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jul 17, 2017 0 Comentário


Pernambuco entre os Estados com mais casos de abuso sexual infantil

Combate ao abuso infantil

Entender o que é violência sexual e saber identificar uma situação abusiva são os primeiros passos para que uma criança ou adolescente consiga desenvolver um comportamento autoprotetivo, evitando ou inibindo o agressor. O problema é que esse assunto não é tratado como parte da educação infantil no Brasil e, sobretudo, no Nordeste. Segundo a organização não governamental européia Save The Children, em 2011, Pernambuco foi classificado como o Estado com mais casos de violência sexual registrados no País.

Em comemoração aos 27 anos de criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, o Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social lançou nesta quinta-feira a 10ª edição da Campanha pelos Bons Tratos de Crianças e Adolescentes com o tema Autoproteção para prevenção dos riscos da violência sexual contra nossas crianças e adolescentes. Entre as ações da campanha estão o lançamento de uma Revista em Quadrinhos, contação de estórias e jogos e brincadeiras sobre autoproteção.

“A gente precisa levar informações para essa criança. Ela precisa se reconhecer como um sujeito de direito, conhecer o próprio corpo, entender a diferença entre o toque que é um carinho e o toque que é um abuso, e entender o que é violência. Para que assim ela crie estratégias de defesa que vá dificultar a ação desse adulto agressor, e caso algo aconteça ela consiga contar aos familiares”, explica a psicóloga do Cendhec, Ana Paula Pimentel, reforçando a importância dos pais estarem atentos a sinais como a mudança de comportamento, o afastamento da vida social, o linguajar inapropriado e sexualizado, e a presença de marcas no corpo da criança.

O chefe de Comunicação da Polícia Federal, Giovanni Santoro, reforçou ainda a importância dos pais estarem atentos ao acesso à internet, um dos meios mais comuns de aliciação de crianças e adolescentes. “Os pais devem ficar atentos, pois tem um papel fundamental na questão da observação e do diálogo franco e aberto. Na internet, os pais devem acompanhar e orientar a não postar fotos em excesso da rotina, não falar muitas coisas da vida pessoal, e principalmente não adicionar pessoas que não conhece”, afirma. Para crimes de pornografia infantil a pena é de três a seis anos de reclusão.

A principal peça de divulgação da campanha é a revista em quadrinhos “A Máquina da Transmutação: Construindo a cultura da Autoproteção”, que foi elaborada pelas crianças que participam do projeto. A revista conta a história da personagem Florisbela, relembrando uma situação em que ela foi assediada por um adulto, mas que conseguiu se prevenir através da autoproteção.

A adolescente Rebeca Pereira, 16 anos, foi uma das pessoas que contribui para a criação da revista em quadrinhos. Há cerca de um ano, a estudante passou por uma situação de assédio sexual com um amigo da família e só conseguiu identificar a situação abusiva depois que começou a participar das oficinas quinzenais do Cendhec na escola em que frequenta, a EREM Clotilde de Oliveira. “Ele fazia gestos para mim e contatos visuais diferentes. O Cendhec me fez entender o que estava de verdade acontecendo e me mostrou que aquilo não era normal, como eu acreditava. Eu contei aos meus pais, e nós realizamos um Boletim de Ocorrência antes que algo pior acontecesse”, conta a garota.

As oficinas, que acontecem desde abril de 2016 com cerca de 300 crianças e adolescentes, tratam de temas como abuso e exploração sexual, a visão da sociedade sobre crianças e adolescentes, a desvalorização da mulher no meio musical e a importância da autoproteção para crianças e adolescentes. “Aqui a gente fala sobre coisas que a sociedade não fala, a escola não ensina e os pais tem anseio de conversar com os filhos. É preciso falar sobre autoproteção com as crianças e de todo esse mundo encoberto pela sociedade”, ressalta Rebeca.

Diario de PE