coletiva, em São Paulo, concedida para explicar os detalhes do negócio. Pelo acordo fechado, 68% do capital da nova empresa ficará com acionistas da Perdigão e 32% com acionistas da Sadia.

No processo de fusão previsto, a Perdigão muda de nome para BRF e a Sadia para HFF, e, em seguida, ocorre a incorporação das ações da HFF pela BRF. Os Conselhos de Administração das duas empresas serão formado pelas mesmas pessoas, e o presidente de uma será co-presidente da outra – ou seja, o controle será dividido entre Secches e Furlan. Segundo o comunicado, o acordo foi aprovado pelos Conselhos de Administração das duas empresas e ainda precisa passar por adesão dos acionistas de ambas.
A união dá origem à maior processadora de carne de frango do mundo em faturamento. A nova empresa nasce com uma receita líquida anual aproximada de US$ 9,5 bilhões, acima do faturamento da líder mundial no segmento de aves, a norte-americana Pilgrim’s Pride, que obteve faturamento de US$ 8,3 bilhões no ano passado. Será a décima maior empresa de alimentos das Américas e segunda maior indústria alimentícia do Brasil (atrás apenas do frigorífico JBS Friboi). A nova empresa será a terceira maior exportadora brasileira (atrás da Petrobras e da mineradora Vale).
De acordo com dados da consultoria Nielsen referentes a 2008, Sadia e Perdigão, juntas, respondem por aproximadamente 80% do mercado brasileiro de produtos congelados, 57% do segmento de industrializados de carne e 67% das vendas de margarinas. Nas vendas externas de carne de frango, a fatia da companhia será de 52%, em volume. Nas exportações de suínos, a participação será de 42%. Com cerca de 119 mil funcionários, 42 fábricas e mais de R$ 10 bilhões em exportações por ano (cerca de 42% da produção), a gigante surge com um faturamento anual líquido de R$ 22 bilhões. (Folha de Pernambuco).


Perdigão pode mudar planos para o Estado

Publicado em 19.05.2009
A empresa pretendia construir uma fábrica de produtos lácteos, de embutidos, central de distribuição e fazenda modelo em Bom Conselho, mas projeto deve ser revisto em função da união com a Sadia
Adriana Guarda

A criação da Brasil Foods – a partir da fusão entre Sadia e a Perdigão, que deve ser anunciada esta semana – poderá alterar o projeto de implantação do complexo agroindustrial que a Perdigão está erguendo em Bom Conselho (a 266 quilômetros do Recife). O plano inicial previa a construção de uma fábrica de produtos lácteos, uma unidade de embutidos, central de distribuição e fazenda modelo no município, com investimento de R$ 380 milhões. Por outro lado, em março a Sadia inaugurou a sua primeira fábrica de embutidos do Nordeste, no município de Vitória de Santo Antão. Com a união, o projeto da unidade de embutidos de Bom Conselho pode ser revisto.
“A nova empresa deverá redefinir suas estratégias, otimizando os investimentos. Duas fábricas de embutidos no mesmo Estado podem fazer o grupo perder a economicidade de escala. Com isso, o mais provável é que o empreendimento da Perdigão se limite aos laticínios”, analisa o economista pernambucano Sérgio Buarque.
A fábrica de lácteos da Perdigão tem previsão de ser inaugurada entre o final de junho e o início de julho. Fontes do mercado dizem que os testes na unidade de Bom Conselho devem ser iniciados no próximo dia 20. A própria planta de laticínios chegou a ter o cronograma adiado. A previsão anterior era que a fábrica fosse inaugurada no primeiro trimestre. A companhia também alongou o planejamento da fábrica de embutidos para 2012. “É natural que o cronograma seja esticado, até porque num cenário de crise é preciso reavaliar”.
Tanto a Sadia quanto a Perdigão decidiram estrear com unidades produtivas no Nordeste por conta do crescimento do consumo na região. No ano passado, a Sadia vendeu cerca de 24,5% mais para os nordestino e a região passou a ser a segunda maior compradora da empresa, superando o Sul e ficando atrás apenas do Sudeste.
O prejuízo de R$ 2,6 bilhões com a operação de derivativos em 2008 fez com que a Sadia chegasse a paralisar as obras da fábrica de Vitória de Santo Antão, mas como a construção já estava avançada, a ordem dos acionistas foi concluir o empreendimento.

Na avaliação do economista José Raimundo Vergolino, uma possível mudança no projeto da Perdigão não deve prejudicar Pernambuco. “A tendência é que o novo grupo aposte apenas na unidade de lácteos em Bom Conselho e vá aumentando a produção da fábrica de embutidos em Vitória de Santo Antão, de acordo com a demanda do mercado”, acredita.
Em âmbito nacional ainda não se sabe qual será o tamanho das mudanças, mas é certo que a localização geográfica das fábricas sofra ajustes. Hoje, só a Perdigão conta com 25 unidades de carnes e outras 15 de leite, contra 17 plantas de carnes da Sadia.
(Jornal do Commercio).

Gigante alimentícia nasce endividada

Publicado em 17.05.2009

Dívida bruta da Sadia e da Perdigão soma R$ 14,8 bilhões, mas da metade do faturamento projetado para a nova empresa, que é de R$ 22 bilhões
SÃO PAULO e BRASÍLIA – A nova companhia resultante da compra da Sadia pela Perdigão já vai nascer com um elevado nível de endividamento. Segundo os balanços divulgados esta semana, a soma das dívidas brutas de Sadia e Perdigão chega a R$ 14,8 bilhões. Isso é muito mais da metade do faturamento líquido projetado para a nova empresa, de R$ 22 bilhões anuais, o que preocupa o mercado. Só a Sadia informou, em seu balanço, ter vencimentos de R$ 4,27 bilhões até março de 2010.

Embora com um perfil de endividamento melhor que o da Sadia — que depois do rombo de R$ 2,5 bilhões com operações de derivativos de câmbio, em setembro de 2008, teve de se financiar no mercado em condições muito ruins (juros muito altos e prazos curtos) —, a Perdigão viu sua dívida bruta saltar de R$ 3,6 bilhões para R$ 5,4 bilhões nos 12 meses encerrados em março último.

Em teleconferência anteontem com os analistas, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Perdigão, Leonardo Saboya, disse que o endividamento não está em um patamar desejável ou adequado. “As duas estão bastante alavancadas, sim. Por isso, será preciso uma capitalização da nova empresa”, afirmou Rafael Cintra, analista da Link Investimentos.

No fim de março, o endividamento líquido da Sadia correspondia a 7,2 vezes a sua capacidade de geração de caixa anual (Ebitda, ou lucro antes dos pagamentos de impostos, juros, amortizações e depreciações), muito longe dos padrões usadas pela companhia antes da crise dos derivativos, que era de uma a duas vezes o Ebitda. No caso da Perdigão, o nível de endividamento está em 3,1 vezes o Ebitda.

As duas empresas tem unidades em Pernambuco. A Sadia inaugurou uma fábrica em Vitória de Santo Antão no mês de março, com a presença do presidente Lula. Já a Perdigão, pretende inaugurar fábrica de Bom Conselho em Junho.

Em outra frente, a análise da fusão da Sadia com a Perdigão pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) poderá ser concluída apenas no fim deste ano e o negócio tende a ser suspenso até a conclusão do conselho. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, em negócios que envolvem grandes empresas a tendência é de um julgamento mais demorado e, enquanto isso, os conselheiros evitam que a operação se torne irreversível, por meio da venda de ativos, da demissão de funcionários ou da fusão da estrutura empresarial.

Segundo o ex-conselheiro do Cade Luiz Carlos Delorme Prado, professor do Instituto de Economia da UFRJ, é provável que haja um Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro), que impõe medidas preventivas.
(Jornal do Commercio).
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Sadia anuncia prejuízo, às vésperas de fusão

Publicado em 15.05.2009

SÃO PAULO – Às vésperas de anunciar a fusão com a concorrente Perdigão, a Sadia informou ontem que registrou prejuízo líquido de R$ 239,169 milhões no primeiro trimestre deste ano, ante lucro de R$ 248,266 milhões no mesmo período do ano passado. No quarto trimestre de 2008, a empresa tinha anotado perda de R$ 2 bilhões com o impacto de operações cambiais.
A receita operacional bruta consolidada nos três primeiros meses deste ano, porém, ficou positiva, alcançando R$ 2,9 bilhões, 10,6% superior ao mesmo período do ano anterior. Este aumento se deve ao desempenho no mercado interno, que registrou elevação de vendas em volume e preço, segundo informou a Sadia.
A receita do segmento de industrializados atingiu R$ 1,5 bilhão, 17,6% superior à de igual período de 2008. A maior concentração das vendas da companhia no mercado interno superou a média histórica e atingiu 59,5% do total da receita e o equivalente a 53,1% do volume total, com crescimentos em todos os segmentos em que a Sadia atua, informou a empresa.
O volume total de vendas caiu 0,5% no primeiro trimestre e totalizou 530 mil toneladas. “Enquanto no mercado interno elevaram-se 10,3%, no mercado externo decresceram 10,5% devido, principalmente, à crise econômica mundial e à restrição de crédito nos mercados da Ásia e da Eurásia”, explica a Sadia. A receita bruta neste mercado totalizou R$ 1,2 bilhão, uma queda de 3,3% em relação ao primeiro trimestre de 2008. Os preços médios em reais aumentaram 3% na mesma comparação.
“Afetados pelo enxugamento do crédito, importadores promoveram grandes reduções de seus estoques, que acabaram afetando as exportações brasileiras do nosso setor. O redirecionamento dos produtos para o mercado interno compensou em parte a redução das receitas externas. (…) O resultado da Sadia no primeiro trimestre sofreu o impacto do conjunto atípico de ajustes realizados na cadeia de valor por causa da crise econômica global”, diz comunicado assinado pelo diretor-presidente da empresa, Gilberto Tomazoni.
O Ebitda (lucro antes de impostos, juros, participações nos resultados, depreciações e amortizações) somou R$ 62,5 milhões, uma queda de 75,7% em relação ao primeiro trimestre de 2008. A margem Ebitda alcançou 2,5%, redução de 8,8 pontos percentuais quando comparada aos três primeiros meses do ano passado.
O lucro bruto somou R$ 386,2 milhões ao final do primeiro trimestre deste ano, queda de 28,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Tal desempenho decorre, principalmente, do aumento de 19,3% nos custos dos produtos vendidos em razão de variações nos preços de grãos (milho e soja), informou.
(Jornal do Commercio).

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